Esporte

23/10/2020 | domtotal.com

Rei Pelé completa 80 anos com glórias e sucesso no mundo do futebol

Pelé marcou época com seus mais de mil gols e um extenso currículo de títulos na Seleção e no Santos

O Rei comemora gol marcado pela Seleção Brasileira na Copa de 1970
O Rei comemora gol marcado pela Seleção Brasileira na Copa de 1970

O futebol comemora nesta sexta-feira (23), o nascimento da maior figura esportiva da história do país. Há 80 anos, em Três Corações-MG, nascia o Rei do Futebol. Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, que mudou a história do esporte, da Seleção Brasileira e do Santos.

Em 21 anos de carreira, o Rei popularizou o esporte mais famoso do planeta e trouxe as primeiras três Copas do Mundo do Brasil , em 1958, 1962 e 1970, e se tornou o maior protagonista do esporte. Além de três títulos mundiais em quatro Copas disputadas, Pelé também é o maior artilheiro da Amarelinha, com 77 gols marcados em 92 jogos.

No Santos, Pelé formou times inesquecíveis ao lado de Dorval, Mengálvio, Coutinho e Pepe; venceu duas Libertadores, dois Mundiais, seis títulos brasileiros, três Torneios Rio-São Paulo e dez Campeonatos Paulistas. O Rei também quebrou a marca de 1 mil gols pelo Peixe, marcando 1.091 vezes em 1.116 jogos.

Foram 18 anos no Alvinegro entre 1956 e 1974. Nos últimos três anos de carreira, Pelé, já aposentado da Seleção Brasileira, aceitou o desafio de jogar no New York Cosmos dos Estados Unidos, onde se aposentou definitivamente em 1977.

Após pendurar as chuteiras, o Rei recebeu inúmeras condecorações em reconhecimento por sua carreira e legado. Em 1981, o jornal francês L'Equipe elegeu Pelé o atleta do século. Em 1998, a Fifa deu ao camisa 10 o título de melhor jogador do século 20. Aos 80 anos, o Rei segue sendo a figura mais importante da história do Santos, da Seleção Brasileira, detendo a artilharia história e grande parte das principais conquistas das equipes.

Currículo brilhante

A trajetória daquele que viria a ser conhecido como o Rei do Futebol começa de forma muito comum. Nascido em 23 de outubro de 1940, na cidade mineira de Três Corações, Pelé vem de “uma família das classes populares, que trabalhava duro para educar os filhos”, diz o pesquisador do Memofut (Grupo Literatura e Memória do Futebol) Rodrigo Saturnino.

Ainda na infância, um fato parece definir sua relação com o futebol. Ao ver o pai, o ex-jogador José Ramos do Nascimento, o Dondinho, chorar após a derrota da Seleção Brasileira na final da Copa do Mundo de 1950, o pequeno Edson promete que conquistaria o primeiro Mundial do país.

Mas antes de cumprir esta promessa, Pelé daria os primeiros passos no esporte na cidade paulista de Bauru, para onde a família dele se mudou durante sua infância. Lá, defendeu várias equipes amadoras de futebol de campo e salão, até que, ao completar 15 anos, foi levado para fazer um teste no Santos. Aprovado, foi contratado em junho de 1956 e começou a defender a equipe da Vila Belmiro.

No Santos, desandou a marcar gols, o que lhe garantiu a primeira convocação para a Seleção Brasileira em 1957 para participar da Copa Roca, competição na qual fez seu primeiro tento e iniciou uma caminhada de conquistas.

Pelé (direita) em jogo contra a Argentina durante a Copa Roca de 1957 - Arq. Nacional/ Correio da Manhã.Pelé (direita) em jogo contra a Argentina durante a Copa Roca de 1957 - Arq. Nacional/ Correio da Manhã.

No extenso currículo do rei, ele se destaca por ser, aos 17 anos, o jogador mais jovem a marcar um gol e vencer uma Copa do Mundo. Também é o maior artilheiro da Seleção Brasileira, com 77 gols em 92 jogos, marca que pode ser superada por Neymar, também revelado pelo Santos e atualmente com 64 gols.

A lista de candidatos para destroná-lo sempre foi seleta, mas polarizada: Di Stéfano, Maradona e Messi. Embora Pelé peça para que não sejam ignorados Beckenbauer ou Cruyff.

Pai de sete filhos e casado três vezes, o Rei agora evita aparições públicas, nas quais às vezes é visto em uma cadeira de rodas. Sua família diz que sonha em viajar para o Mundial do Catar em 2022. E ele, brincando, responde que não tem "condições para jogar".

Futebol depois de Pelé

As divididas eram ferozes, mas a bola passava de pé em pé sem pressa. Hoje, a pressão é sufocante e os juízes são apoiados pelo árbitro de vídeo (VAR). Desde que o aniversariante Pelé pendurou as chuteiras, há 43 anos, o futebol ficou "difícil" de jogar, embora, segundo o Rei, em detrimento do espetáculo.

O debate sobre qual futebol é melhor, o antigo ou o moderno, polariza. Mas as muitas mudanças no esporte mais popular do mundo desde que Pelé parou de pisar nos gramados, em 1º de outubro de 1977, estão diante dos olhos dos mais distraídos. "Jogar hoje é mais difícil do que antes, sem dúvida. No meu tempo ... eu acho que a gente tinha um pouco mais de liberdade para parar a bola", disse Edson Arantes do Nascimento à CNN em março.

O vídeo em preto e branco mostra um jovem correndo atrás de uma bola de couro. Os adversários tentam, um a um, alcançá-la. Um deles se esforça ao máximo. O atacante se esquiva, marca e comemora. A imagem se repete em muitos dos mais de mil gols marcados pelo Rei.

"Era um futebol com menos dificuldade do que hoje, se marcava menos. Havia mais entradas duras, mas dava para jogar. Você pegava a bola e o marcador ficava a dois metros, três, agora quando você recebe a bola, já tem um cara em cima querendo tirar. Agora existe pressão, antes pressão era um conceito que não existia", afirma Jorge Barraza, autor do livro Futebol, ontem e hoje.

Hoje, uma ação ofensiva de Messi sintetiza a transformação do futebol. Os adversários tentam prendê-lo na "jaula" e nem sempre ousam mostrar-lhe as travas das chuteiras, com medo de um cartão amarelo ou vermelho, que foram introduzidos na Copa do Mundo de 1970, a última na qual Pelé participou, vencida pelo Brasil.

Menos show

A pressão é atribuída ao holandês Rinus Michels, que colocou em prática no Ajax e na seleção da Holanda em 1974, três anos depois de Pelé deixar de jogar pela Seleção Brasileira. A tática foi aperfeiçoada ao longo dos anos, é a arma de times como Liverpool ou Bayern de Munique.

A 'pressão' também depende da velocidade. Basta comparar vídeos para perceber que a bola, hoje mais leve, se move mais rápido. "Hoje há muito mais velocidade e é mais difícil fazer as coisas", diz o uruguaio Enzo Francescoli. Para Pelé, na sua época havia "mais espetáculo" porque marcar não era prioridade. "Quem paga para ir ao estádio, paga pelo espetáculo, não paga pela falta, pela marcação", afirma.

As seleções brasileiras históricas apresentavam formações ofensivas. O Brasil de 1970, para muitos o melhor time da história, alinhava quatro pontas e dois meio-campistas, contra os posteriores esquemas táticos 4-3-3, 4-4-2, 3-5-2 ou 4-2-3-1.

Durante grande parte do século passado, os goleiros eram capazes de pegar a bola com as mãos quando devolvida por um companheiro de equipe. Após a Copa de 1990 na Itália, com a chamada 'Lei Higuita', em referência ao goleiro colombiano, foi banida. A partir dos pés de alguns goleiros, começa a ação ofensiva, ao mesmo tempo em que os primeiros movimentos pela igualdade de gênero foram dados com a realização da primeira Copa do Mundo Feminina (China-1991).

Uso da tecnologia

Se o questionado VAR, usado desde 2016, existisse no Mundial do México em 1986, talvez o duelo Pelé-Maradona não existisse. A Copa do Mundo promoveu o mito do argentino, que divide com o brasileiro o título de melhor jogador do século 20 para a Fifa.

A 'mão de Deus' certamente não teria passado pelo filtro da arbitragem por vídeo, e Maradona teria permanecido um ser terreno. E a enxurrada de pontapés que tirou o Rei da Copa na Inglaterra em 1966 poderia ter sido punida e o Brasil, que defendia o título na época, teria passado da primeira fase. "Se a tecnologia avança como avança, se todos os esportes a usam, por que não usá-la no futebol?", questiona o argentino.

No Mundial de 2014, no Brasil, as novas tecnologias chegaram com força. O sistema de detecção automática de gols (DAG), que alerta o juiz quando a bola cruza a linha, validou um gol oficial pela primeira vez. O spray que define a distância entre a barreira e a bola também estreou em uma Copa do Mundo.

A irrupção tecnológica, com as redes sociais no meio, é a última mudança significativa em um esporte que Pelé ajudou a popularizar e que hoje movimenta cerca de US$ 500 bilhões por ano, segundo a consultoria Deloitte, com contratações e salários exorbitantes. "Em um mês, ganho mais do que meu pai em toda a vida", disse uma vez o italiano Genaro Gattuso.

Homenagens

Ex-companheiros e adversários dedicam mensagens para relembrar as façanhas do mineiro, entre elas os 1.281 gols em 1.363 partidas, número questionado por alguns por incluir jogos não profissionais. "Pelé, além de ser o melhor jogador de todos os tempos, é um símbolo da excelência, da precisão, do talento, no futebol e em todas as atividades humanas", disse Tostão, companheiro com quem brilhou na conquista da Copa do Mundo no México em 1970.

"Você é o melhor de todos os tempos", disse o alemão Franz Beckenbauer, companheiro de time no Cosmos em Nova York no final de sua carreira. O ex-meia Paulo Roberto Falcão afirmou que o ex-jogador do Santos é responsável pelo "reconhecimento internacional" do Brasil como potência do futebol.

"Até o aparecimento de Pelé, o Brasil tinha um futebol considerável (...). A partir de Pelé, tornou-se o futebol mais vencedor do mundo", explica Jorge Barraza, autor do livro Futebol, ontem e hoje.

Também foi elogiado por músicos com quem compartilhou alguma canção, numa faceta artística que o levou a atuar em Hollywood. E até políticos, que podem ser considerados 'colegas' depois que ele foi ministro dos Esportes durante parte do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). "Meus parabéns. Oitenta anos, 800, mais de 800, mil e tantos gols, tantas coisas lindas na sua vida!", escreveu o cantor e compositor Gilberto Gil.


AFP/ Gazeta Esportiva/ Agência Brasil



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