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18/09/2020 | domtotal.com

Em disputa com a China, Estados Unidos proíbem dowloads dos apps TikTok e WeChat

Departamento do Comércio justifica medida citando ameaças à segurança nacional

Em campanha eleitoral, Trump coloca a China como o grande inimigo dos EUA
Em campanha eleitoral, Trump coloca a China como o grande inimigo dos EUA (Timothy A. Clary/AFP)

Atualizado às 12h20

A administração de Donald Trump informou que vai proibir os downloads dos aplicativos chineses TikTok e WeChat serão proibidos nos Estados Unidos a partir de domingo (20). A alegação do Departamento de Comércio é de ameaças à "segurança nacional". "O Partido Comunista da China mostrou que tem os meios e a intenção de usar esses aplicativos para ameaçar a segurança nacional, a política externa e a economia dos Estados Unidos", disse o departamento americano em um comunicado.

O governo americano, no entanto, deixou uma porta aberta para o TikTok, um aplicativo muito popular entre os jovens para compartilhar vídeos curtos, antes de proibi-lo por completo em seu território. "O presidente (Donald Trump) estabelece até 12 de novembro para resolver os problemas de segurança nacional gerados pelo TikTok. As proibições podem ser levantadas, se necessário", disse o Departamento do Comércio. Em relação ao WeChat, um funcionário do departamento disse que "estará fechado" no país a partir de meia-noite de segunda-feira.

O anúncio foi feito enquanto as negociações com a empresa matriz chinesa do TikTok, ByteDance, para vender suas atividades em solo americano a um grupo local estão paralisadas. "O Partido Comunista da China mostrou que tem os meios e a intenção de usar esses aplicativos para ameaçar a segurança nacional, a política externa e a economia dos Estados Unidos", disse o departamento americano em um comunicado.

"Em relação ao TikTok, a única verdadeira mudança de domingo à noite será que não será possível ter acesso a atualizações ou manutenção do aplicativo", explicou o secretário de Comércio, Wilbur Ross, à Fox Business. Isso significa que em breve os usuários terão que lidar com um serviço ruim no aplicativo, o que pode torná-lo muito menos atraente.

A decisão foi criticada pelo TikTok, que prometeu combater a repressão contínua do governo Trump à empresa. "Discordamos da decisão do Departamento do Comércio", disse o TikTok, acrescentando que está "decepcionado" com a proibição de novos downloads, que impede uma ferramenta "de entretenimento, auto-expressão e conexão".

O aplicativo afirmou também que se comprometeu em "níveis adicionais sem precedentes de transparência" após a "injusta" ordem executiva de Trump em agosto, que reprime a empresa por motivos de segurança nacional. O TikTok é bastante popular entre os adolescentes e tem cerca de 100 milhões de usuários só nos Estados Unidos e 1 bilhão em todo o mundo. Ross garantiu que "o TikTok básico permanecerá intacto até 12 de novembro", mas se não houver acordo antes dessa data, o aplicativo "será fechado".

Domínio tecnológico

Dessa forma, Estados Unidos cumpre a ameaça feita por Trump contra esses dois aplicativos chineses, em um contexto de grandes tensões entre os dois gigantes econômicos. No início de agosto, o presidente já havia imposto um ultimato ao TikTok, acusado por ele de espionagem industrial por parte de Pequim, sem mostrar publicamente evidências tangíveis.

Trump deu à sua empresa matriz, ByteDance, até 20 de setembro, ou seja, este domingo, para vender as atividades do TikTok nos Estados Unidos a uma empresa made in USA (pertencente aos EUA). No entanto, dois dias antes da data limite, as negociações ainda não deram frutos.

Um primeiro projeto que envolvia a Microsoft e o gigante de distribuição Walmart foi rejeitado pela empresa chinesa no fim de semana passado. Na segunda-feira, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, formalizou o nome de um novo sócio potencial, Oracle, com sede na Califórnia.

Alguns meios de comunicação mencionam uma participação minoritária (até 20%, segundo a CNBC) por parte da Oracle, especializada em software e serviços para empresas. A ByteDance conservaria a maior parte da participação. O gigante dos supermercados Walmart também anunciou que pretende participar do novo projeto.

Um comitê de segurança nacional do governo dos Estados Unidos tem a tarefa de examinar a oferta da Oracle, depois que os legisladores republicanos alertaram sobre autorizar um acordo que continuaria deixando o aplicativo sob controle chinês.

No pano de fundo do caso TikTok, está a batalha travada entre Estados Unidos e China pelo domínio tecnológico. Alguns especialistas apontam a dificuldade de encontrar um acordo que possa satisfazer simultaneamente os interesses das duas principais potências mundiais.

Dissipar as preocupações de ambos os países sobre a segurança, os algoritmos e outras tecnologias-chave usadas pelo TikTok parece uma tarefa difícil de executar. "Embora as ameaças representadas pelo WeChat e pelo TikTok não sejam idênticas, elas são semelhantes. Cada um coleta uma quantidade significativa de dados dos usuários", observou o Departamento do Comércio. A plataforma WeChat, que pertence à gigante chinesa Tencent, é onipresente na vida do povo chinês para mensagens, pagamentos remotos e reservas, entre outros usos.


AFP



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