Religião

14/09/2020 | domtotal.com

Os cristãos e as eleições

Dom Odilo Scherer fala sobre a importância do voto consciente no futuro do país

Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo
Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo (Governo do Estado de São Paulo)

Odilo Pedro Scherer

Em breve, teremos eleições municipais em todo o Brasil para a renovação do Legislativo e do Executivo nos municípios, que são a base da organização política do Estado brasileiro. Essas eleições se referem às administrações locais, nas quais o povo percebe melhor e tem mais condições de avaliar o desempenho dos seus governantes e legisladores. Elas são especialmente importantes porque definem as bases de apoio para as instâncias estaduais e federais da vida política.

O voto dos eleitores está domiciliado nos municípios. Neste ano, a campanha eleitoral será bastante diferente das anteriores por causa das alterações na legislação eleitoral e da pandemia de Covid-19, que ainda afeta o Brasil. Será, sobretudo, mais breve, menos visível em eventos notórios publicamente e realizada muito mais pelas mídias sociais e meios eletrônicos. 

O efeito disso no comportamento dos candidatos e dos eleitores ainda é uma incógnita e poderá ser avaliado somente depois que saírem os resultados das eleições. Tudo isso, porém, não diminui a importância dessas eleições e a necessidade de que todos os cidadãos desempenhem bem, por meio da participação ativa no processo político-eleitoral, seu direito e dever de cidadania. E vale também para os cidadãos católicos, que não devem ficar alheios à vida política, mas participar da promoção do bem comum.

O papa Francisco, em certa ocasião, observou que é falso dizer que um bom católico não se interessa pela política. E confirmou: um bom católico deve estar interessado na política e oferecer o melhor de si para que o governante governe bem. 

Como foi feito em outras ocasiões, também neste ano eleitoral os bispos católicos estão promovendo a orientação política para as suas comunidades. Desde logo, fique claro que não se trata de apoio a partidos ou de recomendação do voto para determinados candidatos: a lei eleitoral brasileira e a própria lei da Igreja vetam esse tipo de atitude dos líderes da Igreja. Trata-se de orientações básicas sobre a organização política do Brasil, os ensinamentos da Doutrina Social da Igreja a respeito da participação na vida política, os direitos e deveres de cidadãos e governantes e esclarecimentos sobre questões relativas às eleições municipais deste ano. 

Nas cartilhas disponibilizadas, também se indicam as qualidades de um bom político e o que se espera dele no cargo que pretende ocupar. A Igreja no Brasil, por meio dos bispos reunidos em sua conferência episcopal (CNBB), já promoveu muitas iniciativas esclarecedoras e educativas acerca da participação na vida política. Diversas vezes, a Campanha da Fraternidade abordou tanto temas relativos à vida política no Brasil e à promoção do bem comum quanto a justiça social, a solidariedade e a paz.

A Igreja Católica participou ativamente da promoção de leis de iniciativa popular para moralizar a política, como as leis das eleições limpas e da "ficha limpa". Em inúmeras ocasiões, a CNBB, em nome do episcopado católico, pronunciou-se e tomou posição em relação a questões da vida política, econômica e social do país. 

Essas manifestações nem sempre são bem compreendidas e acolhidas, sobretudo por quem pensa que a Igreja e seus representantes devem se ocupar apenas da "vida espiritual" das pessoas. Quando a Igreja Católica se manifesta por meio do papa e dos bispos sobre questões da vida pública, ela o faz motivada pelo seu dever de servir a comunidade humana e de participar na edificação do bem comum. Suas motivações não são a conquista do poder político, que não lhe compete, e sim suas convicções, baseadas no Evangelho de Cristo e nos princípios morais decorrentes de sua fé. 

Como instituição presente na sociedade, com reconhecimento público, ela tem o direito e o dever de participar da edificação da sociedade. Em particular, cada católico, como cidadão, tem esse direito e dever, que não lhe pode ser negado pelo fato de praticar e seguir uma fé religiosa. Ele deve ser um sujeito político consciente e interessado na promoção do bem da cidade, escolhendo candidatos idôneos e competentes para o exercício dos diversos cargos políticos. 

E a cartilha colocada à disposição do povo pelas organizações da Igreja Católica em São Paulo quer ser uma contribuição para que a participação no processo político e eleitoral deste ano aconteça de maneira consciente e responsável.


Vatican News/Dom Total



Comentários
Newsletter

Você quer receber notícias do domtotal em seu e-mail ou WhatsApp?

* Escolha qual editoria você deseja receber newsletter.

DomTotal é mantido pela EMGE - Escola de Engenharia e Dom Helder - Escola de Direito.

Engenharia Cívil, Ciência da Computação, Direito (Graduação, Mestrado e Doutorado).

Saiba mais!