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16/10/2020 | domtotal.com

Vantagem de Biden nas pesquisas reforça visão negacionista de Trump

Média das sondagens mostra democrata com 9,4 pontos percentuais à frente do rival

Biden tem conquistado votos em estados em que Trump venceu em 2016
Biden tem conquistado votos em estados em que Trump venceu em 2016 (Jim Watson, Saul Loeb/Getty Images/AFP)

Pablo Pires Fernandes

A menos de três semanas da eleição presidencial dos Estados Unidos, a vantagem do candidato democrata Joe Biden segue em alta, com tendência a se distanciar do rival republicano e atual presidente Donald Trump. O site Real Clear Politics, que compila dados de todas as pesquisas, mostra que a média da vantagem está em 9,4 pontos percentuais.

Algumas pesquisas (ABC News/Washington Post e USC Dornsife) chegam a apontar 12 pontos percentuais de vantagem para o democrata. Na média das sondagens, Biden aparece com 51,7% das intenções dos votos, enquanto Trump tem 42,3%.

No entanto, o republicano se recusa a admitir a possibilidade de derrota e cogita levar tal possibilidade à Suprema Corte, questionando a votação pelo correio. Nesta semana, Trump declarou que "as pesquisas eleitorais estavam erradas em 2016 e estão erradas agora".

Em geral, as pesquisas mostraram que a economia foi a principal preocupação dos eleitores. Na pesquisa do Wall Street Journal com NBC News, divulgada na quarta-feira (14), cerca de 50% dizem que estão em melhor situação do que há quatro anos, em comparação com 34% que dizem que estão em pior situação. No entanto, 58% dizem que o país está pior do que há quatro anos, em comparação com 38% que dizem que está melhor. Além disso, mais de 60% dos eleitores dizem que o país está indo na direção errada.

Sobre a pandemia do coronavírus, a maioria dos eleitores está descontente com a resposta do presidente à pandemia. Cerca de 41% aprovam o modo como ele lida com a Covid-19, enquanto 57% desaprovam. Quanto ao próprio diagnóstico de coronavírus de Trump, apenas um quarto dos entrevistados disse que o presidente estava tomando as precauções necessárias, enquanto 44% disseram que ele estava assumindo riscos desnecessários.

A disputa segue acalorada, com troca de acusações de ambos os lados e a busca pelo pequeno grupo de indecisos. Comícios, eventos de arrecadação de campanha e encontros com estrategistas vão definindo a preferência dos votos. As taxas de votação pelo correio, sistema questionado por Trump, estão de vento em popa, com recordes de participação que já superaram 10 milhões de eleitores.

Ritmo de campanha

Com o cancelamento do segundo debate, por causa da infecção de Trump por Covid-19 e sua recusa em participar de um debate virtual, os dois candidatos disputam espaço nas emissoras de televisão para manter um contato mais efetivo com o público. Na noite de quinta-feira (15), os dois participaram de programas em diferentes cidades em redes distintas, respondendo a perguntas dos eleitores: Trump na NBC de Miami e Biden na ABC da Filadélfia.

Embora arrecadando milhões ao longo da campanha e dos últimos dias, o ex-vice-presidente não está introduzindo novos temas em seu argumento de que ele é uma alternativa constante para Trump. Biden e seus assessores acreditam que as mensagens dispersas da campanha do presidente desde seu diagnóstico de Covid-19 prova o argumento principal de Biden.

Trump mantém seu discurso padrão, mas que já causa desconfiança em boa parte do eleitorado. O republicano usou o discurso econômico para enfatizar o compromisso de sua administração com a redução de impostos e a desregulamentação da indústria.  Acrescentou que não vai impor nova quarentena nos EUA, mesmo que haja uma segunda onda de casos de Covid-19 durante o inverno.

E o presidente segue demonizando a China como o grande inimigo dos EUA e responsável pela pandemia: "O coronavírus é culpa da China", acusou, na entrevista à Fox Bussiness. Como muitas vezes ocorre com o atual presidente americano, ele se recusa a admitir erros e deve seguir em seu negacionismo, mesmo diante de uma provável derrota nas urnas.

Como ocorreu na segunda eleição de George W. Bush, em 2004, e nas últimas eleições, em 2016, quando Trump derrotou Hillary Clinton, o número de votos nem sempre define o ganhador. Isto porque o sistema eleitoral dos EUA ocorre por representantes e não, como no Brasil, de uma pessoa, um voto, com igualdade de peso.

A situação desta eleição é ainda mais grave, por causa do questionamento do distema de votação pelo correio por parte de Trump, que já indicou que deve levar o caso para a Suprema Corte, de maioria conservadora, para questionar uma eventual derrota. Portanto, as chances de Biden ganhar e não levar existem.


Dom Total/Com agências



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