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19/11/2020 | domtotal.com

Documentário de Bárbara Paz sobre Babenco leva o Brasil à disputa do Oscar

Obra bastante pessoal mostra os últimos anos da vida do diretor argentino-brasileiro

Cena de 'Babenco ?
Cena de 'Babenco ?" Alguém tem que ouvir o coração e dizer: parou': olhar afetivo (Globofilmes/Divulgação)

A Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais anunciou que o filme de longa-metragem Babenco – Alguém tem que ouvir o coração e dizer: parou, produzido e dirigido pela atriz Bárbara Paz, representará o Brasil na disputa por uma vaga na categoria Melhor Filme Internacional no Oscar 2021.

O filme fala sobre a trajetória do cineasta Hector Babenco (1946-2016), que foi marido de Bárbara Paz, e também é uma coprodução com a emissora GloboNews, de TV por assinatura. O longa já foi premiado como melhor documentário no Festival de Veneza de 2019 e no Festival de Viña Del Mar, no Chile, em 2020.

A obra foi escolhida por um comitê composto por profissionais do setor audiovisual, tendo como integrantes Viviane Ferreira (diretora e roteirista), André Ristum (diretor e roteirista), Clélia Bessa (produtora), Leonardo Monteiro de Barros (produtor de cinema e TV), Lula Carvalho (diretor de fotografia), Renata Maria de Almeida Magalhães (produtora) e Toni Venturi (diretor).

Ao todo, foram 19 longas inscritos para concorrer à indicação. A Academia Brasileira de Cinema é entidade independente que representa os profissionais da indústria e foi reconhecida oficialmente pela Academy of Motion Picture, Arts and Sciences como única responsável pela seleção das obras para concorrer ao prêmio, o mais importante do cinema mundial. A comissão optou desta vez por um documentário. Já havia escolhido outro no ano passado, quando Democracia em vertigem, de Petra Costa, foi selecionado para concorrer na categoria.

Gaúcha de Campo Bom, a diretora Bárbara Paz tinha 17 anos quando chegou a São Paulo. Fez teatro infantil, participou da Casa dos Artistas do SBT, foi capa da Playboy e, ao mesmo tempo que tudo isso lhe deu muita projeção - popularidade -, também originou preconceito como se ela, por ter participado do reality show, não pudesse evoluir como pessoa - e como artista. Bárbara não deixa por menos: "Sou movida pelo desejo de evoluir, tenho sede de conhecimento".

Ela encontrou Hector Babenco num momento difícil da vida dele. Hector fizera tratamento nos EUA, mas o câncer voltou com força. Ela o assistiu na etapa final - como mulher, amiga, amante. Conversavam longamente sobre a vida, o cinema. "Ele era o primeiro a dizer que éramos dois sobreviventes." O cineasta morreu em 2016.

Bárbara passou por muitas dificuldades sem perder a garra. Neste ano de pandemia - de suspensão para tanta gente -, não parou de trabalhar. Hector lhe dizia: "Pare de querer viver agradando os outros". Foi a grande descoberta que ela fez neste ano atípico. "O meu autoral vai me comandar", anuncia. Juntando determinação com a vontade de aprender/conhecer, Bárbara tem feito muitas coisas. Aprendeu a acreditar mais no seu olhar. "Tenho uma casinha na Bahia e fiquei lá isolada, fiz um material de videoarte que foi muito bacana. Fui a Ouro Preto e fiz um curta que estou finalizando, ATO. Tem a ver com o momento, com o isolamento. Esse movimento para o interior da gente pode levar a descobertas profundas."

A atriz de teatro infantil ganhou acolhimento no teatro adulto - foi Maggie the Cat na montagem de Gata em teto de zinco quente, de Tennessee Williams, por Eduardo Tolentino. Fez novelas, videoarte, adora fotografar e dirigir. Bárbara não é uma, é múltipla. Não renega a Casa dos Artistas, e por que haveria de fazê-lo? Conta que sua vida daria um filme, e está disposta a fazê-lo. Já trabalha nisso. Brinca que, lá em cima, Hector está mexendo os pauzinhos. "O Hector merecia muito isso. Acho que o amor venceu."

Logo no começo, Bárbara e Hector conversam e ele ensina a relação entre distância focal e enquadramento. Esse clima de afeto e cumplicidade dá o tom do longa. Ilustra perfeitamente o que Bárbara diz na abertura do texto, sobre o seu desejo de conhecimento.

Nascido em Mar del Plata, na Argentina, Babenco naturalizou-se brasileiro e dirigiu filmes como Pixote, a lei do mais fraco, Carandiru e O beijo da mulher aranha, pelo qual recebeu a indicação ao Oscar de melhor direção em 1986. Agora, Bárbara busca a indicação - na categoria de melhor filme internacional - por um filme muito pessoal, e autoral. O importante é seguir o cronograma da Academia para o Oscar de 2021, marcado para 25 de abril. Haverá Brasil no próximo Oscar? A sorte está lançada.


Agência Estado/Agência BrasilDom Total



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