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19/10/2020 | domtotal.com

Festival de Cinema de Roma homenageia Glauber Rocha com filme sobre exílio na Itália

Documentário de César Augusto Meneghetti aborda a criatividade política do cineasta

Cena do documentário 'Glauber, Claro', sobre a passagem do diretor por Roma
Cena do documentário 'Glauber, Claro', sobre a passagem do diretor por Roma (Canal Curta/Divulgação)

O Festival de Cinema de Roma fez uma homenagem ao cineasta brasileiro Glauber Rocha, com a exibição do documentário Glauber, Claro, do diretor brasileiro César Augusto Meneghetti, de 55 anos. O filme aborda o exílio voluntário na Itália nos anos 1970 do maior expoente do Cinema Novo. A obra apresenta ao espectador o espírito de Glauber, em sua vital criatividade acompanhada pela necessidade de protestar à sua maneira contra um sistema e um mundo que rejeitou.

Meneghetti não pôde comparecer à exibição desta segunda-feira (19) no auditório do MAXXI em Roma, devido à pandemia. "É um metafilme, nos metemos dentro de um filme e seu mundo", disse. O filme, dedicado ao influente diretor, ator e roteirista, falecido em 1981 aos 43 anos, é inspirado no filme Claro, rodado por Rocha em Roma em 1975, durante seu exílio na Itália.

O mosaico de memórias, de amigos, de atores, de colaboradores e críticos, descreve toda uma geração que acreditava em princípios e se sentia politicamente comprometida. "Na montagem fomos guiados pela sinceridade, pelo emocional, o que vinha do coração, a cronologia não contou. Nos deixamos levar", contou Meneghetti.

Conhecido pelos seus filmes políticos, expressos de forma forte, muitas vezes aliados ao misticismo e ao folclore, entre eles Deus e o Diabo na Terra do Sol", de 1964, mas também pelo seu estilo e fotografia particulares, Glauber Rocha 45 anos depois continua muito atual. "Esses jovens de 80 anos que entrevistei ainda são muito vitais e ainda acreditam que devemos lutar por um mundo melhor", disse Meneghetti, que queria fazer o filme desde 2005, quando estudava no Centro Experimental de Cinema de Roma.

Rocha, que contava histórias entre a verdade e a imaginação, foi censurado no Brasil durante a ditadura militar (1964-1985), razão pela qual deixou seu país para morar em vários lugares, como Espanha, Chile, Itália e Portugal. "Ele foi um visionário. Ele antecipou o homem global e também foi um pensador", afirmou o cineasta, que não o conheceu pessoalmente.

O documentário aborda, sem dizer explicitamente, argumentos muito atuais no Brasil, como autoritarismo, violência estatal e racismo. Usa material inédito do arquivo histórico da televisão estatal italiana. "Foi uma sorte poder mostrar um importante pedaço da história do cinema", resume Meneghetti.

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AFP/Dom Total



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