Economia

30/09/2020 | domtotal.com

Nova linha crédito do BNDES irá financiar aquisição de serviços tecnológicos

Verbas serão voltadas para Indústria 4.0 e avanços na automação e digitalização industrial

O financiamento é destinado a empresas, produtores rurais e ao setor público, e operacionalizado por meio de crédito indireto automático
O financiamento é destinado a empresas, produtores rurais e ao setor público, e operacionalizado por meio de crédito indireto automático (Vanderlei Almeida/AFP/Getty Images)

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou na terça-feira (29) a nova linha Crédito e Serviços 4.0, que vai financiar serviços tecnológicos avançados e os chamados intangíveis, em especial voltados para a pequena e média empresa.

Com operação indireta, ou seja, via a rede de bancos comerciais repassadores, a BNDES Crédito Serviços 4.0 oferecerá empréstimos de no máximo R$ 5 milhões, mas, segundo Gabriel Aidar, gerente do banco, a ideia é atender pequenas empresas com financiamentos entre R$ 50 mil a R$ 100 mil. 

"Estamos buscando a modernização da estrutura produtiva, com a adoção de digitalização e tecnologias industriais que preparem nosso tecido produtivo para a manufatura avançada, estimulando o processo de digitalização das MPMEs", afirmou Aidar, numa transmissão ao vivo que marcou o lançamento da linha de crédito. 

A nova linha visa a modernização das empresas, estimulando a transformação digital e adoção de tecnologias 4.0. O financiamento é destinado a empresas, produtores rurais e ao setor público, e operacionalizado por meio de crédito indireto automático. O gerente de Clientes do BNDES, Gabriel Aidar, explicou que o objetivo é preparar as empresas para a implantação da manufatura avançada e viabilizar a implantação de soluções de cidades inteligentes.

Entre os serviços tecnológicos apoiados pela nova linha de crédito estão manufatura enxuta e avançada, digitalização, internet das coisas (IdC), desenvolvimento de novos produtos e processos, tecnologias industriais básicas, eficiência energética e redução de resíduos. 

"A gente financia inteligência, a capacidade de gerar contribuições em vários setores, em várias áreas", disse o diretor de Participações, Mercado de Capitais e Crédito Indireto do BNDES, Bruno Laskowsky. Isso compreende tudo que é relacionado à digitalização, economia produtiva, manuseio de dados, Big Data, IdC, entre outros serviços, que somados aos financiamentos tradicionais podem levar ao crescimento da economia.

Os juros da BNDES Crédito Serviços 4.0 serão compostos pelo custo base do BNDES, mais um spread de 0,95% ao ano para o banco de fomento, mais o spread do agente repassador. A taxa do custo base do BNDES pode ser Selic (a taxa básica de juros, fixada pelo Banco Central, hoje em 2% ao ano), a TLP (principal taxa do BNDES, que acompanha a cotação dos títulos públicos e está em 1,53% mais IPCA) ou TFB (uma taxa fixa do BNDES, que varia conforme o prazo, chegando a 6,26% ao ano para prazos de 84 a 120 meses). 

O prazo é o diferencial da BNDES Crédito Serviços 4.0. Os empréstimos da linha poderão ser pagos em até dez anos e podem ter uma carência máxima de dois anos para começarem a ser amortizados. As condições permitem ainda que a empresa financie, com o empréstimo, até 100% da aquisição dos serviços tecnológicos selecionados. 

Marco da indústria

O lançamento da linha Créditos e Serviços 4.0 vai complementar a linha Finame Máquinas 4.0 para aquisição de máquinas compatíveis com o sinal de internet 5G e IdC. A Finame Máquinas 4.0 já tem cadastrados 119 itens e 50 fabricantes, informou o gerente de Clientes do BNDES, Gabriel Aidar. O diretor Bruno Laskowsky afirmou que o novo programa de financiamento é um marco estruturante para a indústria nacional. "O BNDES quer gerar impacto social, melhorar a vida das pessoas lá na ponta e incentivar a economia", declarou. 

Competitividade

O ministro substituto da Ciência, Tecnologia e Inovações, Julio Semeghini, sustentou que a ideia é que a transformação digital possa avançar no país. Segundo ele, o ministério tem trabalhado para que as chamadas tecnologias 4.0 possam abranger o Brasil como um todo. Em edital lançado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) recentemente, foram inscritos 1.190 projetos que solicitaram crédito de R$ 1,7 bilhão, e o edital só disponibilizava R$ 50 milhões. "Isso mostra como o Brasil está preparado para aproveitar a oportunidade da transformação digital", disse Semeghini.

O secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, Carlos Da Costa, destacou que quando se fala hoje em financiar desenvolvimento, está se falando de ativos intangíveis. "Eu enxergo a nova linha do BNDES como um exemplo, talvez o mais importante, porque a transição para a indústria 4.0 é um fenômeno que traz oportunidades fundamentais para nós hoje". Costa não tem dúvida que a indústria 4.0 permitirá ao Brasil dar saltos de produtividade e, consequentemente, de emprego e renda. O secretário afirmou que a nova linha de crédito do banco será complementada por ações da Câmara Brasileira da Indústria 4.0.

Para o presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, o Brasil não pode ficar de fora das tecnologias habilitadoras da indústria 4.0. "Nós precisamos disso". 

Velloso completou que a melhoria da competitividade e da produtividade da indústria nacional passa por essas ferramentas. O diretor de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Abijaodi, considerou que a evolução rápida da indústria tem sido preocupação também dos países desenvolvidos e o Brasil está precisando fazer o mesmo, de modo a aumentar a capacidade da indústria nacional para competir internacionalmente. Abijaodi comentou que o salto para a indústria 4.0 vai trazer desafios para os setores público e privado e vai ajudar na retomada da economia.

O diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Rafael Lucchesi, observou, por sua vez, que os serviços tecnológicos são habilitadores da indústria 4.0. Ele acredita que a parceria com o BNDES terá desdobramentos importantes para a indústria brasileira ser mais competitiva e ganhar novos mercados.

O diretor presidente da Embrapii, organização social voltada à inovação na indústria, Jorge Almeida Guimarães, salientou que ao fomentar a digitalização das empresas, o BNDES contribui para prepará-las para a obtenção de crédito. A Embrapii tem atualmente 61 unidades cuja grande força é o conhecimento intangível para atender às demandas das empresas nacionais, em todos os segmentos da indústria 4.0.

De acordo com Guimarães, isso acontece porque a grande maioria das empresas brasileiras, sobretudo as de pequeno porte, não têm centros de pesquisa e desenvolvimento, que é o que a Embrapii oferece. Ele acredita que as tecnologias digitais modernas vão diminuir a distância entre as indústrias do Brasil e do mundo. Acrescentou que a meta da Embrapii é desenvolver a indústria nacional com vistas à internacionalização das empresas.


Agência Brasil/Agência Estado/Dom Total



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