Religião

14/10/2020 | domtotal.com

Reflexões acerca do presente e do futuro da CNBB no dia do seu 68º aniversário

Entidade tem uma trajetória de contribuições para a vida da Igreja e para a sociedade

Presidência da CNBB em visita à Rádio Vaticano
Presidência da CNBB em visita à Rádio Vaticano (Vatican News)

Eleitos na 67ª assembleia do episcopado brasileiro, realizada de 1º a 10 de maio de 2019, em Aparecida (SP), a atual presidência da CNBB completa o primeiro ano de seu mandato, marcado principalmente pelo contexto da pandemia, sem contudo deixar de compreender e dar respostas aos desafios da Igreja no Brasil. Neste caminho missionário da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil rumo aos seus 70 anos, o portal da CNBB faz essa pausa de reflexão com a presidência da entidade para perceber sua história, identidade e suas perspectivas futuras.

Pioneirismo, profecia e comunhão

O arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, reforça que a CNBB tem uma marcante trajetória de contribuições para a vida da Igreja e para a sociedade brasileira, com relevantes e insubstituíveis contribuições espirituais, humanísticas e cidadãs.

"É importante recordar o mês de outubro de 1952, quando bispos brasileiros se reuniram no Rio de Janeiro e, em profunda comunhão eclesial com a Sé Apostólica, iniciaram a rica história da CNBB. Um caminho bonito que se renova permanentemente e fortalece ainda mais a colegialidade e a unidade dos bispos brasileiros, em comunhão com o magistério do papa", disse dom Walmor.

"O Brasil, quando surgiu a ideia de criação das conferências episcopais, foi um dos primeiros países que se prontificou a encaminhar junto à Santa Sé o que fosse necessário para criação da conferência", lembrou o arcebispo de Porto Alegre e primeiro vice-presidente da entidade, dom Jaime Spengler.

"Nós tivemos várias figuras que foram protagonistas deste processo. E certamente aquilo que hoje a Conferência representa para a sociedade brasileira é fruto do trabalho destes homens pioneiros que há 68 anos acreditaram na proposta como um caminho viável para a maior comunhão entre os bispos do Brasil", destacou.

Um marco do passado, destacado pelo bispo de Roraima e segundo vice-presidente da CNBB, dom Mário Antônio da Silva, é a característica de ter sido profética, com muita sabedoria e zelo pela mensagem do Evangelho. "A CNBB exerceu, desde o seu início, e continua exercendo, um profetismo na defesa da vida em toda e qualquer circunstância, do ser humano e de toda a criação", afirmou.

O bispo auxiliar do Rio de Janeiro (RJ) e secretário-geral da CNBB, dom Joel Portella Amado, destaca o primeiro planejamento pastoral conjunto da Conferência realizado, ainda em Roma, durante o Concílio, por convocação do papa João XXIII. Neste momento, lembra dom Joel, foi construído o Plano de Emergência. "Em 1966, bem no período de implantação do Concílio, os bispos brasileiros estabeleceram o primeiro Plano de Pastoral de Conjunto. Desde então, a CNBB tem sido instrumento de unidade pastoral em torno aos grandes desafios pastorais. Isso se concretiza nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja (DGAE)", reforça.

O secretário-geral também recorda-se não de um fato mas de uma atitude que marcou a trajetória da organização: a defesa da verdade, da justiça e dos fragilizados. Segundo ele, de modo especial a partir da década de 1970, a CNBB, por meio de suas presidências, manifestou-se inúmeras vezes de modo firme em favor dos direitos humanos e da democracia. Em 1988, na época da Constituinte, foi publicado o documento Por uma nova ordem constitucional. Pouco tempo depois, em 1989, foi publicado outro documento importante para aquele momento e que se tornou bastante conhecido: Exigências cristãs da ordem democrática.

Alimentando a esperança e a solidariedade

O presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira, diz que conferência persevera, no dias atuais, em sua missão de anunciar o Evangelho a serviço da unidade da Igreja, da edificação do Reino de Deus, com ações que promovem o amparo aos mais pobres, a inclusão social e, consequentemente, contribuem para a justiça e a paz.

Entre estas ações, o segundo vice-presidente da entidade, dom Jaime Spengler, destaca o processo atual de revisão do Estatuto, no qual todos os bispos do Brasil são chamados a participar e cooperar para responder aos desafios atuais. "Os tempos mudaram e mudam constantemente e estar atento aos sinais dos tempos diz de uma sensibilidade especial para responder à altura daquilo que os novos sinais pedem de nós como Igreja no Brasil".

Dom Jaime destacou também o Pacto pela vida e pelo Brasil, assinado em abril deste ano pela Conferência junto à outras instituições brasileiras, com o intuito de promover um debate, o mais amplo possível com as forças da sociedade, a partir da premissa de que o país pode se tornar mais integrado e mais integrador, onde todos possam ter vida e vida em abundância. "O Pacto representa um marco no presente da Instituição e fala de uma disponibilidade da Igreja de cooperar com o momento que o país atravessa", disse.

O segundo vice-presidente, dom Mário Antônio, destaca a realização pela CNBB e Cáritas Brasileira da Ação Solidária Emergencial É tempo de cuidar, com a adesão de toda a Igreja Católica no Brasil e entidades e instituições que buscam promover a vida, sobretudo no contexto da pandemia. Para ele, a solidariedade marca bem todo o trabalho da CNBB na atualidade.

O secretário-geral da entidade destacou um desafio interno:  a implantação e da manutenção das comunidades eclesiais missionárias, conforme apresentado nas atuais DGAE. "É um tema que já vinha sendo amadurecido. Lembro, por exemplo, os documentos 100 e 108, que falam respectivamente da rede de comunidades e dos serviços e ministérios em torno da Palavra de Deus", recordou.

Dom Joel também destaca a ação emergencial É tempo de cuidar e o esforço por ajudar a alimentar a esperança, a justiça e a paz, em meio a tantas angústias e pandemias. "Vemos as pessoas sofrerem pela pandemia sanitária, mas também, para dar um exemplo significativo, com a fome. A campanha É tempo de cuidar é um fato muito significativo dos dias atuais", disse.

Novos desafios

Para permanecer fiel ao sonho dos que a fundaram, dom Walmor afirma que a CNBB está vivendo um processo de renovação, buscando responder aos desafios próprios deste terceiro milênio. Ele apontou a revisão do Estatuto Canônico como um caminho que possibilitará à Conferência ser ainda melhor e mais servidora, oferecendo novas contribuições para que o Brasil, à luz da fé, torne-se mais fraterno e solidário.

"As novas respostas incluem a exigência de sermos uma Igreja Sinodal e mais missionária, com efetivas e inclusivas participações dos cristãos leigos e leigas, especialmente das mulheres", disse.

Em sua visão de futuro para a entidade, o primeiro vice-presidente, dom Jaime Spengler , alimenta o desejo de que ela esteja ancorada nos valores que formaram sua identidade. "Ser uma instância de promoção  da comunhão na Igreja no Brasil. Uma Igreja realmente constituída de comunidades que se dispõem, na comunhão, a cooperar para a implementação do Reino de Deus já aqui entre nós no tempo", disse.

Numa perspectiva de renovação, dom Mário Antônio, seu segundo vice-presidente, vê a CNBB atuando mais em rede junto à outras entidades e instituições com objetivos semelhantes, sem contudo perder a sua identidade e a sua missão. "O futuro da CNBB está também em evangelizar fazendo o uso de toda a tecnologia digital, o que exige de nós um preparo específico", desafiou.


Vatican News/CNBB/Dom Total



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