Coronavírus

14/09/2020 | domtotal.com

Famílias estão adiando o desmame e desfralde por causa da pandemia

Rotina pesada e desgastante em casa faz mães atrasarem os processos de mudança

Pais têm medo de fazer uma mudança nesse momento de pandemia
Pais têm medo de fazer uma mudança nesse momento de pandemia (Wes Hicks/Unsplash)

Desmamar e desfraldar a filha de 2 anos e 10 meses em meio à pandemia do novo coronavírus e ao isolamento social é algo que preocupa a corretora de seguros Kemelly Oliveira, de 41 anos. Desgastada física e emocionalmente com a situação, ela sente que o momento não é adequado para realizar os processos. Em uma pesquisa realizada pelo site de maternidade Trocando Fraldas, a pedido da reportagem, mais da metade das famílias afirmou que está adiando desmame, desfralde e o adeus à chupeta.

Os questionários sobre os temas foram respondidos por cerca de 2 mil pessoas, que se dividiram nos três temas. A faixa etária média das crianças que mais estão tendo os processos adiados é a dos 2 anos. Em relação ao desmame, 53% das pessoas afirmaram que adiaram o processo. Sobre adiar o desfralde e a retirada da chupeta, foram 54% e 59%, respectivamente.

"A gente percebeu que os pais têm medo de fazer uma mudança. Tem muita criança que ia para a creche e a mãe pensava que tirou do convívio dos amigos, da rotina e, se tirar o peito ou a chupeta, vai ser um estresse grande", avalia Patricia Amorim, fundadora do site. "Essa situação mudou a rotina não só das crianças, mas das mães que ficam estressadas por trabalhar em casa e de alguns pais que perderam o emprego."

Kemelly pretendia fazer o desmame da filha Cecília, mas mudou de ideia. O desfralde tinha sido iniciado na escola, não avançou e as tentativas em casa desaceleraram. "Minha dificuldade é o controle emocional. Além de estar muito desgastada e cansada, fico imaginando a casa suja de xixi e cocô. Sem falar em ficar correndo atrás dela para tratar deste assunto."

Ela já trabalhava em home office, mas o trabalho mudou e as tarefas aumentaram durante o período. "Como a criança requer atenção, pede para brincar, para mamar, tem a alimentação, preciso ficar parando. É muito diferente. Tenho minha enteada de 16 anos também. Ela ia para a escola, inglês, curso e mal ficava em casa. Agora, com todos em casa, tudo aumentou. Mais ida ao fogão, mais mercado, mais sujeira. E o trabalho no meu ramo aumentou também por causa da pandemia, porque teve muita procura por convênio médico." Por isso, o aleitamento materno foi mantido.

A inspetora escolar Suyane Ferreira, de 28 anos, desfraldou o filho Miquéias Augusto, de 1 ano e 11 meses, há três meses e diz que não teve dificuldades. Mas o desmame, que tinha sido iniciado, vai ficar para outro momento. "Estava iniciando o desmame antes da pandemia, porque ele sentia muita falta do peito quando ficava com outra pessoa. Com a pandemia, ficou mais difícil. Quando estava trabalhando longe, ele só mamava para dormir. Agora, com esse convívio, porque estou trabalhando em casa e as escolas não estão funcionando, ele fica querendo mamar a toda hora."

Ela sente que o filho está mais apegado e mudou a rotina para poder dar mais atenção para a criança. "Trabalho em uma escola para adultos e participo de reuniões. É complicado, porque ele quer ficar no colo. Às vezes, tenho de adiar as reuniões ou trocar os dias. Tem dias que vou dormir às 3h30 para deixar tudo adiantado. Como ele dorme cedo, acorda cedo e, quando está acordado, eu me dedico totalmente a ele."


Agência Estado



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