Coronavírus

18/10/2020 | domtotal.com

Onze milhões de meninas podem não voltar à escola devido à Covid-19

Diretora-geral da Unesco pede que meninas continuem seus estudos 'pelo maior tempo possível'

Meninas com máscara aguardam para receber absorventes em escola da Kibera, em Nairóbi
Meninas com máscara aguardam para receber absorventes em escola da Kibera, em Nairóbi (Fredrik Lerneryd/AFP)

Onze milhões de meninas em todo o mundo correm o risco de não voltar à escola quando as restrições pela Covid-19 forem levantadas, alertou nesta quinta-feira (15) a diretora-geral da Unesco Audrey Azoulay, em uma viagem à República Democrática do Congo (RDC).

"Lançamos uma campanha de comunicação sobre a necessidade de que as meninas voltem para a escola", disse durante uma visita a uma escola secundária em Kinshasa, três dias após o início do ano escolar no país.

A educação das meninas em todo o mundo "lamentavelmente permanece muito desigual", disse a ex-ministra francesa da Cultura, desatacando que sua educação e seu acesso à escola é uma prioridade para a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Ao seu lado, o ministro congolês da Educação Primária e Secundária, Willy Bakonga, convidou a UNESCO a apoiar a educação primária pública gratuita implementada pelo presidente Félix Tshisekedi desde setembro de 2019 na RDC.

Essa medida permitiu que mais de quatro milhões de crianças se integrem ou reintegrem no sistema educacional, segundo o ministro.

Elogiando essa reforma "muito ambiciosa", Azoulay destacou que, no entanto, há "enormes problemas em relação à infraestrutura, ao número de escolas, formação dos professores e também à capacidade de financiar seus salários".

Fazendo um apelo às meninas para que continuem seus estudos "pelo maior tempo possível", prometeu apoiar as autoridades congolesas "no esforço maciço que deve ser feito pela qualidade da educação". "Este é o pedido que já fizemos ao Banco Mundial", disse.

O custo da educação gratuita é estimado em cerca de US$ 2,64 bilhões (R$ 14,8 bilhões) ao ano, um valor considerável para a RDC, cuja receita orçamentária não passou dos US$ 2,5 bilhões (R$ 14 bilhões) na data de 11 de setembro, segundo o Banco Central do país.


AFP



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