Cultura Cinema

30/10/2020 | domtotal.com

'A cidade em movimento' exibe 16 trabalhos feitos na RMBH e reflexão sobre a pandemia

Mostra com 16 filmes integra programação da 14ª CineBH, em cartaz on-line até segunda

Cena do filme 'Luz nos trópicos'
Cena do filme 'Luz nos trópicos' (Clara Choveaux/Divulgação)

Por Larissa Troian

A Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), a vida urbana e suas múltiplas relações é o tema da mostra A cidade em movimento, um dos recortes que compõem a programação da 14º edição da CineBH Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte, que, este ano, disponibiliza sua programação virtual e gratuitamente. 

Aberto na noite de quinta-feira (29), o festival exibe 54 trabalhos nacionais e internacionais, além de debates, rodas de conversa e o 11º Brasil CineMundi ?" International Coproduction Meeting, que promove encontros para o desenvolvimento de coproduções internacionais . 

A partir do dia 30 de outubro, 16 curtas e médias-metragens de BH e região metropolitana serão apresentados na 14ª Cine BH, promovendo reflexões sobre a pandemia e seus reflexos na vida citadina. Sob o tema de Sonhar a cidade, a proposta da curadora Paula Kimo foi de pensar a relação entre a cidade e o sonho. Paula explica que "é interessante pensar a articulação entre o sonho, a cidade, a produção artística e o impacto da pandemia nas nossas vidas porque somos atravessados por tudo isso".

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Vem vindo alguém, será? de Luis Evo / Foto: Divulgação

A curadora detectou que a cidade se tornou espaço provisoriamente restrito, o que concentrou a conexão com ambientes domésticos e as redes, sejam virtuais ou psicológicas. "Talvez para a grande maioria de trabalhadores, a vida segue uma falsa normalidade, na qual as máscaras fazem parte do cotidiano e o risco de contrair a doença ameaça, mais uma vez, a população menos favorecida. Ainda nesses tempos, os sonhos passaram a inundar noites e dias, ocupando espaço na arte e na poesia, provocando o trânsito e o encontro mesmo num contexto de confinamento social", comenta Paula Kimo. Ainda segundo ela, "o fenômeno das lives tem a ver com a sobrevivência dos debates, das manifestações, com o possível. É uma transformação radical das relações".

Para esta edição, quatro sessões foram definidas de forma a tematizar diversos aspectos e colocar em debate, nas Rodas de Conversa transmitidas pelo site do evento, as relações e conexões entre os filmes e a temática.

A primeira sessão, Pandemia criativa, reúne um conjunto de filmes produzidos nesse cenário de exceção sanitária, em Belo Horizonte, em sua maioria gravados de forma independente e isolada, mas também em atrito com a cidade e suas subjetividades. Organizados juntos, tais filmes convidam a pensar os limites e as possibilidades de criação audiovisual no contexto da pandemia.

A segunda sessão é intitulada Corpos dissidentes, com filmes que transitam pelo universo LGBTQIA+. Corpos que renunciam aos padrões hétero e cisnormativos buscam falar da diversidade sexual, liberdade, amor e invenção; encontros, olhares e ritos de passagem traduzem gestos políticos de uma comunidade que se coloca e se impõe na dinâmica social e também nas telas do cinema.

Em O teatro em cena, produções que discutem o teatro belo-horizontino e seus desafios diante de uma situação emergencial que fechou as salas de espetáculo e os espaços coletivos onde os artistas se apresentavam, criando um vácuo de incertezas sobre o futuro. 

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Cena do filme 'Ao teatro', de Rita Clemente / Foto: Charles Carvalho

Por fim, a quarta sessão se chama A paz é branca ou a resistência tem cor e reúne três curtas-metragens sobre histórias, personagens e obras do cinema negro belo-horizontino, com filmes que tematizam o debate sobre o racismo e seu enfrentamento, por meio da expressão artística e política.

Sobre a mostra CineBH

A CineBH Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte, é o evento de cinema da capital mineira que chega a sua 14º edição de 29 de outubro a 2 de novembro de 2020, em formato online, em razão da pandemia de Covid-19.

Raquel Hallak, coordenadora geral do evento, explica que "a Mostra CineBH é um empreendimento internacional que dialoga com o tempo presente com foco no mercado audiovisual". Em sua 14º edição, apresenta a produção contemporânea nacional e internacional em 54 filmes, ao mesmo tempo, em que seleciona 23 projetos de cinema brasileiro em longa-metragem em fase de desenvolvimento, produção e finalização para serem apresentados para profissionais da indústria audiovisual - o cinema do presente e do futuro - estão na programação do evento.

Além disso, o evento investe na formação e capacitação de profissionais com a oferta de oficinas, masterclasses internacionais e laboratórios de roteiro, realiza sessões cine-escola, Mostrinha de Cinema - dedicada ao público infanto-juvenil, e conta com exposição e atrações artísticas ao vivo em cinco dias de programação oferecida gratuitamente ao público.

A temática desta edição é Arte viva: Redes em expansão. A escolha explicita a percepção da equipe curatorial do evento, formada pelos críticos e pesquisadores Pedro Butcher, Francis Vogner dos Reis e Marcelo Miranda, de um cenário histórico e inédito em que todo tipo de criação artística passou a ser transmitido no formato audiovisual.

"Em tempos de lives, shows online, performances ao vivo ou gravadas, o que pode, afinal, ser chamado de filme? A essa altura, nesse momento específico, o que diferencia uma peça de teatro de um espetáculo musical de um longa ou curta-metragem, se todos chegam aos olhares do mundo inteiro por telas e dispositivos?", questiona Raquel.

Para Daniele Ávila Small, que também integra a equipe de curadores da 14º CineBH, o experimento de outros regimes de presença no cotidiano é uma pauta urgente: "Há perdas, mas também há ganhos; não é a mesma coisa que estar de corpo presente ao vivo no mesmo espaço, mas é uma oportunidade gigante poder fazer teatro para pessoas em lugares em que há pouca circulação de espetáculos, ou para pessoas que têm restrições (físicas, financeiras, sociais, geográficas) de locomoção. É uma forma de acesso".

 A proposta da 14a CineBH, portanto, é pensar essa rede de relações entre arte e audiovisual que se criou a partir da emergência da pandemia. Segundo Raquel, "podemos constatar que o audiovisual se tornou cada vez mais indispensável à vida em sociedade e, de maneira, cada vez mais veloz, atualiza assuntos, informações, modos de fazer, comportamento, cotidiano, parâmetros, linguagem, criação". Para a curadora, "seus meios de exibição e transmissão estão presentes em todos os lugares e mentes; em cenário de pandemia, histórico e inédito todo tipo de criação artística passou a ser transmitido no formato audiovisual".

A CineBH coloca em destaque o trabalho o Pandêmica Coletivo Temporário de Criação, um grupo de artistas várias regiões do Brasil se uniu e fundou, ainda em março. Conduzido por Juracy de Oliveira, ator e diretor cearense radicado no Rio de Janeiro, o grupo tem se dedicado à pesquisa em criações remotas transmitidas pelo Zoom. Uma das principais características da iniciativa é a presença de artistas de teatro de diversas cidades do país, de diferentes gerações e lugares sociais.

Um dos destaques da programação é a realização do Brasil Cinemundi -International coproduction meeting, que celebra em neste ano 11 anos de existência. Consolidado como ambiente de mercado e plataforma de rede de contatos e negócios para o cinema brasileiro, o evento faz a conexão entre a produção brasileira e a indústria audiovisual. Conta, nesta edição, com participação de 27 internacionais da indústria audiovisual para conhecer e fazer negócios com futuros projetos de cinema brasileiro em longa-metragem.

O evento cria pontes para dialogar e compartilhar histórias. É um espaço de formação, intercâmbio, lançamento e discussão da mais significativa produção cinematográfica atual. A cada edição renova seu compromisso de estabelecer diálogo entre as culturas, ampliar as oportunidades de negócios para o cinema brasileiro e promover a conexão de profissionais com o mercado audiovisual em intercâmbio com o mundo.

Os curadores apontam que "realizar este empreendimento cultural ousado e inovador neste cenário de transições e transformações representa compromisso, responsabilidades e ações compartilhadas em que a vontade, a persistência e a determinação são ingredientes que ampliam as possibilidades de seguir acreditando na potência da nossa cultura".

Programação da temática Sonhar a cidade

Sessão 1: Pandemia criativa

Destino, de Matheus Gepeto (3min, 2020)
Presa, de Joana Bentes (3min, 2020)
Vem vindo alguém, será? , de Luis Evo (1min, 2020) [FILME CONVIDADO]
Aqui, nem eu, de Gustavo Aguiar, Gustavo Koncht, Raiana Viana, Maria Flor de Maio (6min, 2020)
Cidade sem mar, de Felipe Nepomuceno (5min, 2020)
O menino e o gato, de Célio Dutra (10min, 2020)
Submundo, de Adriano Gomez (1min, 2020)
Vigília, de Rafael dos Santos Rocha (8min, 2020)

Roda de conversa: 30 de outubro, sexta-feira, às 19h.
Convidado especial: João Paulo Campos, crítico e pesquisador de cinema.

Sessão 2: Corpos dissidentes

Looping, de Maick Hannder (12min, 2019) [FILME CONVIDADO]
Babi & Elvis, de Mariana Borges (17min, 2019)
Exu matou um pássaro, de Vinicius Sassine (24min, 2020)

Roda de conversa: 31 de outubro, sábado, às 19h.
Convidada especial: Juhlia Santos, jornalista, performer e produtora.

Sessão 3: O teatro em cena

Ao teatro, de Rita Clemente (15min, 2020)
Cenas Curtas 20 Anos: A festa dos encontros, de Marcos Coletta e Paula Dante (46min, 2019)

Roda de conversa: 1º de novembro, domingo, às 19h.
Convidada especial: Marina Viana, atriz e dramaturga.

Sessão 4: A paz é branca ou a resistência tem cor

Kilombo Souza - Memória, história e resistência, realização coletiva (6min, 2019)
Coragem, de Mel Jhorge (26min, 2019)
Calmaria, de Catapreta (24min, 2019)

Roda de conversa: 2 de novembro, segunda-feira, às 19h.
Convidada especial: Maya Quilolo, antropóloga, mestre em Comunicação e realizadora audiovisual.

A programação completa da 14 CineBH Internacional de Cinema de Belo Horizonte pode ser acessada no site oficial do evento.


Redação Dom Total



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