Coronavírus

22/10/2020 | domtotal.com

Segunda onda de coronavírus começa a se alastrar pelos países europeus

Irlanda e República Tcheca estão adotando medidas mais rígidas de confinamento, assim como País de Gales e Inglaterra

Mulher de máscara diante de centro de diagnóstico de covid-19 em Praga
Mulher de máscara diante de centro de diagnóstico de covid-19 em Praga (Michal Cizek/AFP)

As medidas para frear a propagação do coronavírus são cada vez mais intensas na Europa, com um confinamento parcial na República Tcheca a partir desta quinta-feira (22), ao mesmo tempo que duas regiões italianas decretaram toque de recolher, a Irlanda voltou a aplicar o confinamento e a Alemanha registrou um recorde de novos casos.

Na quarta-feira (21), a Irlanda se tornou o primeiro país da União Europeia (UE) a decretar um novo lockdown para conter a disseminação do coronavírus. Na esperança de "celebrar o Natal de maneira adequada", nas palavras do primeiro-ministro Micheal Martin, os irlandeses deverão permanecer em casa por seis semanas, mas as escolas permanecerão abertas.

No Reino Unido, o País de Gales (que tem 3 milhões de habitantes) estará sujeito, a partir de amanhã (23), a um confinamento de duas semanas, a medida mais dura já adotada no país desde a primeira onda da doença.

Na Irlanda e no País de Gales, estabelecimentos comerciais não essenciais serão fechados. Além disso, os irlandeses poderão deixar suas casas apenas para se exercitar em um raio de cinco quilômetros de suas residências, sob pena de multas.

Na Inglaterra, reuniões de mais de seis pessoas já foram proibidas, e 28 milhões de pessoas (metade da população), incluindo Londres, estão sujeitas a medidas ainda mais rígidas.

Na terça-feira (20), Manchester, uma cidade de 2,8 milhões de habitantes no noroeste da Inglaterra, foi colocada em nível de alerta máximo. A medida significa o fechamento de bares e pubs que não servem comida e a proibição de reuniões com pessoas de casas diferentes. Yorkshire enfrentará as mesmas medidas a partir de sábado.

Itália

Os sinais também são vermelhos na Itália, onde a rica região da Lombardia - ao norte - e de Campânia - a sudoeste - estabelecerão toque de recolher a partir de hoje das 23 às 5 horas durante três semanas.

Primeiro país da Europa atingido pela pandemia, a Itália registra desde sexta-feira (16) um aumento acentuado no número de contágios, com mais de 10 mil por dia. A Lombardia, seu coração econômico, é, mais uma vez, a mais afetada. O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, estuda a possibilidade de aplicar nos fins de semana em todo o país um toque de recolher das 23 às 5 horas.

Na região da Campania (sul), onde fica a cidade Nápoles, o presidente da região, Vincenzo De Luca, anunciou a proibição de sair de casa a partir de sexta-feira às 23 horas, mas não revelou o horário final do toque de recolher nem o tempo de duração da medida.

França, Eslovênia e República Tcheca

A situação é ainda pior na França, que na terça-feira (20) registrou 163 novas mortes e mais de 20 mil novos casos. As grandes metrópoles, incluindo Paris, ou seja, 20 milhões de pessoas, estão sujeitas a um toque de recolher das 21 às 6 horas desde o fim de semana.

O toque de recolher também entrou em vigor na Eslovênia, na terça-feira: seus 2 milhões de habitantes não poderão sair entre 21 e 6 horas. Na República Tcheca, o governo anunciou um confinamento parcial: restrição de deslocamento, exceto para trabalho, compras e visitas médicas, fechamento de lojas e serviços.

"O governo vai limitar os deslocamentos e os contatos com outras pessoas, com exceção das saídas para trabalhar, fazer compras e procurar médicos", anunciou na quarta-feira o ministro da Saúde e epidemiologista Roman Prymula. Na terça-feira, os tchecos registraram o maior número de novos casos e de mortes por 100 mil habitantes em duas semanas.

Rússia, Alemanha, Espanha e Polônia

A Rússia registrou 317 mortos em 24 horas, o maior número em um dia desde o começo da pandemia. Moscou acumula 377.017 casos de Covid-19 e 6.121 mortes, 63 em 24 horas. Apesar do aumento do número de casos nas últimas semanas, as autoridades russas descartaram a possibilidade de adotar medidas drásticas como o lockdown ou a paralisação de setores econômicos.

A Alemanha registrou 7.595 novos casos em 24 horas, o segundo número mais elevado desde o início da pandemia, segundo dados do Instituto Robert Koch (RKI) de virologia. O total de contágios é de 380.762, com 9.875 mortos. 

O ministro de Saúde, Jens Spahn, que testou positivo para Covid-19, disse que não descarta a possibilidade de estender a outras partes do país as restrições adotadas em Berchtesgaden (sul), por causa da elevada incidência com 262,4 novos contágios em cada 100 mil habitantes em uma semana. "É esse o enfoque que temos de ter, tomar medidas a nível federal, senão elas vão ser sempre adaptadas às situações. Estou certo que assim elas terão maior aceitação".

A situação também é grave na Espanha, o primeiro país da UE e o sexto do planeta a superar a marca de um milhão de contágios. As autoridades espanholas adotaram novas restrições, com o fechamento parcial de algumas cidades e regiões.

A Polônia também cogita endurecer as medidas, segundo o primeiro-ministro Mateusz Morawiecki, que deseja ampliar as restrições que entraram em vigor na semana passada em quase metade do território, declarado "zona vermelha", ante o aumento de casos. "Vou recomendar que a partir de sábado toda a Polônia seja considerada 'zona vermelha'", declarou Morawiecki.

Hospitais nos EUA começam a ficar lotados

Nos EUA, os hospitais começam a ficar lotados por causa de um novo aumento de casos de Covid-19, em um momento em que vários estados estão registrando números recordes de hospitalizações e as autoridades se esforçam para encontrar leitos e funcionários da área de saúde adicionais. Vários médicos disseram que esse aumento de casos e hospitalizações é alarmante.

"Quando vemos que as internações estão aumentando, significa que já estamos com problemas", disse a epidemiologista Saskia Popescu, da Universidade George Mason. Os Estados Unidos lideram a lista de países afetados pelo coronavírus. Registraram mais de 8 milhões de casos desde o início da pandemia e mais de 220 mil mortes. A média de casos em sete dias chegou a 60 mil o maior número desde julho.

Aumento da gravidade

A pandemia provocou ao menos 1.126.465 mortes no mundo desde o fim de dezembro, 254.300 delas na Europa, segundo um balanço feito por agências internacionais. O número de infectados acumulados diagnosticados se aproxima de 41 milhões. A lista de países com mais vítimas fatais é liderada pelos Estados Unidos (221.930), seguido por Brasil (155.403), Índia (115.914), México (86.993) e Reino Unido (43.967).

"A situação é globalmente muito grave", afirmou em uma entrevista coletiva Lothar Wieler, presidente do instituto de vigilância epidemiológica Robert Koch (RKI). "O vírus pode estar se propagando sem controle em algumas áreas desde setembro", declarou Wieler, antes de explicar que os "jovens são atualmente os mais expostos ao vírus". "Quanto mais pessoas são infectadas em círculos privados, mais o vírus se espalha para outros lugares", disse.


AFP



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