Economia

17/09/2020 | domtotal.com

Relatório sobre acordo UE-Mercosul alerta sobre risco de aumento no desmatamento

Documento de especialistas para o governo francês diz que é 'oportunidade desperdiçada'

O presidente francês Emmanuel Macron tem sido o principal opositor ao acordo
O presidente francês Emmanuel Macron tem sido o principal opositor ao acordo (Charles Platiau/AFP)

O governo francês encomendou a uma comissão de especialistas um relatório sobre o acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. O documento, que analisa os impactos do acordo de livre comércio, será entregue nesta sexta-feira (18) ao primeiro-ministro Jean Castex. Nele, os autores afirmam que "o acordo representa uma oportunidade desperdiçada para a UE utilizar seu poder de negociação para obter garantias sólidas que respondam" a expectativas "ambientais, sanitárias e (...) sociais de seus cidadãos", e alerta, por exemplo, sobre o risco desses intercâmbios acelerarem o desmatamento.

Objeto de questionamento dentro da UE, principalmente devido às questões ambientais no Brasil e ao desmatamento na Amazônia, o acordo precisa ser aprovado e ratificado pelo Parlamento de todos os países-membros. Concretamente, é avaliado o risco de desmatamento ao estimular a área adicional de pastagens que seriam necessárias ao Mercosul para suprir o aumento da produção de carne bovina destinada à UE (entre 2 e 4%) e conclui em "uma aceleração anual de 5%".

O relatório estima também "entre 4,7 e 6,8 milhões de toneladas equivalentes de CO2" o aumento de emissões de gases de efeito estufa gerado pelo acordo e questiona se os "ganhos econômicos" superam "os custos climáticos", com base em um valor de carbono de 250 euros por tonelada.

Lamenta, ao mesmo tempo, que embora o texto cite o Acordo de Paris contra a mudança climática, não haja "condições específicas" para ambas as partes enfrentarem "as suas responsabilidades com as gerações futuras".

Depois de duas décadas de negociações, a UE e o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) firmaram no ano passado este ambicioso acordo de livre-comércio, que deve ser ratificado por todos os parlamentos nacionais. Ultimamente cresceram as vozes discordantes entre os países membros da UE, motivados principalmente pelo desmatamento da Amazônia brasileira.

O presidente francês, Emmanuel Macron, se opôs no ano passado à sua assinatura, em plena crise diplomática com o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, e também dos incêndios na região amazônica. O parlamento austríaco e holandês rejeitaram o acordo em seu estado atual. Outros países como Bélgica, Irlanda e Luxemburgo mostraram suas ponderações.

A chanceler alemã, Angela Merkel, cujo o país foi durante muito tempo um dos principais incentivadores do acordo, expressou pela primeira vez em agosto "sérias dúvidas" sobre a aprovação do texto atual, que poderá ser submetido a uma votação no Conselho Europeu.

Em seu relatório, a comissão de especialistas elaborou uma série de recomendações, que vão desde conceder ao Acordo de Paris o estatuto de "cláusula essencial" até reforçar a proteção dos "setores agrícolas sensíveis" europeus.

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AFP/Dom Total



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