Esporte Futebol Internacional

11/09/2020 | domtotal.com

Venda de jogadores brasileiros é fortemente impactada pela pandemia

Transferências de jogadores para o exterior, que representam quase um quarto do faturamento dos times brasileiros, caíram 61,8% em relação ao ano passado

As transferências de jogadores para o exterior em 2020 caíram 61,8% em relação ao mesmo período de transferências de 2019
As transferências de jogadores para o exterior em 2020 caíram 61,8% em relação ao mesmo período de transferências de 2019 (Marco Bertorello/AFP)

As notícias de vendas milionárias para clubes na Europa ou na Ásia costumavam parar nas manchetes dos jornais. Com as transferências, os clubes brasileiros sustentavam seu orçamento anual, mas a pandemia abalou drasticamente o mercado do maior exportador de jogadores do mundo.

As transferências de jogadores para o exterior, que representam quase um quarto do faturamento dos times brasileiros, caíram 61,8% em relação ao período de transferências de meados de 2019, segundo contagem feita a partir de dados do portal especializado Transfermarkt.

Entre 1º de junho e 8 de setembro, pelo menos 74 jogadores do campeonato brasileiro partiram - vendidos, emprestados ou gratuitamente - para ligas estrangeiras, principalmente da Europa (56) e da Ásia (13). No mesmo período de 2019, 194 atletas foram transferidos.

O mercado "está mais tímido em relação a outras épocas. A gente vê clubes buscando não gastar tanto porque a situação financeira de todo o mundo é muito complicada", explicou o comentarista Gustavo Hofman, da ESPN.

A Covid-19, que no Brasil já deixou mais de 129 mil mortes e 4,1 milhões de infecções, não apenas desacelerou o mercado de transferências. Os valores das transações caíram consideravelmente.

Em 2019, por exemplo, o Real Madrid pagou 45 milhões de euros ao Santos pelo passe de Rodrygo, o Atlético de Madrid depositou 20 milhões na conta do Athletico Paranaense por Renan Lodi e o Barcelona pagou 12 milhões ao Atlético Mineiro por Emerson. No total, 77 milhões.

Até ao momento, as três maiores contratações do período analisado em 2020 somam 61,75 milhões de euros: o Benfica pagou 28 milhões ao Grêmio por Everton e 18 milhões ao Corinthians por Pedrinho, enquanto Antony deixou o São Paulo para se transferir ao Ajax por 15,75 milhões.

"Talvez o Everton, em outro momento, tivesse sido vendido um pouco mais caro para o Benfica", analisa Hofman.

Salva-vidas

O Brasil (2.742) é o país com mais jogadores em outras ligas, seguido da Argentina (2.330) e da França (1.740), segundo relatório divulgado em maio pelo Observatório de Futebol do CIES.

No ano passado, os 20 times do Brasileirão e os quatro que subiram registraram R$ 1,4 bilhão em transferências de atletas de um total de R$ 5,7 bilhões faturados, segundo contagem da Globo News baseada em documentos oficiais. As vendas de jogadores são a segunda maior receita dos clubes atrás dos direitos de transmissão (R$ 2,2 bilhões), de acordo com a pesquisa.

Boa parte dos times do Brasil fechou 2019 com dívidas e perdas impagáveis, afirma Rodrigo Capelo, jornalista especializado em negócios esportivos do Globoesporte.com. "Várias das fragilidades dos clubes brasileiros foram agravadas pela pandemia", acrescenta.

Embora a Covid-19 "tenha cortado o fluxo de receita" dos dos times - como bilheterias, direitos de televisão e patrocinadores diante da suspensão dos campeonatos - a desvalorização do real frente ao dólar americano mitiga a queda nas vendas externas, destaca. "Com a venda dos jogadores para fora, os clubes recebem em dólar, até isso ameniza um pouco o problema", diz ele.

Efeito dominó

O intermediário e agente Edgardo Aguilar, radicado em Santos, afirma que a desvalorização da moeda local em relação ao dólar e ao euro gera ganhos "voluptuosos" no fechamento de uma transferência. O problema, diz ele, é concretizar as operações.

"Os europeus, agora, fecharam mais os cofres", diz o dono da empresa Soccer Stars Group, com quase duas décadas de atuação no mercado internacional. "Antes contratavam jogadores até para serem reservas", diz ele. "Diminuímos cerca de 70% nas negociações com as equipes".

O impacto no Brasil repercute em toda a região. Os times brasileiros buscam atletas de competições mais fracas e baratas, como as da Colômbia, Peru e Uruguai.

Sem grandes vendas, os brasileiros também deixam de recorrer a esses mercados, que por sua vez dependem da venda de suas joias.

No Brasil "praticamente deram um jeito com os jogadores que tinham dentro de seu mercado", diz o colombiano Carlos Calero, da agência World Sports Management. Calero costumava participar na transferência para o Brasil de até três jogadores por período de contratações. Até agora passou em branco.


AFP/Dom Total



Comentários
Newsletter

Você quer receber notícias do domtotal em seu e-mail ou WhatsApp?

* Escolha qual editoria você deseja receber newsletter.

DomTotal é mantido pela EMGE - Escola de Engenharia e Dom Helder - Escola de Direito.

Engenharia Cívil, Ciência da Computação, Direito (Graduação, Mestrado e Doutorado).

Saiba mais!