Brasil Política

21/10/2020 | domtotal.com

Bolsonaro chama Pazuello de 'traidor' e diz que vacina chinesa 'não será comprada'

Ao invés de priorizar Saúde, Bolsonaro vai boicotar vacina chinesa desenvolvida em SP. Coronavac seria 'vitória política' de Doria, que pretende concorrer ao Planalto em 2022

O Ministério da Saúde havia assinado um protocolo de intenções para adquirir 46 milhões de doses da Coronavac
O Ministério da Saúde havia assinado um protocolo de intenções para adquirir 46 milhões de doses da Coronavac (Carolina Antunes/PR)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta quarta-feira (21) que a vacina contra o novo coronavírus produzida na China "não será comprada" pelo governo brasileiro. O mandatário chegou a chamar o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello de 'traidor',  ao responder apoiadores críticos à vacina. Desenvolvida em parceria com o governo de São Paulo, comandado pelo rival João Doria (PSDB), a vacina entrou na mira de Bolsonaro, que já atua tentar a reeleição em 2022.

A mensagem foi publicada no Facebook, em resposta a um comentário crítico ao anúncio do Ministério da Saúde de que tem a intenção de adquirir 46 milhões de doses da Coronavac, vacina da farmacêutica chinesa Sinovac que será produzida pelo Instituto Butantan, de São Paulo.

"Presidente, a China é uma ditadura, não compre essa vacina, por favor. Eu só tenho 17 anos e quero ter um futuro, mas sem interferência da Ditadura chinesa", comentou um usuário. O presidente respondeu: "NÃO SERÁ COMPRADA", em caixa alta.

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Outra usuária que disse para o presidente exonerar o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, "urgente" porque ele estaria sendo cabo eleitoral do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), Bolsonaro respondeu que "tudo será esclarecido hoje". "NÃO COMPRAREMOS A VACINA DA CHINA", voltou a dizer em caixa alta.

Na terça-feira, o Ministério da Saúde assinou um protocolo de intenções para adquirir 46 milhões de doses da Coronavac. O acordo foi fechado durante reunião do ministro Pazuello com governadores. "A vacina do Butantan será a vacina do Brasil", disse Pazuello, ao anunciar o acordo, depois de atritos com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), ex-aliado.

A outro usuário que disse que Pazuello os traiu ao comprar a vacina chinesa e disse que o presidente "se enganou mais uma vez", Bolsonaro afirmou que "qualquer coisa publicada, sem qualquer comprovação, vira TRAIÇÃO".

Doria faz campanha pró-Coronavac

Em meio a esta polêmica, o governador João Doria (PSDB) vai fazer um périplo em Brasília nesta quarta-feira, na tentativa de capitalizar o que seus aliados consideram uma vitória política do tucano, que pretende concorrer ao Palácio do Planalto em 2022.

O governador vai circular pelo Congresso Nacional acompanhado pelo Secretário de Estado de Saúde Jean Gorinchteyn, o secretário especial do governo de São Paulo em Brasília, Antonio Imbassahy, e o diretor do Instituto Butantã, Dimas Covas. No período da tarde, Doria e sua comitiva estadual participam de uma reunião com o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres.

Segundo o Palácio dos Bandeirantes, a expectativa era que a aquisição das vacinas ocorresse até o final do ano, após o imunizante obter o registro da Anvisa, e que a vacinação tenha início já em janeiro. O ministério havia informado que investiria R$ 1,9 bilhão na compra. O recurso extra será liberado por meio de medida provisória.

Possíveis adversários em 2022, o governador e o presidente adotaram, porém, discursos diferentes sobre a obrigatoriedade da vacinação. Doria é à favor e Bolsonaro contra.

No embate com Doria, Bolsonaro tem dito que a vacina tem que ter "comprovação científica" e criticado a China. O governo federal tem apostado na vacina desenvolvida pela universidade de Oxford. Assim como a chinesa, essa inglesa também está na fase 3 de testes, em que há uma vacinação em massa de voluntários.


Agência Estado/Dom Total



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