Cultura

19/09/2020 | domtotal.com

Millie Bobby Brown protagoniza 'Enola Holmes', novo filme da Netflix

A atriz britânica de apenas 16 anos interpreta a irmã do famoso detetive Sherlock Holmes

Millie Bobby Brown ficou conhecida co interpretar Eleven na série 'Stranger things'
Millie Bobby Brown ficou conhecida co interpretar Eleven na série 'Stranger things' (Jean-Baptiste Lacroix/AFP)

Quando o rostinho com cabelos raspados apareceu na série Stranger things, em 2016, se inaugurava um futuro brilhante para Millie Bobby Brown, então com 12 anos. Agora, aos 16, muita coisa mudou. Até o seu sotaque. Na próxima quarta (23) estreia Enola Holmes, novo filme da Netflix, estrelado pela atriz.

Na verdade, ela também lança o filme como produtora, trabalho que executa pela primeira vez. Trata-se de algo "assustador", segunda ela, embora reconheça que múltiplas funções são bastante comuns na carreira artística.

Na trama, ela interpreta a personagem-título, irmã do famoso detetive Sherlock Holmes, vivido por Henry Cavill. A menina é filha de Eudoria, interpretação misteriosa e divertida de Helena Bonham-Carter. As duas atrizes falaram a jornalistas em uma coletiva virtual.

É bom se preparar para muitos segredos, e uma quantidade imensa de cenas de ação. Desde criança, Enola foi criada pela mãe, que deu a ela um treinamento especial: luta física, história, política, conhecimentos em botânica, agilidade e como se virar em um mundo comandado por homens. "É uma história que oferece uma perspectiva feminina para jovens garotas. Ao se voltar para Sherlock, verá que havia um domínio masculino, com suas opiniões. Já as mulheres não tinham a mesma oportunidade", conta Millie.

Um dia – e como esperado – o treinamento de Enola se torna necessário, e a garota decide tomar as rédeas da própria vida, indo morar na Londres de 1884. Na saga de seis livros da autora Nancy Springer, que inspirou o filme, a política seguia ocupada por homens, e o futuro das meninas era estudar em colégios internos para se tornarem donas de casa. Poucas e corajosas mulheres, entre elas a mãe de Enola, buscavam maneiras de ter acesso ao voto, mesmo que pela rebeldia.

Enquanto busca sua independência, Enola conhece o jovem Lord Tewksbury, um herdeiro político que precisou sair às pressas de sua casa, após a morte do pai. "Ele é um anti-herói", conta o ator Louis Partridge na coletiva. "O filme não glamouriza o fato de ele ser um lord. De alguma maneira, ele também precisa encontrar seu caminho." E, para chegar lá, a dupla enfrenta saltos de trens em movimentos, embates físicos, corridas e escaladas.

Com talento nato para ser detetive, Enola tem uma estratégia discreta e um tanto divertida: disfarces. No longa, ela vai de viúva a jornaleiro, passando por dama de companhia. Ao perceber uma oportunidade, a menina oferece dinheiro para trocar de roupa com alguém da rua. Durante a produção, a atriz passou alguns meses convivendo com a moda do fim do século 19, repleto de vestidos longos e espartilhos.

Outra coisa que mudou foi o sotaque da atriz. Em Stranger things Millie interpreta Eleven, uma personagem norte-americana. Após três temporadas da série da Netflix, a atriz, que é britânica, precisou reaprender a falar como uma local. Mas nada se compara à atuação de Millie com Helena. A conexão entre mãe e filha é um ruído para os irmãos Sherlock e Mycroft (Sam Clafin). Os marmanjos não intuem e subestimam a força das duas. "Elas têm um jeito de se comunicar, de trocar informações, e a prioridade era que Enola aprendesse a se cuidar", explica Helena.

No entanto, a situação de Lord Tewksbury vai mudar a rota da jovem detetive. Para a atriz da série The crown, trata-se de uma difícil missão que também se estende para a vida real, com sua filha Nell, de 12 anos, fruto da relação com o cineasta Tim Burton. "É o que tento fazer com ela. O que minha mãe fez comigo. Você sempre pode ajudar as pessoas. É incrível, mas apenas se não comprometer a sua própria segurança. Sei que é controverso, mas é interessante."

Millie também não esconde as semelhanças com Enola. "Somos muito conectadas com nossas mães, e voltadas para a família. A busca da personagem também me guia. Tenho 16 anos e, quando você tira um tempo para si, acaba se conhecendo mais. A quarentena serviu um pouco para isso."

Para Louis, contracenar com a atriz e produtora foi uma dupla jornada interessante, que também fez nascer uma amizade. Ele brinca que foi difícil tratá-la como sua chefe: "Deve ser porque eu sou alguns meses mais velho que a Millie. Inclusive, passei meu aniversário com ela".

"Ícones também são rebeldes"

Não se trata de opinião. As séries britânicas dos últimos anos estão batendo qualquer sucesso da comédia norte-americana. Embora não tenham a mesma circulação mundial, produções como Fleabag (2016-2019) chegaram ao topo dos prêmios ao trazer consigo uma irreverência quase natural. No mesmo impulso, Killing Eve, que estreou em 2018, inspirada na obra de Luke Jennings, tem a verborragia tradicional do teatro inglês e é recheada de bons absurdos, na perseguição entre as personagens de Sandra Oh e Jodie Comer. 

A concorrência é tamanha que as duas atrizes também disputam o Emmy deste domingo (20) na mesma categoria. O bom trabalho realizado na frente das telas e nos roteiros se completa na direção. O nome é Harry Bradbeer, que dirigiu ambas as produções e está na condução de Enola Holmes. Na coletiva virtual, ele comentou as semelhanças no trabalho das séries com o longa de Millie Bobby Brown. 

O filme usa um recurso semelhante ao da série Fleabag: a protagonista fala com a câmera, como uma confidente. É um modo diferente de acrescentar humor à personagem?

Acho que tem a ver com a energia que colocamos e a excentricidade das personagens. Meu desejo é explorar a vulnerabilidade dessas figuras. Apesar de Enola falar com segurança e confessar coisas, ela também está desesperada. Em uma criação dramática, é como descascar as camadas das nossas autodefesas para chegar a quem somos. 

Qual sua relação com as histórias de Sherlock e como explicar a força do personagem até hoje?

Li Sherlock pela primeira vez quando tinha uns 12 anos, na escola. Fui capturado pela trama de O cão dos Baskervilles. Era assustador ler aquilo à noite. Sherlock é um personagem que você sente que conhece completamente, mas ele é um ícone. E a grande coisa sobre ícones é que eles são rebeldes à luz da interpretação. 

Como é criar um filme com uma atriz jovem, mas que também consiga atrair diferentes audiências?

Posso dizer que nunca fiz um trabalho para jovens. Eu conto histórias para todos. É preciso assumir que sua audiência é esperta, guardar algumas surpresas, e fazer acontecer. A Millie é jovem – ela tinha 15 anos quando gravamos – mas acho que o filme é feito para adultos. Os jovens podem curtir a energia e as cenas de aventura, mas há o tema de direitos humanos, e uma
família disfuncional.


Agência Estado



Comentários
Newsletter

Você quer receber notícias do domtotal em seu e-mail ou WhatsApp?

* Escolha qual editoria você deseja receber newsletter.

DomTotal é mantido pela EMGE - Escola de Engenharia e Dom Helder - Escola de Direito.

Engenharia Cívil, Ciência da Computação, Direito (Graduação, Mestrado e Doutorado).

Saiba mais!