Religião

21/09/2020 | domtotal.com

Redescobrir a festa: uma revalorização do domingo

A ressurreição de Jesus nos insere num dia que não tem ocaso, pois tudo é tocado pelo frescor da Vida

A liturgia é o cume e o ápice da vida eclesial
A liturgia é o cume e o ápice da vida eclesial (Unsplash/Mateus Campos Felipe)

Felipe Magalhães Francisco*

Um dos elementos fundamentais que está presente nas catequeses do papa Francisco, a respeito da liturgia e a missa, é o domingo. Tão logo, uma constatação: a participação por preceito não é suficiente. Dentre os mandamentos da Igreja está o preceito da participação na liturgia aos domingos e festas. Esse preceito tem por finalidade ressaltar a importância dessas ocasiões para a vida cristã, afinal, a liturgia é o cume e o ápice da vida eclesial. Mas a norma não deve, jamais, substituir a motivação espiritual. Reunidos para celebrar o mistério pascal de Cristo, nós formamos assembleia.

E essa constatação não é sem consequências teológicas: forma-se assembleia de um povo que foi convocado, pela própria Trindade, para participar, sacramentalmente, de sua comunhão. Não há, pois, norma que seja maior que essa motivação. Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!, é o que a assembleia diz, logo no início da celebração. O reconhecimento é o de que a nossa vontade é uma conformação à convocação feita pelo próprio Deus, que nos quer ao redor de si.

E o domingo, desde mais antiga tradição, que remonta ao cristianismo do tempo dos apóstolos, é ocasião privilegiada para esse assentimento à convocação que o Senhor nos faz. Domingo, dia do Senhor. O primeiro dia da semana; dia em que despontou a Ressurreição de Jesus como revelação para seus discípulos e discípulas mais próximos. Se o sétimo dia, pois, era celebração do descanso de Deus, ao fim da criação, o dia seguinte, oitavo – mesmo que, tecnicamente, primeiro – inaugura o dia da nova criação. A ressurreição de Jesus nos insere num dia que não tem ocaso, pois tudo é tocado pelo frescor da Vida.

Nesta quaresma fora do tempo, que estamos vivendo, afastados da reunião comunitária aos domingos, temos um motivo a mais para repensar o valor desse dia em nossa religiosidade e espiritualidade. Que a ausência da congregação dominical nos ajude a reaprender a saborear o domingo como um verdadeiro Dia do Senhor, que também é dia nosso, pois dia de comunhão. Este é o dia que o Senhor nos fez, seja para nós um dia de alegria!

Que a força do domingo se desvele para muito além do preceito, para além do desejo de comunhão nas espécies eucarísticas, mas que também nos reensine o valor da vida em comunidade, da vida daqueles que fracionam o mesmo pão: tanto o da Palavra e da Eucaristia, quanto o pão da vida cotidiana. Domingo é festa: que reaprendamos o significado existencial disso!

*Felipe Magalhães Francisco é teólogo. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com



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