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23/09/2020 | domtotal.com

De olho nos eleitores da Flórida, Trump anuncia novas sanções ao setor turístico de Cuba

Medidas revertem a política de flexibilização e aproximação adotada por Barack Obama

Mulher caminha de máscara pelas ruas do centro velho de Havana
Mulher caminha de máscara pelas ruas do centro velho de Havana (Yamil Lage/AFP)

O governo do presidente americano Donald Trump anunciou um endurecimento das sanções contra o setor de turismo de Cuba, proibindo pessoas sujeitas à jurisdição dos Estados Unidos de se hospedarem em propriedades designadas como pertencentes ao governo de Havana, entre outras medidas.

"As mudanças restringem a acomodação em certas propriedades em Cuba; a importação de bebidas alcoólicas de origem cubana e de tabaco; a assistência a, ou a organização, de reuniões profissionais, ou de conferências em Cuba; e a participação em determinados eventos públicos", informou o Departamento do Tesouro em comunicado.

O governo Trump reverteu a política de abertura em relação a Cuba iniciada por seu antecessor democrata, Barack Obama, lançando uma bateria de sanções econômicas para restringir as receitas cambiais do governo de Havana. O líder da Casa Branca também anunciou sanções contra o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e a Nicarágua, governada pelo sandinista Daniel Ortega.

O anúncio, com forte apelo eleitoral, chega a 40 dias das eleições presidenciais nos Estados Unidos, onde o estado da Flórida é um forte bastião eleitoral - com 29 votos - e onde existe uma importante colônia de cubanos que se opõe ao governo de Havana. Trump disse que em breve o hemisfério ocidental será "livre", e parabenizou os que lutam pela liberdade em Cuba e na Venezuela. "Não retiraremos sanções de Cuba até liberdade dos presos políticos e realização de eleições livres", acrescentou.

Nesta quarta-feira (23), Trump homenageou na Casa Branca os veteranos da fracassada invasão da Baía dos Porcos que tentaram derrubar Fidel Castro em 1961 e também lembrou os 40 anos de exílio em massa de cubanos nos Estados Unidos conhecido como o êxodo de Mariel. "O governo cubano tem redirecionado a receita das viagens autorizadas para seu próprio benefício, muitas vezes às custas do povo cubano", disse o secretário do Tesouro, Steven T. Mnuchin.

Com esta atualização das restrições, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros(OFAC) proibirá qualquer pessoa sujeita à jurisdição dos Estados Unidos de permanecer, pagar por acomodação ou fazer uma reserva para si ou para terceiros em qualquer propriedade identificada pelo Departamento de Estado como propriedade do governo de Cuba.

O regulamento também afeta as propriedades nas mãos de funcionários sancionados ou membros do Partido Comunista de Cuba designados com restrições ou seus parentes próximos.

"A proibição do uso de hotéis de propriedade do governo cubano implicará em menos voos dos Estados Unidos a Cuba e que os voos serão mais uma vez apenas para cubano-americanos que visitem suas famílias", explicou John S. Kavulich, presidente da organização Conselho de Comércio e Economia entre os Estados Unidos e Cuba.


AFP/Agência Estado/Dom Total



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