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30/10/2020 | domtotal.com

Na reta final, Trump e Biden fazem campanha na disputada e dividida Flórida

Candidatos mostram divergências sobre os números do PIB divulgados nesta quinta

O presidente republicano segue um ritmo frenético de campanha enquanto Biden mantém uma baixa intensidade
O presidente republicano segue um ritmo frenético de campanha enquanto Biden mantém uma baixa intensidade (Jim Watson, Brendan Smialowski/AFP)

Atualizado às 10h40

A cinco dias das eleições nos Estados Unidos, Donald Trump e Joe Biden levaram na quinta-feira (29), a campanha para um terreno conhecido da vida eleitoral americana: a Flórida. Os dois realizaram comícios em horários diferentes na cidade de Tampa. Para convencer os indecisos, o presidente usou o crescimento de 7.4% do PIB no terceiro semestre para tentar frear o rival democrata.

As diferenças entre os dois candidatos, no entanto, eram gritantes. Trump fez um comício no estádio do Tampa Bay Buccaneers, time de futebol americano, para uma multidão aglomerada e, na maioria das vezes, sem máscaras. Biden discursou horas depois em um drive-in, com seus eleitores dentro dos carros.

Há boas razões para que os dois candidatos tenham escolhido fazer campanha na Flórida a cinco dias da eleição. Os seus 29 votos no colégio eleitoral representam quase o dobro de Michigan (16) e o triplo de Wisconsin (10), por exemplo. As eleições no estado costumam ser decididas por menos de um ponto porcentual e Trump e Biden aparecem praticamente empatados nas pesquisas.

Mas há uma razão melhor ainda para os dois candidatos terem escolhido Tampa. O condado de Hillsborough, onde fica a cidade, é um microcosmo dos EUA, com equilíbrio entre eleitores republicanos, democratas e independentes. Em 11 das últimas 13 eleições presidenciais, o vencedor no condado ganhou a Casa Branca - uma das exceções foi Hillary Clinton, que venceu Trump em Tampa, em 2016.

"A Flórida tem a chave da eleição. Se ganharmos aqui, a eleição acabou", disse ontem o candidato democrata, com seu tradicional óculos de sol Ray-Ban. Biden fez uma blitz no Estado, com discursos em Miami e Fort Lauderdale, antes de chegar a Tampa.

No ataque

O presidente chegou à cidade mais cedo, no início da tarde. Em seu discurso, ao lado da primeira-dama, Melania, ele exaltou o crescimento da economia. "Estou muito contente que esse número do PIB tenha saído antes da eleição", disse Trump, que vem sendo aconselhado a falar mais sobre economia, uma das poucas áreas que ele, segundo pesquisas, aparece à frente de Biden.

No entanto, Trump não se manteve por muito tempo dentro do roteiro e logo passou a atacar a imprensa e o rival democrata. "Eles me pedem para falar sobre o sucesso que tive na economia, sobre o PIB. Quantas vezes eu preciso repetir, cinco ou seis? Eles me pedem para não falar mal do Biden. Dizem que ninguém se importa. Mas eu discordo. É por isso que eu estou aqui, e eles não."

Foi então que o presidente começou a dispara contra o democrata, acusando Biden de estar a serviço da Rússia e da China e de ser culpado pelo tombo recente do mercado financeiro. Em determinado momento, Trump disse que, se Biden for eleito, "não haverá festas de Natal" - um ataque que ele vem utilizando com frequência.

No fim, o presidente voltou a atacar a imprensa, principalmente a rede de TV CNN e o jornal The New York Times. "A imprensa livre nos EUA realmente é a inimiga do povo", disse o presidente. A reclamação mais recente de Trump é com relação a um artigo anônimo publicado em 2018 pelo Times.

No texto, assinado por um funcionário do alto escalão do governo ele afirmava que fazia parte de uma "resistência" e seu objetivo era conter as intenções do presidente. Na quarta-feira, Miles Taylor, ex-chefe de gabinete do Departamento de Segurança Interior (DHS), revelou ser o autor do artigo. "Quem é esse sujeito?", ironizou Trump. "Diziam que ele era um funcionário do alto escalão do governo, mas ninguém na Casa Branca nunca ouviu falar dele."

Trump se impôs na Flórida em 2016 mas, segundo uma pesquisa do NBC News/Marist publicada na quinta-feira (29), Biden tem uma leve vantagem de 51 contra 47, com uma margem de erro de 4,4 pontos. Segundo esses dados, Trump lidera as preferências entre os latinos com diferença, 52 contra 46, um grupo que na última eleição não o apoiou.


A cinco dias das eleições nos Estados Unidos, o presidente republicano Donald Trump fará campanha pela primeira vez no mesmo estado que o rival democrata Joe Biden, já que ambos têm eventos programados nesta quinta-feira em Tampa, no cobiçado estado da Flórida.

Recuperação ou prejuízo?

Os números do PIB para o terceiro trimestre, que mostraram um recuperação espetacular com um crescimento recorde do PIB de 33,1% em uma projeção anual, encorajaram Trump. Depois que a crise gerada pela pandemia destruiu a atividade no segundo trimestre, com uma queda do PIB de 31,4%, a economia começa a se recuperar.

Trump comemorou o indicador como os números "melhores e maiores" da história do país e estimou que o próximo ano será "fantástico". No entanto, alertou que, se Biden vencer, o novo presidente irá impor um aumento dos impostos que sufocaria a recuperação.

Para Biden, o panorama é outro, um que inclui uma pandemia que deixou mais de 227 mil mortos e milhões de desempregados nos Estados Unidos. O democrata considera que o relatório do PIB ressaltou três fatos incontestáveis: que a economia está em um colapso profundo, a falta de ação de Trump e que a recuperação está desacelerando. "A recuperação em andamento está ajudando aqueles de cima, mas deixa dezenas de milhares de famílias e pequenos negócios para trás", afirmou em um comunicado.

Os números mostram como a atividade e o consumo - que é o motor da economia - estiveram sustentados neste período pelo pacote de estímulos de quase US$ 3 trilhões aprovado no Congresso. Mas, desde então, essas ajudas se extinguiram e democratas e republicanos fracassaram em chegar a um novo pacote de estímulo para empresas e trabalhadores. As expectativas para um acordo no final da legislatura são baixas.


AFP/Agência Estado/Dom Total



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