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18/09/2020 | domtotal.com

Há 50 anos, Jimi Hendrix se tornou um imortal e o rock nunca mais foi o mesmo

Artista revolucionou a música pop e elevou a guitarra a símbolo da rebeldia

Canhoto, Hendrix tocava com as cordas invertidas com habilidade única
Canhoto, Hendrix tocava com as cordas invertidas com habilidade única (WikiCommons)

Antes de partir, aos 27 anos, o garoto James Marshall Hendrix, Jimi Hendrix, teve tempo para tirar a guitarra do único contexto em que ela poderia ser vista até então, um instrumento do gênero musical que tinha a rebeldia no foco, e elevá-la à condição de um dos objetos personagem do mundo ocidental mais relevantes do século 20.

Por tudo o que fez com uma guitarra nas mãos, de preferência a Fender Stratocaster gelo que, canhoto, usava de forma invertida, Hendrix se tornou uma lenda antes mesmo de ter fechado o ciclo para essa narrativa com sua morte, há exatos 50 anos.

Mas foi em Londres onde Hendrix de fato se realizou como músico. Ele chegou a Londres em setembro de 1966 e mudou de apartamento diversas vezes, até decidir morar com a namorada. Foi justamente ela quem encontrou seu ninho de amor, embora com esforço. "Fui a uma ou duas imobiliárias em Mayfair, mas assim que sabiam que era para Jimi Hendrix diziam não", explicou Kathy Etchingham em 2016 ano Channel 4, lembrando o conservadorismo da época.

No bairro de Mayfair, o pequeno prédio branco na 23 Brook Street foi entre 1968 e 1969 a casa do lendário guitarrista, nascido nos Estados Unidos em 1942. Depois de viver uma infância "muito, muito infeliz" e passar um tempo no Exército, "não tinha ideia" do que era um "lar", explica Christian Lloyd, pesquisador especializado em Hendrix.

O apartamento era cercado por lojas e escritórios, "permitindo que Hendrix tocasse discos no último volume, conectasse sua guitarra e tocasse no meio da noite se quisesse, sem que os vizinhos reclamassem", explica Sean Doherty, diretor do museu, onde era o apartamento do músico, criado em 2016. "Este lugar era um verdadeiro refúgio" para ele, assegura.

Quando o casal se separou e deixou o apartamento em junho de 1969, Hendrix "instruiu seu empresário a vender ou se desfazer do que pertencia a ele", acrescenta. "Não sabemos o que aconteceu com todas essas coisas".

Mais de dois séculos antes, outro gênio musical havia morado no local: Handel. Na verdade, na porta ao lado, no número 25, mas a placa indicando o ilustre ocupante ficava entre os dois prédios, então Hendrix achou que estava morando em sua casa. "Ambos eram músicos, ambos imigrantes, ambos inovadores", diz Lloyd, relembrando uma anedota que Hendrix uma vez acreditou ter visto o fantasma de Handel em um espelho.

Quando chegou a Londres, o guitarrista tinha 23 anos e era totalmente desconhecido do público britânico. No avião que o levava para o Reino Unido, ele decidiu mudar o nome artístico de Jimmy James para Jimi Hendrix (seu sobrenome verdadeiro). "Era o sinal de que iria se reinventar em Londres, onde ninguém sabia quem ele era", disse Lloyd.

Mesmo que isso significasse tomar algumas liberdades em suas primeiras entrevistas, sobre sua idade, sua família ou as razões pelas quais teve que deixar o exército. "Só queria tocar", explica o pesquisador, que trabalha em um instituto vinculado a Queen's University do Canadá. Ele então gravou Hey Joe, Are you experienced e sua ascensão à fama foi fulgurante.

A tecnologia dos estúdios avançava rapidamente e permitia "novos efeitos". Hendrix se destacou então por sua "autenticidade" e essa "orientação futurista só era possível em Londres naquela época", segundo Lloyd. Como os Rolling Stones ou os Beatles, Hendrix era "uma figura icônica de Londres na década de 1960", uma cidade que "permitiu que ele se tornasse ele mesmo", acrescenta.

Eric Clapton e Pete Townshend estavam juntos quando viram um show de Hendrix na Inglaterra, levado dos Estados Unidos por Chas Chandler, ex-baixista dos Animals, que o descobriu tocando em um inferninho de Nova York. Clapton se virou para Townshend e disse tudo pelos olhos inconsoláveis qualquer frase que significasse o mesmo que "acabou pra gente."

Não havia acabado, até porque Hendrix não apenas recriava o papel da guitarra na humanidade como vinha com uma linguagem tão avassaladoramente particular que não brigaria com ninguém. Não seria os Beatles soterrando os grupos norte-americanos de doo-wop ou o folk inglês dos anos 1950. Hendrix dizia que, a partir dali, havia muito mais a ser explorado.

Há 50 anos, Hendrix chegou ao Hotel Samarkand, no número 22 da Lansdowne Crescent, em Notting Hill, Londres, com sua namorada Monika Dannemann depois de passarem quase a noite toda em uma festa. Em circunstâncias que nunca foram completamente explicadas, ele morreria pouco tempo depois, aos 27 anos, deixando uma das obras breves mas mais respeitadas na música pop de sua era.


Agência Estado/AFP/Dom Total



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