Meio Ambiente

19/11/2020 | domtotal.com

Estudo revela que declínio geral da fauna selvagem pode estar superestimado

Relatório publicado na 'Nature' questiona números por conta do método estatístico empregado

(2016) Glutão em zoológico de Rhodes, leste da França
(2016) Glutão em zoológico de Rhodes, leste da França (Frederick Florin/AFP)

Estudo publicado nessa quarta-feira (18) revela que o declínio catastrófico das populações mundiais de animais descrito em vários relatórios está superestimado devido ao método estatístico empregado. Ele questiona, por exemplo, um índice de referência citado pelo WWF.

O índice Planeta Vivo, elaborado a cada dois anos pela Sociedade Zoológica de Londres (ZSL), foi utilizado em setembro pelo fundo WWF para concluir que o mundo perdeu 68% dos vertebrados entre 1970 e 2016. O relatório anterior estabeleceu o declínio em 60% das populações de mamíferos, aves, peixes, répteis e anfíbios.

Os autores do relatório publicado nessa quarta-feira na revista Nature analisaram este último: examinaram 14 mil populações de vertebrados acompanhadas desde 1970 e concluíram que menos de 1% são vítimas de uma queda extrema.

No entanto, levá-las em consideração "altera fundamentalmente a interpretação da evolução geral dos vertebrados", estimam, acrescentando que essa mensagem de "catástrofe onipresente" pode levar ao "desespero, negação e inação". Portanto, sugerem empregar avaliações mais localizadas que "ajudem a priorizar os esforços de conservação".

"Reunir todas as curvas de populações em um só número pode dar a impressão de que a queda ocorre em todas as partes, baseando-se mais na matemática do que na realidade", explica o autor principal Brian Leung, do departamento de Biologia da Universidade McGill de Montreal.

"Um panorama diferenciado é mais preciso: há populações em determinados ecossistemas que estão em declínio extremo, mas que não melhoram nem pioram em outros lugares. No entanto, há áreas geográficas onde a maioria das populações examinadas parece estar em queda. É importante identificá-las", continua Leung. Seria o caso, por exemplo, das aves na Ásia-Pacífico e dos répteis tropicais.

"Não é nenhuma novidade" que o índice Planeta Vivo é "sensível" às variações extremas, disse em um blog o doutor Robin Freeman, co-autor do estudo e membro da equipe que elaborou esse cálculo na ZSL. Mas esses índices "podem servir de barômetro para a saúde dos ecossistemas", defendeu.

Questionado, o WWF indicou seu sócio ZSL.

Nos últimos anos, os estudos que alertam sobre uma destruição em massa da biodiversidade devido à atividade humana se multiplicaram. No ano passado, o grupo de especialistas da ONU sobre biodiversidade (IPBES) publicou uma avaliação sem precedentes, revelando um milhão de espécies ameaçadas de extinção e ecossistemas destruídos. "Não estamos dizendo que não há problemas de biodiversidade, estamos dizendo apenas que não existem em todos os lugares", enfatizou Leung.


AFP



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