Cultura

14/09/2020 | domtotal.com

Festival de Inverno da UFMG convida público a pensar em como driblar a crise

Programação virtual acontecerá em setembro com atividades gratuitas e abertas para todos

A performer, bióloga e defensora da Amazônia, Uýra Sodoma, apresenta a performance 'Quintal', produzida para o Festival
A performer, bióloga e defensora da Amazônia, Uýra Sodoma, apresenta a performance 'Quintal', produzida para o Festival (Matheus Belém/Divulgação)

Larissa Troian

Sob o tema Mundos possíveis: culturas em pensamento, começa hoje (14), de forma totalmente online, o 52º Festival de Inverno UFMG. Considerado um dos mais importantes e tradicionais eventos culturais do país, o festival vai até o dia 23 de setembro e inclui seminários, rodas de conversa e palestras.

Também está sendo preparado o lançamento de publicações digitais e de uma mostra que promoverá intervenções nas ruas de Belo Horizonte. Fernando Mencarelli, diretor de ação cultural da UFMG e diretor geral do Festival de Inverno conta que a temática desta edição vem com o objetivo de estabelecer uma conversa entre pesquisadores, mestres da tradição, artistas, filósofos e estudiosos para, juntos, encaminharem a imaginação de mundos possíveis, mobilizados pelos impactos socioculturais da pandemia. ?Convocamos uma série de artistas, pensadores, lideranças comunitárias, para juntos pensarmos e de certa forma encontrarmos também respostas possíveis pra essa crise. São artistas que foram convidados a criar trabalhos para esse tema, escritores, ensaístas, poetas e filósofos que estão produzindo ensaios e textos que vão circular durante o Festival?.

A agenda cultural compreende dança, música, teatro e artes visuais e contará com convidados, como o rapper Kdu dos Anjos, a cantora Mônica Salmaso, o bailarino Rui Moreira e a escritora Conceição Evaristo.  

Ainda na noite desta segunda, às 21h45, será inaugurada a primeira das cinco mostras artísticas on-line previstas na programação: a exposição Siwettêt: resistência, do antropólogo indígena Edgar Kanaykõ Xakriabá. Além desta, o público poderá contar com a Palestra Presenças orgânicas ?" Invisibilidades sintéticas, a partir das 19h30, e com a roda de conversa Sonhos de Outros Mundos e Outros Tempos, às 20h45.

Mencarelli ressalta que a responsabilidade de realizar esse Festival de Inverno em um momento como esse, em que estamos todos recolhidos, se tornou de fato o próprio tema do festival. Para ele, a pandemia "acentuou e tornou evidente as condições em que o meio artístico - um dos mais afetados pela atual situação - sobrevive, uma crise cultural, social, política, econômica, ambiental". Dessa maneira, o Festival tem como principal objetivo o de  "trazer respostas possíveis de como podemos e devemos lidar com essa crise profunda e, por isso, a importância de enfrentar o desafio de realizar um festival totalmente digital, porque esse é o espaço público que temos hoje para podermos atuar".

O evento estava previsto para ocorrer ente 14 e 21 de julho, mas, em virtude da pandemia de coronavírus, a equipe curatorial teve de reformular o evento.

A partir de hoje até o final da agenda de programação, uma palestra e uma roda de conversa serão transmitidas diariamente via YouTube, pelo canal oficial Da UFMG. Os vídeos são públicos para todos, mas aqueles que fizerem a inscrição no seminário terão direito a certificado de participação.

A programação completa será divulgada em breve.

História

A primeira edição do Festival de Inverno UFMG foi realizada em 1967, em Ouro Preto. Pioneiro no país como festival plural, seus idealizadores foram os professores Haroldo Matos, da Escola de Belas-Artes da UFMG, Berenice Menegale e Maria Clara Dias Paes, da Fundação de Educação Artística. O evento durava cerca de um mês, oferecendo cursos e oficinas em diversas áreas da cultura, e favorecendo o nascimento de grupos artísticos como Galpão, Uakti e Giramundo, entre outros.

Ouro Preto acolheu o festival até 1979. No ano seguinte o evento não foi realizado, devido à forte repressão política e censura às artes no Brasil. Suas edições seguintes ocorreram na cidade de Diamantina. Em 1984, devido a uma greve geral na UFMG, o Festival deixou de acontecer.

Diamantina voltou a sediá-lo em 1985, mas em 1986 e 1987, a cidade de São João del-Rei foi o cenário do evento. Já com um caráter itinerante, a 20ª edição do festival, em 1988, aconteceu em Poços de Caldas. Entre 1989 e 1992, foi a vez de Belo Horizonte acolher o evento. O festival retornou a Ouro Preto e, depois, Diamantina, voltando de vez para a capital mineira somente em 2014.


Redação Dom Total



Newsletter

Você quer receber notícias do domtotal em seu e-mail ou WhatsApp?

* Escolha qual editoria você deseja receber newsletter.

DomTotal é mantido pela EMGE - Escola de Engenharia e Dom Helder - Escola de Direito.

Engenharia Cívil, Ciência da Computação, Direito (Graduação, Mestrado e Doutorado).

Saiba mais!