Coronavírus

14/10/2020 | domtotal.com

Covid-19 afeta os serviços essenciais de luta contra a tuberculose, alerta OMS

A doença pulmonar pode matar em 2020 entre 200 mil e 400 mil pessoas a mais que no ano passado

Profissional da saúde se prepara para administrar testes de coronavírus em Yangon, em 13 de outubro de 2020
Profissional da saúde se prepara para administrar testes de coronavírus em Yangon, em 13 de outubro de 2020 (Ye Aung Thu/AFP)

A pandemia de Covid-19 ameaça os avanços dos últimos anos no combate à tuberculose, que é, até então, a principal causa de morte por infecção. O alerta foi feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quarta-feira (14).

Engajados na luta contra o novo coronavírus, os países mais afetados pela tuberculose pararam de diagnosticá-la, revela o relatório anual da OMS, que estima que a doença pulmonar pode matar este ano entre 200 mil e 400 mil a mais que as 1,4 milhão vítimas fatais em 2019, apesar da existência de uma cura.

Um aumento de 200 mil mortes retrocederia o mundo a 2015, um aumento de 400 mil a 2012. E isso enquanto o progresso feito no combate à tuberculose já era considerado lento demais antes mesmo da pandemia do coronavírus.

"A pandemia de Covid-19 ameaça enfraquecer o progresso feito nos últimos anos. O impacto da pandemia nos serviços de luta contra a tuberculose tem sido severo", resume o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, no relatório. Os dados coletados pela OMS nos países mais afetados mostram "uma queda acentuada na notificação de casos de tuberculose em 2020", lamenta.

Na Índia, o país mais afetado, as notificações semanais e mensais caíram mais de 50% do final de março ao final de abril após a imposição do confinamento, aponta o relatório. Tendência semelhante à registrada na África do Sul entre março e junho.

"Uma vez que a Covid-19 tem feito cair o número de exames de tuberculose, os governos devem desenvolver um plano de recuperação. O tempo para desculpas acabou", reagiu Sharonann Lynch, da organização Médicos Sem Fronteiras.

Além do confinamento que complica o acesso dos pacientes aos centros de saúde, os impactos negativos da pandemia nos serviços essenciais para a tuberculose são numerosos, com a Covid-19 monopolizando as equipes de saúde e os recursos financeiros e técnicos.

Já no início de maio, o departamento de tuberculose da OMS estimou que três meses de confinamento poderiam levar a 6 milhões de novas infecções e 1,4 milhão de mortes adicionais por tuberculose entre 2020 e 2025.

Fim de um sonho?

A tuberculose é uma doença causada pelo bacilo de Koch, que afeta mais frequentemente os pulmões. É transmitida durante a expectoração de gotículas de secreção brônquica pelas pessoas afetadas.

Em uma pessoa saudável, a infecção costuma ser assintomática porque o sistema imunológico "captura" o bacilo, explica a OMS. Quando começa, a tuberculose pulmonar se manifesta por tosse, às vezes tingida de sangue, dor no peito, perda de peso e suores noturnos.

A tuberculose pode ser tratada com antibióticos por vários meses, e a OMS estima que o diagnóstico e o tratamento salvaram 58 milhões de pessoas entre 2000 e 2018. Mas a doença continua sendo uma das 10 principais causas de morte em todo o mundo, em parte devido ao fato de que os sintomas podem permanecer leves por muitos meses.

Embora a tuberculose seja comum em todo o mundo, mais de 95% dos casos e mortes ocorrem em países em desenvolvimento. Em 2019, 44% dos casos foram notificados no Sudeste Asiático, 25% na África, 18% no Pacífico Ocidental e 8,2% em países do Mediterrâneo Oriental. Mas oito países totalizaram dois terços dos novos casos: Índia, Indonésia, China, Filipinas, Paquistão, Nigéria, Bangladesh e África do Sul.

Apenas 78 países estavam em boa posição – antes da pandemia – para cumprir as metas estabelecidas para 2020.

A doença, que é tão antiga quanto a Humanidade, foi contraída por mais de 10 milhões de pessoas em 2019, um número que diminuiu ligeiramente nos últimos anos, observa o relatório.

No ano passado, quase 1,4 milhão de pessoas morreram por causa da tuberculose (incluindo 208 mil portadores de HIV), números que caíram novamente, mas "não rápido o suficiente" para atingir as metas definidas no final de 2020 na estratégia para acabar com a tuberculose até 2030, observa a OMS.


AFP



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