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15/10/2020 | domtotal.com

Campanha eleitoral na Bolívia chega ao fim com país polarizado entre esquerda e direita

O ex-presidente Carlos Mesa disputa com o afilhado de Morales Luis Arce no domingo

O candidato presidencial boliviano, Luis Arce, pode vencer já no primeiro turno
O candidato presidencial boliviano, Luis Arce, pode vencer já no primeiro turno (Ronaldo Schemidt/AFP)

O candidato presidencial de esquerda Luis Arce finalizou seus compromissos de campanha para as eleições deste domingo (18) na Bolívia, um dia depois que seu rival centrista, Carlos Mesa, chamou a população para "derrotar definitivamente" o projeto socialista de Evo Morales.

O ex-presidente Mesa e Arce, afilhado político de Morales, são os únicos dos seis candidatos em disputa com chances de vitória segundo as pesquisas, embora seja possível que a briga seja definida em um segundo turno, no dia 29 de novembro. Em setembro, pesquisas apontavam Arce com 40,3% das intenções de voto e Mesa com 26,2. Na Bolívia, não é preciso alcançar 50% dos votos para evitar segundo turno, mas com 40% mais um e 10% de diferença ao segundo colocado a eleição é definida. 

Em outubro de 2019, Evo Morales se candidatou à reeleição, mas uma comissão da Organização dos Estados Americanos (OEA) apontou irregularidades na apuração, o que foi desmentido por análises independentes posteriores. O que se seguiu foi um golpe de Estado, com perseguição ao ex-presidente Morales, exilado na Argentina. Em seguida, a presidente Jeanine Añez, presidente do Congresso, se autoproclamou presidente interina, mas sua condução no combate à pandemia e escândalos de corrupção a colocaram em uma situação extremamente difícil.

Campanhas

Mesa, que governou em 2003-2005, encerrou sua campanha na cidade de Santa Cruz, a mais importante da região mais rica da Bolívia, onde convocou seus compatriotas a votarem nele para impedir que o Movimento ao Socialismo (MAS) de Morales e Arce volte ao poder. As eleições também renovarão todo o Congresso boliviano, agora controlado pelo MAS.

"Que fique claro para que ninguém estenda errado, porque somos os únicos que podemos derrotar definitivamente Morales e Arce, porque Arce nada mais é do que Morales, e Morales never in the life (nunca mais na vida)", declarou Mesa, em um comício colorido e turbulento, diante dos seguidores de seu partido, a Comunidade Cidadã.

O evento ao ar livre contou com a presença de centenas de pessoas usando máscaras como medida de biossegurança em meio à pandemia do coronavírus. "Primeiro (somos) um projeto de futuro, o único projeto de futuro viável é a Comunidade Cidadã, um projeto, um programa com sentido de Estado, que é o que a Bolívia precisa hoje mais do que nunca", acrescentou o ex-presidente de 67 anos, vestido com camisa laranja e boné, nas cores de sua formação política.

Mesa decidiu encerrar sua campanha em Santa Cruz em vez de La Paz, em uma aparente tentativa de conquistar votos do direitista Luis Fernando Camacho, líder de um comitê cívico local que ganhou notoriedade há um ano nos protestos que levaram à renúncia de Morales depois de 14 anos no poder.

Camacho, um advogado de 41 anos que aparece em terceiro lugar nas pesquisas, encerrará sua campanha nesta quarta-feira à tarde com uma "grande caravana" pelas ruas de Santa Cruz, quase ao mesmo tempo em que Arce fará seu comício de encerramento em El Alto, uma cidade vizinha a La Paz e um tradicional bastião eleitoral de Morales.

Arce, de 57 anos, ergue a bandeira da bonança econômica do governo Morales (2006-2019) quando foi ministro da Fazenda, e atribui essa conquista à nacionalização dos hidrocarbonetos em 2006. Ele se apoia nos os 14 anos de crescimento econômico constante, combinado à redução massiva da pobreza, da desigualdade e dos programas de industrialização do gás natural do país, das indústrias de petróleo e do lítio. 

Arce propõe taxação de grandes fortunas e um governo com apoio dos movimentos sociais, muito fortes na Bolívia e que paralisaram o país em uma série de bloqueios e greves. 

A campanha eleitoral boliviana foi marcada pela polarização entre os partidários e os detratores do ex-presidente indígena, um fiel amigo de Cuba e da Venezuela, que desde que se exilou na Argentina afirma que Arce simboliza "uma garantia de estabilidade, crescimento econômico e redistribuição de riquezas". 


AFP/Dom Total



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