Religião

09/10/2020 | domtotal.com

Papa coloca mulheres em destaque na Igreja

Conselho feminino é bela novidade na cúria, segundo Francisco, que pede maior integração das mulheres nas decisões

Mulheres católicas presentes na oração do Angelus do papa
Mulheres católicas presentes na oração do Angelus do papa (AFP)

O papa Francisco enviou nesta quinta-feira (8) uma mensagem para o Conselho Feminino, uma espécie de consulta do Pontifício Conselho para a Cultura do Vaticano por ocasião de um seminário que organizam. Também na produção O vídeo do papa, do mês de outubro, na qual o pontífice expressa suas intenções de oração, seu foco foi o protagonismo feminino na Igreja.

O Conselho Feminino é um organismo permanente para ouvir e valorizar a presença das mulheres a partir do dicastério que o integra e para a reflexão de grandes temas culturais. O espaço conta com representantes de várias confissões religiosas e também por não crentes. Segundo o pontífice, um grupo que representa "uma bela novidade" dentro da Cúria Romana:

"Pela primeira vez, um dicastério envolve um grupo de mulheres tornando-as protagonistas dos projetos e das linhas culturais que estão se desenvolvendo, e não apenas para lidar com as questões da mulher. O conselho de vocês é composto por mulheres engajadas em diferentes setores da vida social e portadoras de visões culturais e religiosas do mundo que, embora diferentes, convergem para o objetivo de trabalhar em conjunto com respeito mútuo".

Seminário dedicado a santa Hildegarda

A mensagem pontifícia datada de 1º de outubro, foi divulgada por ocasião do seminário "As mulheres leem papa Francisco: leitura, reflexão e música", que reúne uma série de encontros e começa, desta vez, com o tema da exortação Evangelii gaudium, seguido pela encíclica Laudato si’ e o Documento sobre a fraternidade humana pela paz mundial e a convivência comum. Os textos, recordou o pontífice, são dedicados, respectivamente, "aos temas da evangelização, da Criação e da fraternidade".

O papa Francisco, na mensagem, também destacou que o seminário está sendo atribuído a "uma grande mulher, proclamada doutora da Igreja em 2012: Santa Hildegarda de Bingen. Como São Francisco de Assis, ela também compôs um hino harmonioso no qual canta e louva o Senhor da e na Criação".

"Hildegarda unifica o conhecimento científico e a espiritualidade; e há mil anos – como uma verdadeira mestra – lê, comenta, cria e ensina mulheres e homens. Ela quebrou os padrões do seu tempo que impediam às mulheres de estudar e de entrar na biblioteca e, como abadessa, também pediu o mesmo para as suas irmãs. Ela aprendeu a cantar e a compor música o que, para ela, foi uma onda capaz de levá-la ao alto até Deus. A música para ela não era apenas arte ou ciência, era também liturgia".

Voz feminina

O papa, então, parabenizou a realização do seminário que pretende "criar um diálogo entre intelecto e espiritualidade, entre unidade e diversidade, entre música e liturgia, com um objetivo fundamental, ou seja, a amizade e a confiança universal":

"E vocês fazem isso com uma voz feminina que quer ajudar a curar, em um mundo doente. O percurso de leitura de vocês será capaz de oferecer uma visão peculiar sobre o tema do confronto social e cultural como contribuição para a paz, pois as mulheres têm o dom de trazer uma sabedoria que sabe melhorar as feridas, perdoar, reinventar e renovar".

Francisco, finalizou a mensagem, desejando que as mulheres do Conselho Feminino do dicastério sejam "portadoras de paz e de renovação", sejam uma presença que, "com humildade e coragem, saiba compreender e acolher a novidade e gerar a esperança de um mundo fundado na fraternidade". Afinal, como lembrou o papa, "na história da salvação é uma mulher que acolhe a Palavra"; são as mulheres que esperam e proclamam a Ressurreição: os atos de acolhimento e anúncio.

"As mulheres são protagonistas de uma Igreja em saída, através da escuta e do cuidado que manifestam com as necessidades dos outros e, com uma marcada capacidade de sustentar dinâmicas de justiça em um clima de ‘calor doméstico’, nos diferentes ambientes sociais em que se encontram para trabalhar. Escuta, meditação, ação amorosa: esses são os elementos constitutivos de uma alegria que se renova e se comunica aos outros, através do olhar feminino, no cuidado da Criação, na gestação de um mundo mais justo, na criação de um diálogo que respeite e valorize as diferenças".

Vídeo do papa

Em O vídeo do papa de outubro, mês missionário, o papa Francisco faz um apelo à promoção de uma maior integração dos fiéis leigos, especialmente das mulheres, nas instâncias de responsabilidade da Igreja.

"Rezemos para que, em virtude do batismo, os fiéis leigos, em especial as mulheres, participem mais nas instâncias de responsabilidade da Igreja, sem cair em clericalismos que anulam o carisma laical".

O santo padre destaca o papel dos leigos e leigas, a quem ele considera verdadeiros protagonistas do anúncio do Evangelho, e pede que especialmente as mulheres participem de cargos de decisão.

Como todo mês, a intenção é acompanhada de um vídeo preparado pela Rede Mundial de Oração do Papa. Nesta ocasião, o vídeo foi produzido em colaboração com o Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida e conta com a participação de altas funcionárias do Vaticano e jornalistas do Vatican News.

Ampliar os espaços de presença feminina relevante na Igreja

"Ninguém foi batizado como padre ou bispo. Todos nós fomos batizados como leigos", recorda o papa no vídeo, afirmando que "leigos e leigas são protagonistas da Igreja". E nesta presença laical, afirma Francisco, "deve-se sublinhar o feminino, pois as mulheres costumam ser deixadas de lado". "Devemos promover a integração das mulheres em lugares onde são tomadas decisões importantes", defende o pontífice.

Comentando esta intenção, o diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, padre Frédéric Fornos SJ, destaca que desde 2013 – ano da eleição de Francisco – "muito foi feito, mas muito mais deve ser feito".

O jesuíta cita uma frase do papa Francisco da exortação apostólica Evangelii gaudium: "As reivindicações dos legítimos direitos das mulheres, a partir da firme convicção de que homens e mulheres têm a mesma dignidade, colocam à Igreja questões profundas que a desafiam e não se podem iludir superficialmente” (EG 104).

Em outro documento, Querida Amazônia, o pontífice escreve que muitas mulheres, impelidas pelo Espírito Santo, mantêm a Igreja de pé, em muitas partes do mundo, com admirável dedicação e fervorosa fé. É fundamental que participem cada vez mais em suas instâncias de decisão. Isso exige uma mudança profunda de mentalidade, exige a nossa conversão, que implica oração.


Vatican News/Dom Total



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