Religião

10/11/2020 | domtotal.com

Missionário sequestrado por dois anos é recebido pelo papa

Padre italiano foi mantido em cativeiro por grupo jihadista no Mali e no Níger, sendo libertado há um mês

Papa Francisco e o padre Maccalli no Vaticano
Papa Francisco e o padre Maccalli no Vaticano (Vatican Media)

O papa recebeu esta segunda-feira (9), no Vaticano, o missionário italiano Pierluigi Maccalli, um mês após a libertação do sacerdote católico no Mali, após dois anos de rapto.

"Fiquei emocionado, especialmente por contar ao papa tudo o que eu passei e por confiar à sua oração, especialmente, as comunidades às quais me dedicava e que agora estão sem uma presença missionária e um padre há mais de dois anos", disse o membro da Sociedade de Missões Africanas. O sacerdote mostrou-se ainda emocionado por um gesto do papa, na despedida, quando Francisco decidiu beijar-lhe as mãos.

Originário de Madignano, na Itália, foi libertado em 8 de outubro passado, após dois anos de prisão entre o Níger e Mali, mantido em cativeiro por um grupo jihadista. Na audiência com Francisco ele recordou o que viveu nesse período, recebendo pessoalmente a acolhida do papa. No Dia Mundial das Missões (18 de outubro), perante milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, o papa manifestou publicamente a sua gratidão pela libertação do padre Maccalli.

Entrevista

Padre Maccalli: Foi um encontro muito, mas muito belo. Fiquei emocionado, especialmente por contar ao papa o que eu passei e depois confiando à sua oração, especialmente as comunidades para as quais eu me dedicava e que agora estão sem uma presença missionária e um padre há mais de dois anos. Eu disse ao papa para levar a Igreja do Níger com ele em oração. O papa estava muito atento, me ouviu com muita atenção. Eu também lhe disse um grande "obrigado" por ter rezado por mim, junto com a Igreja, e depois no Angelus do Dia Mundial das Missões, quando ele pediu um aplauso da praça pela minha libertação. Eu lhe agradeci e ele respondeu: "Nós o apoiamos, mas você apoiou a Igreja". Eu não tinha palavras diante disso: eu, um pequeno missionário e ele me dizendo isso... Realmente não tenho palavras".

O que representa para o senhor e sua história como missionário marcado, principlamente, por este longo sequestro receber este carinho do papa Francisco?

Padre Maccalli: Era o abraço de um pai, este pai que eu carrego em oração todos os dias. Encontrá-lo diante de mim foi uma grande emoção e um sentimento de grande gratidão. Eu jamais pensaria que um missionário que vai para a periferia do mundo pudesse um dia encontrar-se diante do próprio papa, que apóia a Igreja universal. São emoções difíceis de expressar... Continuo dizendo, obrigado, obrigado, obrigado.

Há uma palavra em particular que o papa lhe disse e que o senhor levará em seu coração para sempre?

Padre Maccalli: Mais do que uma palavra, um gesto. Quando nos despedimos, eu apertei a sua mão e ele beijou as minhas mãos. Isso eu não esperava....

Na sua homilia de ontem (08/11) em Roma o senhor disse: rezei com lágrimas e o deserto foi uma experiência de essencialidade. O quanto esses dois anos afetaram sua fé?

Padre Maccalli: As lágrimas foram meu pão por muitos dias e foram minha oração quando eu não sabia o que dizer. Um dia até o anotei. Li em alguma história rabínica que Deus conta o número de lágrimas das mulheres e eu lhe disse: "Senhor, quem sabe conta também as dos homens". Eu as ofereço em oração para regar a terra árida da missão, mas também a terra árida dos corações que sentem ódio causando guerra e violência". No deserto se vai sempre ao essencial. Lá você percebe que o essencial é ter água para beber, ter algo para comer, mesmo que seja a mesma comida todos os dias, cebolas, lentilhas e sardinhas. Mas você vê que não são os pratos refinados que fazem a substância. Este também é o caso na vida espiritual: o que conta é shalom, perdão e fraternidade, e como missionário me sinto ainda mais encorajado a ser um testemunho de paz, fraternidade e perdão, hoje e sempre.


Vatican News/Ecclesia/Dom Total



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