Religião

18/10/2020 | domtotal.com

Urbanczyk cobra à OSCE por união de esforços para prevenir o tráfico de pessoas

Pandemia permitiu que os criminosos transformassem tráfico num negócio crescente na Internet

Mons. Janusz Urba?czyk lembrou lembrou 'no mundo há mais de 40 milhões de vítimas de tráfico ou exploração, das quais 10 milhões de jovens menores de 18 anos'
Mons. Janusz Urba?czyk lembrou lembrou 'no mundo há mais de 40 milhões de vítimas de tráfico ou exploração, das quais 10 milhões de jovens menores de 18 anos' (Johan Ordonez/AFP/Getty Images)

"O tráfico de seres humanos e outras formas contemporâneas de escravidão são um problema mundial que deve ser levado a sério pela humanidade como um todo": com essas palavras, o observador permanente da Santa Sé junto à OSCE (Organização para Segurança e Cooperação na Europa), Mons. Janusz Urbańczyk, abriu na quinta-feira (15) seu discurso na reunião de número 1285 do Conselho permanente do órgão, centralizada na luta contra o tráfico de seres humanos.

Manifestando apreço pela chamada "abordagem 4P" implementada pela OSCE – ou seja, procedimento penal, proteção, prevenção e parceria –, o prelado polonês lembrou, todavia, que "no mundo há mais de 40 milhões de vítimas de tráfico ou exploração, das quais 10 milhões de jovens menores de 18 anos" e que "uma criança em cada vinte, com menos de 8 anos, é vítima de exploração sexual".

São dados particularmente preocupantes, afirmou Mons. Urbańczyk, diante dos quais é "ainda mais preocupante que apenas alguns traficantes sejam processados pela justiça penal", o que acrescenta "ao dano sofrido pelas vítimas, a injúria" de não receber justiça.

Conflito e pandemia

Outro setor alarmante, disse o observador permanente, é o do tráfico de órgãos, "uma forma subestimada de tráfico", mas "muito difundida": por isso, "é necessário um procedimento acordado e concreto para alertar os profissionais, autoridades e órgãos competentes na matéria".

"Os profissionais da saúde e as autoridades – reiterou o prelado – não podem mais fechar os olhos sobre a necessidade de regulamentar as viagens para transplantes e prevenir e combater os crimes a eles relacionados".

Daí, o chamado a "unir os esforços para prevenir eficazmente o tráfico de seres humanos, começando a enfrentar" suas causas primárias. Efetivamente, nos últimos anos, "conflitos armados e migrações forçadas" agravaram o fenômeno, e mais ainda:

"A atual pandemia da Covid-19, com os bloqueios e restrições impostos em muitos países, permitiu que os criminosos transformassem ainda mais o tráfico de pessoas num negócio crescente na Internet" disse o representante da Santa Sé.

Por trás das estatísticas

Diante deste cenário dramático, a prioridade indicada por Mons. Urbańczyk é "garantir o acesso à proteção social, à educação, ao trabalho, à saúde e ao sistema judicial", pois a falta ou insuficiência destes "bens sociais importantes" é muitas vezes explorada pelos traficantes "para recrutar novas vítimas".

Ao mesmo tempo, o observador permanente exortou a fornecer aos sobreviventes "serviços de saúde física e mental, educação, programas de formação e oportunidades de trabalho" para que possam encontrar "um novo começo e uma proteção legal contra aqueles que poderiam forçá-los a voltar à escravidão".

Naturalmente, explicou o prelado, "em todas as medidas que são tomadas, deve-se ter em mente que as vítimas e os sobreviventes são seres humanos e devem sempre se sentir tratados com dignidade e respeito": de fato, por trás dos números apresentados há "“rostos, nomes, histórias para contar".

Papa Francisco

Por fim, Mons. Urbańczyk concluiu sua intervenção citando uma passagem da Encíclica do Papa Francisco, "Fratelli tutti": "O tráfico de pessoas é uma vergonha para a humanidade que a política internacional não deveria continuar tolerando – não se ficando por discursos e boas intenções. Trata-se daquele mínimo que não se pode mais adiar" (189).


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