Meio Ambiente

24/09/2020 | domtotal.com

JBS mostra plano contra desmatamento após acusações de práticas ilegais

Em 2019, o desmatamento na floresta amazônica brasileira teve um aumento anual de 85,3%, totalizando 10.123 quilômetros quadrados

A JBS, grupo brasileiro que exporta carnes para todos os continentes, apresentou um plano contra o desmatamento
A JBS, grupo brasileiro que exporta carnes para todos os continentes, apresentou um plano contra o desmatamento (MATTHEW STOCKMAN/AFP)

O grupo brasileiro JBS, maior produtora de carnes do mundo, anunciou nesta quarta-feira (23) um plano para garantir que seu gado não venha de regiões desmatadas, após ser acusado de práticas ilegais na Amazônia.

"Nós da JBS estamos assumindo o compromisso de fazer as transformações necessárias na nossa cadeia de valor", disse o presidente-executivo da empresa, Gilberto Tomazoni, em coletiva de imprensa virtual.

"Mas, mais do que isso, queremos ir além da nossa obrigação, queremos ser agentes de transformação, investir e apoiar iniciativas que têm um alto impacto positivo no bioma Amazônia e nas pessoas que lá habitam, pois sabemos da importância da floresta nessa agenda de mudanças climáticas", adicionou.

A JBS foi acusada em diversas ocasiões de "triangulação de gado", prática que consiste em transferir o gado de uma fazenda envolvida em disputas ambientais na região amazônica para outra, autorizada a criar e comercializar.

A empresa garante que cumpre todos os requisitos relativos ao seu fornecimento direto, mas admite que ainda não tem controle total sobre os fornecedores que se abastecem em outras propriedades.

O projeto apresentado nesta quarta-feira, "Juntos pela Amazônia", tem como foco a criação de uma "plataforma verde" que a partir do final de 2025 integrará todos os fornecedores da JBS, com os dados necessários sobre o gado que encaminham. A companhia, que exporta carnes para todos os continentes, prometeu que a informação será pública.

Fundos: ver para crer

O desmatamento na Amazônia aumenta a resistência de vários países europeus em ratificar o acordo comercial firmado no ano passado entre a União Europeia e o Mercosul, bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Em junho, fundos de investimento que administram um total de US$ 4 trilhões pediram ao presidente Jair Bolsonaro uma mudança em sua política ambiental, favorável à abertura de reservas naturais e territórios indígenas à mineração e a agropecuária.

Alguns investidores consideraram que o plano apresentado pela JBS não é suficiente para dissipar os receios. "Controlar a cadeia de suprimentos leva tempo e estamos longe de 2025", disse Eric Pedersen, diretor de investimentos da Nordea Asset Management, que em julho anunciou a retirada de seus ativos financeiros da JBS após novas alegações de "triangulação de gado".

"Outras soluções podem dar resultados mais cedo, como estabelecer um controle para garantir que o gado não está sendo comprado de uma fazenda autorizada se seu proprietário possuir outra fazenda com litígios", acrescentou.

Para Jeanett Bergan, do fundo norueguês KLP, "só o tempo e os dados dirão" se a iniciativa da JBS deu certo. "Temos que olhar os testes com cuidado, principalmente pelas polêmicas que fizeram da empresa (JBS) um alvo global de desinvestimento", explicou.

O Brasil enfrenta uma pressão crescente, incluindo de investidores internacionais e grandes parceiros comerciais, para conter o avanço do desmatamento. Em 2019, o desmatamento na floresta amazônica brasileira teve um aumento anual de 85,3%, totalizando 10.123 quilômetros quadrados, área equivalente ao território do Líbano.


AFP



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