Coronavírus

13/09/2020 | domtotal.com

As muitas dúvidas e algumas certezas sobre a Covid depois de 6 meses de pandemia

Os aprendizados sobre o novo coronavírus que já se tornou parte do nosso cotidiano

O uso de máscara e as medidas de distanciamento social são parte da vida cotidiana
O uso de máscara e as medidas de distanciamento social são parte da vida cotidiana (Oli Scarff/AFP)

A Covid-19 já faz parte de nossas vidas, seis meses após ser considerada uma pandemia pela OMS. Um inimigo íntimo do qual aprendemos muito, embora ninguém possa responder a esta pergunta: o que nos espera futuramente?

O que ainda ignoramos

A epidemia recomeçará?

Depois de uma temporada de verão sem o respeito das medidas de precaução, as contaminações têm aumentado drasticamente na Europa. É o caso da França, Espanha ou Grã-Bretanha, ainda que estejamos bem abaixo do nível atingido no pico da epidemia, em março/abril.

"Milhares de casos por dia é muito (...) É necessariamente preocupante", avaliou o ministro da Saúde francês, Olivier Véran, na rádio France Inter.

Se esta tendência continuar, o Reino Unido viverá "um período turbulento nos próximos meses", acrescentou à BBC Jonathan Van-Tam, um dos chefes dos serviços de saúde britânicos.

Um aumento no número de pessoas infectadas levará "mecanicamente" a um aumento de casos graves, com algumas semanas de atraso, alertou Véran. Mas em que proporções? Este é o ponto principal.

Escaldados pela primeira onda, muitos médicos temem que os hospitais e unidades de terapia intensiva acabem sendo sobrecarregados novamente nos próximos meses, como em março.

Atualmente, o vírus circula principalmente entre os jovens, uma população de baixo risco, mas os idosos e aqueles com saúde precária serão inexoravelmente afetados, alertam.

Menos pessimistas, outros argumentam que o risco de saturação dos hospitais é menor, em particular porque as pessoas em risco respeitam melhor os gestos de barreira.

Os mais otimistas, por fim, contam com a existência de uma imunidade adquirida durante a primeira onda, que bloquearia a segunda e evitaria a repetição do desastre de março. Mas isso é apenas um palpite. Por outro lado, todos insistem na importância dos gestos de barreira e do uso de máscara.

Reinfecções e imunidade

Alguns casos de pacientes curados e infectados novamente foram identificados nas últimas semanas em todo o mundo, relançando a incômoda questão da imunidade.

O primeiro caso confirmado de reinfecção, um homem de 30 e poucos anos de Hong Kong, adoeceu mais na primeira vez do que na segunda. Os especialistas veem isso como um motivo de esperança e um sinal de que seu sistema imunológico aprendeu a se defender após a primeira infecção.

Acima de tudo, eles insistem que não se pode tirar uma conclusão com base em apenas alguns casos. Finalmente, enfatizam que a verdadeira questão não é se é possível ser infectado duas vezes, mas o quão contagioso é a segunda. De forma mais ampla, a imunidade contra a Covid-19 continua mal compreendida.

Tem havido muito foco nos anticorpos, mas os pesquisadores esperam que outro tipo de resposta imunológica baseada em células, as células T, possa conter a epidemia. No entanto, isso ainda é apenas uma teoria.

O que é incerto

O papel das crianças

Com o início do novo ano escolar em muitos países, ainda não está claro exatamente qual é o papel das crianças na epidemia. Uma coisa é certa: raramente ficam gravemente doentes com a Covid-19. A maioria desenvolve apenas uma forma leve, ou não apresenta nenhum sintoma. No entanto, não se sabe se são tão contagiosas quanto os adultos.

"Quando apresentam sintomas, as crianças liberam a mesma quantidade de vírus que os adultos e são tão contaminantes quanto eles. Não se sabe em que medida as crianças assintomáticas podem infectar outras pessoas", resume o Centro Europeu de Prevenção e controle de doenças (ECDC).

Vários estudos demonstraram que as crianças parecem transmitir pouco a doença, talvez porque tenham menos sintomas (já que tossir ou espirrar aumenta o risco de transmitir o vírus a alguém).

No entanto, muitos especialistas preconizam uma distinção entre crianças e adolescentes, cujo nível de contagiosidade é mais semelhante ao dos adultos.

Vacina: rápida e eficaz, é possível?

Encontrar uma vacina eficaz e segura é considerada a melhor forma de acabar com a pandemia. Mas não sabemos quando isso acontecerá, apesar dos inúmeros anúncios em uma competição planetária com enormes apostas financeiras.

Em seu último ponto datado de terça-feira (8), a OMS identificou 34 "vacinas candidatas" avaliadas em ensaios clínicos em humanos ao redor do mundo. Nove já estão na última etapa, ou se preparam para entrar. Esta é a "fase 3", onde a eficácia é medida em grande escala em milhares de voluntários.

Estados Unidos, Rússia e China travam uma batalha à distância e agilizam procedimentos na esperança de serem os primeiros a ter uma vacina, ainda antes do final do ano.

Mas os especialistas pedem para não confundir velocidade e precipitação, porque pular etapas pode representar problemas de segurança.

Ilustração dessa cautela essencial: um dos projetos mais avançados, liderado pelo laboratório AstraZeneca e pela universidade britânica de Oxford, foi suspenso na terça-feira. A causa: uma "doença potencialmente inexplicada", possivelmente um efeito colateral sério, em um participante.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) estima "que pode demorar pelo menos até o início de 2021 para uma vacina contra a Covid-19 estar pronta para aprovação e disponível em quantidade suficiente" para uso global.

O que aprendemos

Máscaras e aerossóis

A reviravolta foi espetacular: considerada desnecessária para a população em março, a máscara agora é recomendada pela maioria das autoridades de saúde mundiais, incluindo a OMS.

Nesse ínterim, foi descoberto que a Covid-19 é provavelmente transmitida por gotículas finas suspensas no ar exaladas pelos pacientes (os "aerossóis"), e não apenas através dos postilhões maiores ou das mãos sujas.

Ainda não sabemos exatamente o papel desse modo de transmissão na dinâmica da epidemia, mas muitos estudos tendem a dizer que é substancial.

Nessa hipótese, respeitar uma distância de segurança não é suficiente e a máscara é imprescindível, principalmente em se tratando de um local fechado, densamente povoado e mal ventilado.

É este tipo de local que é hoje considerado o de maior risco, ainda que alguns países também tenham tornado obrigatórias as máscaras nas ruas.

Medicamentos

Sabemos mais hoje, graças aos ensaios clínicos. Foi demonstrado que apenas um tipo de medicamento reduz a mortalidade: os corticoides, que combatem a inflamação. Mas são indicados apenas para "formas graves ou críticas" da doença, insiste a OMS.

Um antiviral, o remdesivir, reduz o tempo de internação hospitalar, mas seu benefício é relativamente modesto.Por outro lado, a cloroquina, defendida pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump, não demonstrou eficácia.


AFP



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