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25/09/2020 | domtotal.com

Protestos contra racismo e violência policial em Louisville se espalham pelos EUA

Houve confronto em algumas das manifestações para pedir justiça para Breonna Taylor

A revolta toma conta das ruas de Louisville, nos Estados Unidos
A revolta toma conta das ruas de Louisville, nos Estados Unidos (Getty Images/AFP)

Pela segunda noite consecutiva, mais de mil pessoas desafiaram o toque de recolher em Louisville, nos Estados Unidos, em protesto contra a violência policial e o racismo. A nova onda de protestos, alguns violentos, começou na quarta-feira (23), quando a Justiça decidiu acusar apenas um dos policiais envolvidos no assassinato de Breonna Taylor, enfermeira negra que morreu em março.

Na noite de quinta-feira (24), além de Louisville, no Kentucky, a revolta se espalhou para outras cidades dos EUA. Mobilizações foram registradas em Nova York, Portland, St. Paul, Chicago, Seattle, Atlanta, Denver e Milwaukee.

Na quinta-feira à noite, mais de mil pessoas caminharam pelo centro de Louisville, uma área bloqueada em grande parte ao trânsito e com as fachadas dos estabelecimentos comerciais protegidas contra eventuais distúrbios. "Não temos como permanecer pacíficos", disse Michael Pyles, um negro de 29 anos, que indicou esta protestando há 120 dias e que carregava uma pistola 9mm. "Saímos para proteger nosso povo e as pessoas que nos apoiam", declarou. "Estamos sob ataque", completou.

As manifestações, pacíficas em um primeiro momento, se tornaram violentas. Vários participantes enfrentaram a polícia, que usou bombas de efeito moral para dispersar os protestos. Sob toque de recolher entre 21h e 6h30, mais de 100 pessoas buscaram refúgio em uma igreja. Policiais fortemente armados cercaram o local, enquanto helicópteros sobrevoavam a área, mas os manifestantes foram autorizados a sair às 23h.

Na primeira noite de protestos, dois policiais foram feridos a bala e um suspeito foi detido em Louisville. Nesta quinta, a polícia identificou o atirador como sendo Larynzo Johnson, de 26 anos, que foi indiciado por tentativa de homicídio - os dois policiais feridos não correm risco de morrer.

Breonna foi baleada seis vezes durante uma operação antidrogas no dia 13 de março, quando estava dentro de seu próprio apartamento com o namorado. Nenhuma droga foi encontrada na casa e a enfermeira não tinha antecedentes criminais. Na semana passada, a cidade concordou em pagar US$ 12 milhões de indenização à família dela.

Na quarta-feira, um júri do Kentucky indiciou o ex-detetive Brett Hankison, que foi demitido em junho, por três acusações criminais, nenhuma por assassinato. No entanto, os outros dois policiais, Jonathan Mattingly e Myles Cosgrove, escaparam de um julgamento. A decisão de inocentar os outros dois policiais envolvidos no caso causou uma reação de repúdio em várias partes dos EUA. "A morte de Breonna foi um assassinato", disse o governador de Nova York, Andrew Cuomo.

LeBron James, astro do basquete americano, disse que estava "revoltado". "Estou sem palavras. Estou arrasado, magoado, triste, louco", escreveu LeBron no Twitter. Justin Jackson, jogador de futebol americano, também protestou. "Os assassinos de Breonna Taylor escapando impunes sem nem mesmo um julgamento é exatamente a podridão sistêmica pela qual as pessoas estão protestando", disse.


Agência Estado/AFP/Dom Total



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