Coronavírus

11/11/2020 | domtotal.com

Especialistas dizem que a politização da vacina contra Covid é um desserviço

'Estamos vivendo um momento crítico e a solução para o que está acontecendo está na ciência'

A diretora da Anvisa, Alessandra Bastos, o diretor-presidente, Antonio Barra e o gerente-geral de Medicamentos e Produtos Biológicos, Gustavo Mendes, durante coletiva para falar sobre a interrupção dos estudos da vacina Coronavac
A diretora da Anvisa, Alessandra Bastos, o diretor-presidente, Antonio Barra e o gerente-geral de Medicamentos e Produtos Biológicos, Gustavo Mendes, durante coletiva para falar sobre a interrupção dos estudos da vacina Coronavac (Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr)

Especialistas não veem erro técnico na suspensão dos testes da Coronavac, diante de um "evento adverso grave", no caso a morte inesperada de um voluntário. No entanto, a politização de todo o processo, dizem, presta um desserviço, pois acirra os ânimos e provoca mal-entendidos, além de criar um clima de desconfiança na população.

"O posicionamento da Anvisa de suspender o teste é algo que pode acontecer. A morte em qualquer circunstância de uma pessoa participando da pesquisa é um alerta. Mesmo em um caso de suicídio, poderia ser causado por uma depressão provocada pela vacina? É algo raríssimo, mas poderia", disse Gonzalo Vecina, fundador da Anvisa e médico Sanitarista.

Leia também:

"Acho um absurdo essa suspensão unilateral por parte da Anvisa. Isso teria que ser feito em conjunto com o Butantã", afirmou o virologista Flávio Guimarães, do Centro de Tecnologia de Vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). "Num estudo de fase 3, qualquer problema de saúde deve ser comunicado, mas para o Butantã estava claro que a morte não estaria relacionada à vacina. Para mim, parece claro que é uma decisão política".

Para a vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunização (Sbim), Isabella Ballalai, o mais grave é a comunicação truncada . "A população nunca viveu de perto uma pesquisa de vacina, mas esses eventos são esperados. Os voluntários não estão vivendo numa bolha, eles podem ter um câncer, ser atropelados, se suicidar, independentemente da vacina. Mas num estudo de fase 3, temos que determinar se há relação causal entre a vacina e o evento, tudo tem que ser comunicado e estudado", explicou.

Guimarães lembra que a ciência deveria ser soberana em todo o processo. "Estamos vivendo um momento crítico, e a solução para o que está acontecendo está na ciência", disse o especialista.

Polícia diz não ter dúvidas quanto ao suicídio

A Polícia Civil de São Paulo não tem dúvidas de que o voluntário da Coronavac, um farmacêutico de 32 anos, cometeu suicídio. É esse episódio que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alega para suspender os testes da vacina contra a covid-19. Por sua vez, o governo do estado diz ser "impossível" que haja relação da morte com o imunizante.

Desde o dia 29 de outubro, às 16 horas, a polícia registrou a causa da morte como suicídio. A informação consta no Boletim de Ocorrência 2.460/2020 feito pelo 93º Distrito Policial (Jaguaré) ao qual a reportagem teve acesso.

Segundo o zelador do prédio da vítima, o companheiro do farmacêutico havia dado autorização para ele tocar a campainha e caso necessário, arrombar a porta. Com um segurança do condomínio, eles forçaram a entrada e encontraram o farmacêutico já sem vida.

O delegado foi até o local e não achou sinais de violência no apartamento. Ele requisitou perícia para a residência e para a vítima. Embora aguardem exame toxicológico para a confirmação formal, os investigadores não têm dúvida de se tratar de suicídio.

A reportagem apurou que a vítima se tornou voluntária da Coronavac no início de outubro - mas não há informação se ele, de fato, recebeu uma dose do imunizante ou placebo.

Interlocutores do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmaram à reportagem que o Palácio dos Bandeirantes vê com desconfiança a decisão da Anvisa e suspeita que agência atuou para criar um "alarmismo desnecessário".


Agência Estado/Dom Total



Comentários
Newsletter

Você quer receber notícias do domtotal em seu e-mail ou WhatsApp?

* Escolha qual editoria você deseja receber newsletter.

DomTotal é mantido pela EMGE - Escola de Engenharia e Dom Helder - Escola de Direito.

Engenharia Cívil, Ciência da Computação, Direito (Graduação, Mestrado e Doutorado).

Saiba mais!