Religião

18/11/2020 | domtotal.com

Nasce maior movimento de jovens economistas graças ao papa

Entre os conferencistas do evento Economia de Francisco, figuram Leonardo Boff e o prêmio Nobel da Economia Muhammad Yunus

O prêmio Nobel de Economia, o indiano Muhammad Yunus
O prêmio Nobel de Economia, o indiano Muhammad Yunus (Ralf Lotys/Sicherlich/Wikimedia Commons)

O prêmio Nobel da Economia, Muhammad Yunus, e o economista Jeffrey Sachs, autor do livro O Fim da pobreza, a ativista ambiental hindu Vandana Shiva, o sociólogo e fundador do movimento slow food Carlo Petrini ou o teólogo católico Leonardo Boff, um dos expoentes da teologia da libertação, estão entre os oradores do encontro A Economia de Francesco, que decorre a partir de Assis (Itália) e com ligações a 120 países diferentes, entre quinta-feira e sábado desta semana (19 a 21 de Novembro). O papa intervirá no final, também através de vídeo chamada.

A iniciativa, convocada pelo papa Francisco, era para ter sido realizada em Março, mas foi adiada devido à pandemia. O seu objetivo é colocar em diálogo jovens economistas e empreendedores do mundo inteiro, para imaginar como se pode criar uma economia mais justa, fraterna, inclusiva e sustentável, sem deixar ninguém para trás.

Tendo em conta as limitações devidas à pandemia, o encontro terá alguns participantes em Assis, mas os seus 2000 membros estarão, na maioria, ligados através de videoconferência, podendo falar e intervir nas mesmas condições, partilhando as suas experiências, trabalhos, propostas e reflexões desenvolvidas nos últimos meses, informa a Sala de Imprensa da Basílica franciscana de Assis, onde se localizará o centro do encontro.

"Haverá quatro horas por dia de transmissão ao vivo e uma maratona de 24 horas, a 20 de novembro, graças às ligações e contribuições de jovens ligados em 20 países diferentes, e Assis acolherá a ‘direção’ do evento e ligações ao vivo dos lugares históricos franciscanos": além da Basílica de São Francisco de Assis, também a Igreja de São Damião, a Basílica de Santa Clara e outros.

Além dos nomes já citados, o encontro prevê a participação de outros e outras economistas, empresários, investigadores ou líderes religiosos, com uma grande variedade de experiências. A lista vasta inclui mulheres e homens, africanos, asiáticos e latino-americanos, pensadores e ativistas. Destaquem-se mais alguns nomes e proveniências: Kate Raworth (economista, universidades de Oxford e Cambridge, Reino Unido), Pauline Effa (da Parceria França-África para o Co-Desenvolvimento, Camarões), John Perkins (autor e ativista, EUA), Jennifer Nedelsky (politólogo, Canadá), Stefano Zamagni (economista, presidente da Academia Pontifícia de Ciências Sociais), Juan Camilo Cárdenas (economista, Colômbia), Susi Snyder (Campanha Internacional para a Abolição de Armas Nucleares, Holanda), Raul Caruso (professor de Economia da Paz, Itália) ou Rob Johnson (Instituto para o Novo Pensamento Econômico, EUA).

Nasceu o maior movimento de jovens economistas

A primeira conferência será a de Jeffrey Sachs, que falará sobre "Aperfeiçoar a alegria: três propostas para deixar a vida florescer", depois de um vídeo com o título "Ouvir o grito dos mais pobres para transformar a terra", preparado pelo Movimento Internacional ATD Quarto Mundo.

"Graças a São Francisco e ao papa Francisco, nasceu o maior movimento de jovens economistas do mundo. É desta notícia que a sociedade e a Igreja precisam hoje", diz, citado pela mesma informação da Basílica de Assis, o diretor científico do encontro A Economia de Francesco, o italiano Luigino Bruni. A adesão dos jovens, aliás, foi notória.

Entre outros temas previstos, estão a reconversão industrial e a economia da paz, experiências em comunidades ecológicas e de transição social, a promoção do desenvolvimento a partir da base, ou os novos pilares do trabalho. Além das conferências "plenárias", haverá "aldeias" temáticas, sobre temas como trabalho e cuidados; gestão e doação; finanças e humanidade; agricultura e justiça; energia e pobreza; lucro e vocação; políticas para a felicidade; CO2 da desigualdade; negócios e paz; economia é mulher; negócios em transição; vida e estilos de vida.

Além do acompanhamento ao vivo, há lugares previstos para poder acompanhar em pequenos grupos, respeitando as medidas de segurança. A lista completa está também na página da iniciativa.

Se as condições de saúde pública o permitirem, está prevista uma sessão presencial, de novo em Assis, no outono europeu do próximo ano. Para já, alguns números dão ideia da dimensão que já atingiu A Economia de Francesco: 27 conferências preparatórias em vídeo, de Maio a Outubro, através das redes Facebook e YouTube, ligaram participantes em quase meia centena de países e foram vistas por 45.569 pessoas; entre os dois mil participantes menores de 35 anos há 56% de homens e 44% mulheres, entre economistas, empreendedores, estudantes, ativistas e assistentes sociais movidos pelo objetivo comum de construir um mundo mais justo e mais sustentável.



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