Coronavírus

19/10/2020 | domtotal.com

Butantan diz que testes no Brasil comprovam segurança da vacina Coronavac

Diretor do instituto garante que efeitos colaterais são insignificantes após 9 mil testes

Voluntária recebe dose da vacina Coronavac, que deverá ser testada agora em idosos
Voluntária recebe dose da vacina Coronavac, que deverá ser testada agora em idosos (Instituto Butantan)

Em um aguardado anúncio, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou nesta segunda-feira (19), que a vacina CoronaVac, que será produzida em São Paulo em parceria com a China, é "a mais segura do mundo". Essa fase serve apenas para atestar que a vacina não oferece riscos, mas ainda é preciso passar pelo teste de eficácia, para saber se ela realmente previne a Covid-19, o que só deve ocorrer no final do ano ou início de 2021.

Dimas Covas apresentou os últimos resultados dos testes clínicos feitos com 9 mil voluntários no Brasil ao lado do governador de São Paulo João Doria (PSDB). "É a vacina mais segura não no Brasil, no mundo. É o que mostram os dados científicos", disse o diretor do Instituto Butantan. Até dezembro, o Butantan receberá 46 milhões de doses da Coronavac, sendo 6 milhões de doses da vacina já prontas para aplicação. Outras 15 milhões de doses devem chegar até fevereiro de 2021.

Os efeitos colaterais mais sérios, como febre, náusea, fadiga, perda de apetite, entre outros, se manifestaram em menos de 3% dos voluntários, que, segundo Covas, é "estatisticamente insignificante". As reações que mais apareceram foram dor de cabeça (15%) e dor muscular no local da injeção (18%).

Em sua fala, Doria ressaltou que a CoronaVac é a vacina que está em fase mais avançada do que as outras que estão em teste no Brasil. As vacinas da Astrazeneca e da Johnson chegaram a ser suspensas por efeitos colaterais graves, o que não aconteceu com a do Butantan.

O desenvolvimento da vacina no Brasil foi iniciado em julho, por meio de parceria entre a biofarmacêutica Sinovac Life Science, com sede em Pequim, e o Butantan. A Coronavac é um dos imunizantes mais promissores em fase final de estudo em todo o mundo e produzida com base em tecnologia similar à de outras vacinas produzidas com sucesso pelo Butantan. A partir deste mês, a testagem do potencial imunizante contra o coronavírus está sendo ampliada para voluntários idosos, portadores de comorbidades e gestantes.

Também nesta segunda, o Instituto Gamaleya, desenvolvedor da vacina russa contra a Covid-19, Sputnik V, informou que já começaram a transferir tecnologia para os brasileiros, mas que leva alguns meses para preparar para uma produção em larga escala, que deve começar em dezembro, pela farmacêutica União Química.

O governo federal tem a previsão de ter 100 milhões de doses no primeiro semestre de 2021, começando com 15 milhões em janeiro, da vacina da AstraZeneca/Universidade de Oxford e da possibilidade de acesso a mais 40 milhões de doses de vacinas vindas da iniciativa global Covax Facility, da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, indicou esperar que a iniciativa Covax possa começar a aplicar imunizantes no meio de 2021. No princípio, as pessoas mais vulneráveis serão o foco, com vacinas distribuídas ao redor do mundo, sinalizou. Na mesma coletiva de imprensa, foi anunciado que o número de países na coalizão pelo imunizante chegou a 184, subindo frente aos 171 da última divulgação, com Equador e Uruguai entre as adesões mais recentes.

Swaminathan indicou ainda que há "algumas vacinas no momento mostrando bons níveis de imunização", ao tratar das diversas iniciativas de testes monitoradas pela OMS. Já a diretora Maria Van Kerkhove afirmou que não existe "segunda onda inevitável, tudo está nas nossas mãos", ao cobrar um amplo reforço da responsabilidade de indivíduos e governos. Em relação ao começo da pandemia, indicou que "todos os países estão mais preparados agora", apontando para os suprimentos de oxigênio e dexametasona como capazes de salvar vidas.

Um tema constante na coletiva foi a necessidade de prover os meios necessários para pessoas isoladas manterem a quarentena por 14 dias, um problema que seria recorrente. Durante o isolamento, providenciar meios, especialmente a alimentação, seria vital para manter as pessoas reclusas e evitar a propagação do vírus, argumentou a OMS.

Polêmica sobre obrigatoriedade

O presidente Jair Bolsonaro vem tratando com desconfiança a vacina que está sendo produzida pelo Butantan e a empresa chinesa Sinovac. Na sexta-feira (16), em post no Twitter, o presidente afirmou que qualquer vacina contra a Covid-19 não será obrigatória e será liberada "sem açodamento e no momento oportuno". Na saída do Palácio do Alvorada nesta segunda, Bolsonaro afirmou que "o meu ministro da Saúde já disse que não será obrigatória essa vacina e ponto final". Nesta segunda-feira, em conversa com apoiadores em um canal na internet, ele afirmou que "tem um governador aí que está se intitulando o médico do Brasil, dizendo que ela (a vacina) será obrigatória". "Repito que não será", disse.

Em resposta, o governador de São Paulo, João Doria, afirmou que "o Brasil precisa mais do que nunca de paz, amor e vacina para salvar a vida dos brasileiros". "Não estamos em uma corrida eleitoral ou ideológica. Estarei ao lado de médicos e cientistas que querem salvar vidas", disse Doria. Na sexta-feira, Doria afirmou que a vacinação contra a Covid-19 no estado será obrigatória. "Já garanti que aqui os 45 milhões de brasileiros de São Paulo serão vacinados e a vacinação será obrigatória, exceto se o cidadão tiver uma orientação médica e um atestado médico de que não pode tomar a vacina. E adotaremos as medidas legais se houver alguma contrariedade nesse sentido", disse.

Também na sexta-feira, Doria chegou a dar um ultimato no Ministério da Saúde para que indique se irá incluir o uso da Coronavac no cronograma de vacinação nacional. Nesta quarta-feira (21), está agendada uma reunião, em Brasília, entre o governador e membros do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para discutir o assunto. O secretário executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, já havia afirmado que o governo federal está acompanhando as vacinas em teste contra a Covid-19 e "não descarta nenhuma possibilidade".


Agência Estado/Dom Total



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