Coronavírus

18/09/2020 | domtotal.com

Coronavírus: Reflexos do feriadão começam a ser sentidos na Baixada Santista

Número de infectados e de mortos, que estava em queda, voltou a subir na região

No total, a Baixada Santista chegou a 52,3 mil casos confirmados e 1.892 mortes pelo novo coronavírus
No total, a Baixada Santista chegou a 52,3 mil casos confirmados e 1.892 mortes pelo novo coronavírus (Tânia Rêgo/ABr)

Os números do novo coronavírus interromperam a tendência de queda e voltaram a subir na última semana, na Baixada Santista, litoral do estado de São Paulo. Considerando o período de incubação do vírus, o aumento pode estar relacionado às altas lotações das praias da região entre o último fim de semana de agosto e o feriadão de 7 de setembro. Especialista diz que a tendência de redução que o estado já vive é instável, sujeita a possíveis aumentos de transmissão, por isso os cuidados devem ser mantidos. Já o governo estadual informou que os números na região indicam estabilidade na pandemia.

Os boletins das prefeituras mostram que a média diária de casos de Covid-19, que era de 476 na semana de 5 a 11 de agosto, foi baixando semana a semana, até chegar à média diária de 149 na semana do dia 2 ao dia 8 de setembro. Já na semana de 9 a 15 de setembro, a média diária subiu para 196.

A média diária de mortes teve comportamento semelhante. Era de 13 mortes por dia na semana de 5 a 11 de agosto e caiu gradativamente, até fechar a semana de 2 a 8 de setembro com média de 5 mortes diárias. Na semana seguinte, no entanto, o número subiu para uma média diária de 8 mortes. Os números mais recentes indicam que a tendência de alta pode continuar. Só nessa quinta-feira (17) em apenas três cidades que atualizaram boletins - Santos, Guarujá e Cubatão - foram registrados cinco óbitos pela Covid-19.

No total, a Baixada Santista chegou a 52,3 mil casos confirmados e 1.892 mortes pelo novo coronavírus. Apenas Santos tem 19.089 casos e 597 óbitos, seguido por Guarujá (7.910 casos e 372 óbitos), Praia Grande (7.869 casos e 225 mortes) e São Vicente (6.158 casos e 387 mortes). Nessa quinta-feira, o estado de São Paulo registrava 916.821 casos positivos e 33.472 mortes pelo vírus.

Mais carros

O aumento no fluxo de turistas para a Baixada Santista e outras cidades do litoral paulista acontece desde o fim de agosto, quando foi ampliada a reabertura do comércio e ficou mais difícil controlar o acesso às praias. No fim de semana de 29 e 30 de agosto, o primeiro da retomada, imagens mostraram faixas de areia lotadas. No feriado da Independência, mesmo com a pandemia, o fluxo de turistas foi maior que em 2019.

No último fim de semana, 2,5 milhões de veículos utilizaram as rodovias estaduais com destino ao Interior e ao litoral paulista segundo dados da Secretaria de Logística e Transportes do estado. O número de carros foi 1,63% maior que o do último fim de semana de agosto, até então o mais movimentado desde o início da pandemia. Em rodovias de acesso às praias do litoral norte, o movimento aumentou entre 6,9% e 7,8%. Já no Sistema Anchieta-Imigrantes, de acesso à Baixada Santista, o aumento foi de 1,94%.

Para o médico infectologista Carlos Magno Fortaleza, ainda não é possível afirmar com certeza se a oscilação para cima nos casos de Covid-19 na Baixada tem a ver com a lotação das praias. "É importante dizer que o platô com tendência de redução nos casos e óbitos que a gente vê no Estado como um todo é uma tendência geral que resulta de pequenas tendências. Em longo prazo haverá uma redução visível".

Segundo ele, a tendência de redução da pandemia tem um equilíbrio instável, sujeito a grandes variações com possíveis aumentos de transmissão. "Esses aumentos podem estar associados a mais pessoas nas praias, mas também à abertura de bares e restaurantes e com um pouco menos de cuidados. Esses refluxos com aumentos foram vistos na Europa e nos Estados Unidos. Na Europa chegou quase a configurar como uma segunda onda. Por essa razão é que não dá para baixar a guarda. A possibilidade de, em caso de maior exposição, aumentar o número de casos, é rea"”, disse.

'É cedo', diz secretário

O secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi disse que, levando em conta o período médio de incubação e o aparecimento dos primeiros sintomas, é muito cedo para verificar qualquer alteração da pandemia correlacionada ao movimento das praias durante o feriado da Independência. 

"Ainda se compararmos a quantidade de casos e internações dos dias anteriores com os dias posteriores ao feriado, teremos números absolutamente estáveis na região", disse. Segundo ele, o estado continua orientando o respeito às regras de isolamento social, a utilização de máscaras e a política de não aglomeração, assim como a fiscalização e orientação das prefeituras locais.

Números no país

O Brasil registrou nessa quinta-feira (17) uma média móvel de 779 óbitos causados pelo novo coronavírus, com um total de 135.031 mortes desde o início da pandemia. Nas últimas 24 horas, entraram para a contabilização mais 857 pessoas que morreram devido à doença, segundo levantamento feito por Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL. Lembrando que o valor da média móvel considera as variações da contagem diária ao longo de sete dias a fim de eliminar distorções entre um número alto no meio de semana e baixo no fim de semana.

Desde às 20h de quarta-feira (16), o país contabilizou 35.757 novos casos confirmados de infecção e, com isso, o número de brasileiros já contaminados chegou a 4.457.443. O Ministério da Saúde informou nessa quinta-feira que 3.753.082 pessoas estão recuperadas e 567.369 seguem em acompanhamento.

A contagem de casos e mortes feita pela Universidade Johns Hopkins mostra que o Brasil é o terceiro país mais afetado pela pandemia no mundo em número de infectados. Estão à frente os Estados Unidos em primeiro lugar, com 6,6 milhões de casos, e a Índia em segundo, com 5,1 milhões. Em relação aos óbitos, contudo, o país fica na vice-liderança.

Nessa quinta-feira, o estado de São Paulo informou que registra 33.472 óbitos e 916.821 casos confirmados do novo coronavírus. Do total de diagnósticos positivos, 769.932 se recuperaram da Covid-19, sendo que 100.980 foram internadas e tiveram alta hospitalar. Na capital paulista, o vírus tem avançado entre os bairros mais nobres, com aumento de 53% nos locais com alto IDH. Mesmo assim, a Covid-19 ainda é mais prevalente em bairros de IDH mais baixo.

Já o Rio de Janeiro contabilizou 111 novas mortes e 661 novos infectados na últimas 24 horas. No total, o estado tem agora 17.453 óbitos e 246.843 casos. Há ainda 386 mortes em investigação. Por número de mortos, as cinco cidades mais afetadas são a capital (10.391), Duque de Caxias (686), São Gonçalo (685), Nova Iguaçu (554) e São João de Meriti (415).

Consórcio da imprensa

O balanço de óbitos e casos feito pelos seis veículos de comunicação desde o dia 8 de junho é uma iniciativa inédita em resposta à decisão do governo Jair Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia. De forma colaborativa, as informações necessárias são coletadas junto às secretarias de Saúde dos 26 estados e do Distrito Federal. O projeto se manteve após o governo recuar e continuar divulgando os registros.

De acordo com o Ministério da Saúde, 36.303 novos casos de Covid-19 e 829 óbitos foram registrados nas últimas 24 horas, o que eleva os números totais para 4.455.386 e 134.935, respectivamente. Os valores diferem daqueles compilados pelo consórcio de veículos de imprensa por causa do horário de coleta dos dados.


Agência Estado/Dom Total



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