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15/09/2020 | domtotal.com

'Mundo está longe de alcançar' objetivos do milênio propostos pela ONU, afirma relatório

Pandemia ameaça vidas e complica realização das metas previstas para 2030

Foto disponibilizada pela FAO (Organização para a Alimentação e Agricultura da ONU) mostra o agricultor Joseph Tirkwel analisando os danos à plantação, no Quênia
Foto disponibilizada pela FAO (Organização para a Alimentação e Agricultura da ONU) mostra o agricultor Joseph Tirkwel analisando os danos à plantação, no Quênia (Luis Tato/AFP)

Erradicar a fome, a pesca predatória e o desmatamento até 2030 são as metas do milênio estabelecidas pela ONU que podem não ser alcançadas por causa da pandemia da Covid-19. O alerta foi feito em um relatório publicado pela Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) nesta terça-feira (15).

Segundo o texto, "o progresso é insuficiente" e o "mundo está longe de alcançar" os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODD) estabelecidos pela ONU até 2030, relacionado à agricultura sustentável, segurança alimentar e gestão de recursos naturais nos mares e florestas.

"Hoje, devido à epidemia da Covid-19, uma crise sanitária, econômica e social sem precedentes ameaça as vidas e os meios de subsistência dificultando o alcance dessas metas", ressalta a agência.

De acordo com Máximo Torero, economista-chefe da FAO, a pandemia aumenta os problemas relacionados à falta de dados e dificulta a tarefa dos tomadores de decisão política diante das situações de crise.

Esse cenário acontece em um mundo que já lutava para administrar seu abastecimento de alimentos, sua agricultura, sua pesca e suas florestas diante do aumento dos conflitos e do aquecimento global.

Aumento da insegurança alimentar

Quatro dos projetos mais importantes da agência da ONU ficaram para trás em relação ao cronograma estabelecido: o combate à desnutrição, os investimentos públicos agrícolas – que caíram um terço desde 2001 em relação ao PIB –, a sustentabilidade das populações de peixes e a extensão das superfícies florestais.

O número de pessoas afetadas pela desnutrição no mundo cresce lentamente desde 2014: cerca de 690 milhões de pessoas (8,9% da população mundial) já passavam fome antes da pandemia.

Isso significa um aumento anual de 10 milhões de pessoas e cerca de 60 milhões em cinco anos. "O mundo não está nem perto de atingir o Objetivo 2.1 'Fome Zero' até 2030", informa o relatório.

A ONU está em alerta com o agravamento da insegurança alimentar, denominada "moderada e grave", que atinge 2 bilhões de pessoas no planeta.

Nos mares e oceanos, "a disponibilidade dos recursos pesqueiros mundiais não para de diminuir, ainda que em um ritmo mais lento", afirma o documento. A pesca predatória acelerou em 40 anos, com uma população de peixes gerida de forma sustentável reduzida a 65,8% dos recursos em 2017, contra 90% em 1974.

Falta de dados

No entanto, a ONU indica uma "pequena melhoria" no combate à pesca ilegal. Nas florestas, a perda de áreas florestais "continua", porém "em ritmo mais lento".

A FAO anunciou a criação de um laboratório de "megadados" e ferramentas para coletar informações em tempo real, além de uma ferramenta de monitoramento e análise dos preços de alimentos.

Por falta de dados, a ONU não consegue quantificar com precisão os avanços ou retrocessos no combate ao desperdício de alimentos, com a meta de reduzir seu volume pela metade até 2030.

A pandemia "teve um efeito devastador" nas metas do milênio da ONU, estimou a Fundação Bill e Melinda Gates em um comunicado, que deseja que elas tenham uma retomada rápida para que sejam atingidas até a data estabelecida.


AFP



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