Coronavírus

14/09/2020 | domtotal.com

Mortalidade por Covid-19 deve aumentar entre outubro e novembro, afirma OMS

Atualmente, a Europa registra uma aceleração dos contágios. No Brasil, já são mais de 131 mil mortos registrados e 4,3 milhões de casos desde o início da pandemia

São Paulo é o estado brasileiro com o maior número de mortes (32.606), seguido por Rio de Janeiro (16.990), Ceará (8.686), Pernambuco (7.874) e Pará (6.344)
São Paulo é o estado brasileiro com o maior número de mortes (32.606), seguido por Rio de Janeiro (16.990), Ceará (8.686), Pernambuco (7.874) e Pará (6.344) (Guilherme Gandolfi)

A pandemia de Covid-19 será "mais dura em outubro e novembro", meses em que deve aumentar a mortalidade, afirmou o diretor para a Europa da Organização Mundial da Saúde (OMS).

"Vai ser mais duro. Em outubro, em novembro, vamos observar uma mortalidade mais elevada", afirmou em uma entrevista o médico belga Hans Kluge, no momento em que a Europa registra uma aceleração dos contágios, mas a taxa de mortalidade permanece estável.

O aumento da mortalidade diária será consequência do surto da epidemia na Europa, indicou a OMS. "Estamos em um momento no qual os países não têm vontade de ouvir este tipo de notícia ruim e eu entendo", afirmou Hans Kluge, que ao mesmo tempo citou a "mensagem positivo" de que a pandemia "vai parar em um momento ou outro".

A OMS Europa organiza uma reunião nesta segunda-feira e na terça-feira com os 55 Estados membros para abordar a resposta à pandemia e elaborar uma estratégia quinquenal.

"Escuto o tempo todo: 'a vacina será o fim da epidemia'. Com certeza não", afirmou Kluge. "Não sabemos se a vacina vai ser eficaz para todos os setores da população. Recebemos alguns sinais de que será eficaz para alguns, mas não para outros", acrescentou.

"E se precisarmos encomendar vacinas diferentes será um pesadelo logístico", explicou. "O fim desta pandemia será o momento em que, como comunidade, conseguirmos aprender a viver com ela. E isso depende de nós. É uma mensagem muito positiva".

O número de casos diários aumenta em grande velocidade há algumas semanas na Europa, particularmente na Espanha e França.

Na sexta-feira, os 55 países da OMS Europa registraram 51 mil novos casos, um número superior ao registrado durante o pico do mês de abril, segundo os dados da organização. Ao mesmo tempo, o número diário de mortes provocadas pela pandemia permanece entre 400 e 500, como no início de junho, de acordo com a OMS Europa.

Volta ao confinamento

Um passo atrás no retorno à normalidade: Israel anunciou nesse domingo um novo confinamento nacional, tornando-se o primeiro país fortemente atingido pelo novo coronavírus a aplicar tal medida, enquanto a Europa seguia lutando contra o novo aumento do número de casos, como a Áustria, que anunciou enfrentar a segunda onda.

"O governo decidiu hoje aplicar um confinamento estrito de três semanas, com a opção de prorrogar a medida", declarou o premier de Israel, Benjamin Netanyahu. Autoridades impuseram na semana passada um toque de recolher em cerca de 40 cidades israelenses, principalmente nas localidades árabes e ultraortodoxas, o que não impediu o aumento do número de casos.

Às vésperas das festas judaicas, o país enfrentou nos últimos dias um debate entre partidários de um confinamento parcial e de um geral. O governo optou não apenas pelo confinamento geral, mas também estendeu a medida por três semanas, alcançando as festas judaicas, para tentar conter a propagação da doença em um período em que as famílias costumam se reunir em casa e nas sinagogas.

Segundo dados compilados, Israel foi o segundo país com maior número de casos per capita nas últimas semanas, atrás do Barein, seu novo aliado, com o qual assinará esta semana um acordo de normalização das relações. A taxa de infecções em Israel voltou a subir, com mais de 153 mil casos em uma população de 9 milhões de habitantes.

A pandemia já provocou pelo menos 921.097 mortes no mundo desde que a unidade da Organização Mundial da Saúde (OMS) na China detectou o surgimento da doença, em dezembro de 2019, de acordo com um balanço estabelecido e atualizado na manhã de domingo, com base em dados oficiais dos países.

'Início da segunda onda'

Apesar do aumento dos casos em vários países europeus, até agora não foi reaplicado nenhum confinamento nacional naquele continente. Nas últimas 24 horas, a França registrou mais de 7 mil casos, depois que, na véspera, ultrapassou a barreira dos 10 mil casos diários, próxima do pico da primeira onda, em abril. Autoridades francesas descartaram impor mais restrições, apesar do que chamaram de "clara piora".

Na Áustria, o chanceler Sebastian Kurz anunciou que o país está "no começo da segunda onda" e que, em breve, serão superados os mil casos diários. Segundo ele, o governo restringirá ainda mais os eventos e estendera o uso obrigatório da máscara às lojas e aos prédios públicos.

O Reino Unido, país europeu com mais mortos pela doença (41.623), registrou 3 mil casos ontem, pelo segundo dia consecutivo. Segundo o jornal Sunday Times, um terço destes casos foram registrados em asilos.

Após aplicar uma série de confinamentos locais este mês, novas restrições determinadas pelo governo entrarão em vigor amanhã na Inglaterra, principalmente limitando reuniões sociais a no máximo seis pessoas.

Na Coreia do Sul, ao contrário, autoridades anunciaram que a partir de amanhã, e por duas semanas, irão suavizar em Seul algumas das medidas de controle implementadas nas últimas semanas.

O total de óbitos nos Estados Unidos alcança 193.705, com 6.486.401 contágios. As autoridades consideram que 2.434.658 pessoas estão recuperadas. Depois dos Estados Unidos, os países com mais vítimas fatais são o Brasil, com 131.625 mortes e 4.330.455 casos, a Índia (78.586 mortos e 4.754.356 casos), México (70.604 mortos e 663.973 casos) e Reino Unido (41.623 mortos e 365.174 casos).

Entre os países mais afetados, o Peru registra a maior taxa de mortalidade, com 93 óbitos para cada 100 mil habitantes, seguido por Bélgica (86), Espanha (64), Bolívia (63) e Chile (62).

A China, sem levar em consideração os territórios de Hong Kong e Macau, registra 85.184 pessoas infectadas, com 4.634 mortes e 80.399 totalmente recuperadas. Desde o início da epidemia, América Latina e Caribe registram 309.317 mortes (8.229.215 contágios), a Europa 221.146 (4.471.410), Estados Unidos e Canadá 202.916 (6.622.504), a Ásia 114.518 (6.445.438), Oriente Médio 39.829 (1.671.988), a África 32.501 (1.348.379) e a Oceania 870 (30.563).

O balanço foi elaborado com os dados divulgados pelas autoridades nacionais e compilados e com informações da OMS. Devido a correções por parte das autoridades ou ao atraso na publicação dos dados, o aumento dos números publicados nas últimas 24 horas pode não corresponder exatamente ao do dia anterior.

Protestos

À espera de uma vacina, autoridades tentam fazer com que sejam respeitadas as medidas de proteção, que seguem gerando polêmica em diferentes países. Na Austrália, a polícia prendeu dezenas de participantes de uma manifestação contra o confinamento em Melbourne, que reuniu cerca de 250 pessoas.

Na véspera, manifestantes em Alemanha e Polônia protestaram contra as medidas de controle do coronavírus e o uso da máscara. Do lado oposto, milhares de manifestantes pediram hoje em Bruxelas melhorias no sistema de saúde daquele país, fortemente atingido pela doença, com cerca de 100 mil mortos em uma população de 11,5 milhões de habitantes.

Com mensagens como "Enfermeiras maltratadas = pacientes em perigo", profissionais da área de saúde exigiram novas contratações para melhorar a qualidade do atendimento, e aumento salarial.

No Líbano, 90 capacetes azuis da ONU mobilizados no sul do país testaram positivo para o novo coronavírus, segundo um porta-voz da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Finul). Eles foram colocados em isolamento.

Brasil

De acordo com o Ministério da Saúde brasileiro, nesse domingo (13) foram registradas 14.768 novas infecções de Covid-19 nas últimas 24 horas, totalizando 4.330.455 casos desde o início da pandemia. Deste total, 3.573.958 são de recuperados. O número atualizado de óbitos por causa da doença agora é de 131.625, sendo que 415 mortes foram notificadas entre sábado (12) e domingo.

Segundo o Ministério, há 624.872 casos em acompanhamento. A taxa de letalidade está em 3% e a mortalidade/100 mil habitantes está em 62,6. A incidência de casos do novo coronavírus por 100 mil habitantes é de 2.060,7.

São Paulo é o estado brasileiro com o maior número de mortes (32.606), seguido por Rio de Janeiro (16.990), Ceará (8.686), Pernambuco (7.874) e Pará (6.344). Já Roraima é tem o menor número de óbitos em decorrência do novo coronavírus (610). Em seguida estão Acre (640), Amapá (678), Tocantins (806) e Mato Grosso do Sul (1.065).

São Paulo também lidera o número de casos, com 892.257, seguido por Bahia (282.517), Minas Gerais (252.263), Rio de Janeiro (242.491) e Ceará (227.449). Os estados com menos casos são Acre (26.166), Amapá (45.853), Roraima (46.478) e Mato Grosso do Sul (59.077).


AFP/Agência Brasil/Dom Total



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