Brasil Política

19/09/2020 | domtotal.com

Em convenção evangélica, Bolsonaro diz que Brasil está no final de 'grande provação'

Evento aconteceu em Brasília e contou com a presença cerca de 850 pessoas

Presidente da República, Jair Bolsonaro durante Assembleias de Deus no Brasil, Ministério de Madureira - CONAMAD
Presidente da República, Jair Bolsonaro durante Assembleias de Deus no Brasil, Ministério de Madureira - CONAMAD (Carolina Antunes/PR)

O presidente Jair Bolsonaro participou na manhã deste sábado (19) da abertura de uma convenção evangélica com a presença de aproximadamente 850 pessoas, segundo informações da organização.

"Passamos por uma grande provação. Ou melhor, estamos no final dela", disse, referindo-se à pandemia. "Na parte econômica, o Brasil foi o que melhor se saiu. Quis o destino também que na área de saúde, aos poucos, ao se deixar de politizar a única alternativa que nós tínhamos, começou-se a salvar mais vidas", acrescentou. O país tem mais de 135 mil mortes pela Covid-19 e quase 4,5 milhões de casos confirmados.

Bolsonaro disse ainda que agradece a Deus pela coragem para enfrentar "quase tudo, quase o mundo todo" ao tomar posições. "Tem uma passagem militar que vale para todos nós: pior que uma decisão mal tomada, é uma indecisão". O presidente disse que tomou decisões "mesmo sendo tolhido pelo Poder Judiciário". "Se Deus quiser, voltaremos à normalidade ainda no corrente ano".

O presidente disse que recebeu críticas por visitar regiões do Distrito Federal no início da pandemia, mas justificou dizendo que em um momento difícil não pode se esconder em um palácio. "Ou estou na frente e junto ou não estou fazendo um bom papel", disse.

A convenção foi promovida pela Assembleia de Deus na Catedral Baleia, como é chamada a sede nacional das Assembleias de Deus Ministério de Madureira, em Brasília. A reunião era fechada ao público e à imprensa, e apenas pastores e obreiros da igreja puderam participar. A abertura foi transmitida pela TV Brasil.

A catedral tem capacidade para até 4 mil pessoas sentadas. Devido à pandemia, a organização restringiu a lotação a 1 mil pessoas, mas nem todos os inscritos compareceram. Ainda segundo os organizadores, foram seguidas as normas fixadas pelo governo do Distrito Federal para eventos do tipo, inclusive com separação de assentos para manter o distanciamento social.

Pela transmissão, foi possível ver que o presidente estava de máscara, mas retirou a proteção em alguns momentos para tirar fotos e falar ao público presente. Ele também trocou aperto de mãos com o anfitrião, o bispo Manoel Ferreira.

Um dia depois de dizer que o "fique em casa" pregado por especialistas como forma de conter o avanço da doença era "conversinha mole" e "para os fracos", Bolsonaro disse que não poderia se "esconder num palácio" em meio à crise sanitária.

Embora se declare católico, o presidente tem uma relação próxima a pastores e igrejas evangélicas. A primeira-dama Michelle Bolsonaro é frequentadora da Igreja Atitude, no Rio. Três integrantes do primeiro escalão do governo são pastores: a ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) e os ministros André Mendonça (Justiça e Segurança Pública) e Milton Ribeiro (Educação).

Reaproximação

Em mais um sinal de que as rusgas do início da pandemia ficaram para trás, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), disse hoje que o reconhecimento da população ao presidente Jair Bolsonaro é um "recado" a todos os políticos. Ele também elogiou os repasses feitos pelo governo federal para dar suporte financeiro aos estados durante a crise provocada pela Covid-19.

Caiado esteve presente na convenção evangélica com Bolsonaro. Em seu discurso, o governador citou as viagens do presidente pelo país e a receptividade nesses locais.

"Não existe recado maior para nós políticos do que o reconhecimento da população e ao mesmo tempo o apoio em todas as medidas que estão sendo tomadas para nós resgatarmos credibilidade na boa política, no sentido de fazer com que as populações mais vulneráveis tenham a mão estendida do governo, e ao mesmo tempo as posições firmes de vossa excelência, com apoio como governador que sou", disse Caiado.

Segundo o governador, os estados "jamais foram tão bem aquinhoados" com repasses para saúde, educação, segurança e programas sociais.

No início da pandemia, em março, Caiado chegou a romper com Bolsonaro devido à postura do presidente em relação ao enfrentamento à pandemia do coronavírus. O governador, que é médico, chegou a dizer à época que não seguiria as recomendações do presidente de suspender orientações para confinamento em massa da população, adotado como estratégia para frear a propagação da doença.

Caiado foi um dos responsáveis pela indicação de Luiz Henrique Mandetta, também filiado ao DEM, para o Ministério da Saúde. Mandetta foi demitido em meados de abril após entrar em rota de colisão com Bolsonaro sobre a condução das medidas de combate à Covid-19.

Desde então, porém, o governador tem ensaiado uma reaproximação com Bolsonaro. Em agosto, Caiado já havia feito elogios ao governo federal pelo pagamento do auxílio emergencial à população mais vulnerável.


Agência Estado/Agência Brasil/Dom Total



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