Coronavírus

19/11/2020 | domtotal.com

SP abre 200 novos leitos de Covid-19 após aumento de internações

Há pouco mais de um mês, a capital paulista também fez uma série de novas flexibilizações da quarentena

Há pouco mais de um mês, a capital paulista também fez uma série de novas flexibilizações da quarentena
Há pouco mais de um mês, a capital paulista também fez uma série de novas flexibilizações da quarentena (Miguel Schincariol/AFP)

Com elevação nas internações, a Prefeitura de São Paulo decidiu abrir 200 novos leitos para casos suspeitos e confirmados de Covid-19 na rede pública municipal. Já a Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro anunciou a abertura de mais 83 leitos clínicos e de terapia intensiva, e determinou que todos os leitos destinados ao tratamento da covid-19, que estejam livres, devem estar prontos para serem utilizados.

Uma das principais hipóteses da gestão Bruno Covas (PSDB) para justificar o aumento das internações é o abandono por parte da população das medidas de distanciamento social e de uso de máscaras, especialmente entre as classes média e alta e os jovens.

Há pouco mais de um mês, a capital paulista também fez uma série de novas flexibilizações da quarentena ao ingressar na fase verde do Plano São Paulo, de reabertura econômica.

Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (19), o prefeito destacou que os números de casos e óbitos seguem estáveis na cidade, com o crescimento sendo observado exclusivamente na taxa de ocupação de leitos. Ele também atribuiu o aumento à redução na oferta de leitos exclusivos para pacientes do novo coronavírus na capital - que caiu de 31 para 19 a cada 100 mil habitantes -, motivada pela retomada de procedimentos não eletivos.

Outro ponto destacado pela gestão municipal é a maior demanda de pacientes vindos de fora do município (eram 13% das internações por Covid-19 em março, agora 20%). Nos últimos dias, o número de internados na rede municipal por covid-19 ultrapassou a marca de 900 pela primeira vez desde meados de outubro. O aumento se tornou mais perceptível há cerca de uma semana.

Às 11 horas desta quinta-feira, a ocupação era de 45% da UTI e de 61% em enfermaria em leitos de Covid-19 na rede pública. Na rede privada, a ocupação na UTI era de 76%, segundo o secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido.

A ampliação de 200 leitos abrange os hospitais municipais da Brasilândia, na zona norte, de Parelheiros, no extremo sul, e Irmã Dulce (Bela Vista), na região central. Segundo Aparecido, não há a possibilidade de a Prefeitura reabrir hospitais de campanha.

Na segunda-feira (16), o governo do estado admitiu pela primeira vez um aumento na média móvel de internações, com elevação de 18% em relação à semana epidemiológica anterior. Por esse motivo decidiu adiar em duas semanas o anúncio de novas flexibilizações nos municípios paulistas. O aumento já havia sido reportado por hospitais privados dias antes.

Covas reiterou que não há possibilidade neste momento de recuo nas medidas de flexibilização da quarentena na cidade, que permite o funcionamento de escolas, shoppings, bares, museus e outros espaços, sempre com ocupação restrita. "Não há nenhum número que indique qualquer necessidade de 'lockdown'", declarou. Porém, também disse que "não é o momento de ampliar a flexibilização."

Para o prefeito, agora é o momento da população manter (ou retomar) a adesão aos protocolos de prevenção ao contágio do novo coronavírus. "A pandemia continua a existir, e a ser um desafio a ser enfrentado."

Além disso, de acordo com Aparecido, não há a previsão de nova paralisação na realização de exames, consultas e procedimentos eletivos, como ocorreu na fase mais intensa da pandemia na cidade. Segundo dados do município de quarta-feira (18), São Paulo totaliza 387.228 casos confirmados da doença, dos quais 14.066 resultaram em óbito.

Os hospitais de campanha, administrados pelo estado do Rio de Janeiro, tiveram sua reativação descartada pela secretaria. Segundo a secretaria, as unidades temporárias já foram desmobilizadas, e o material usado nos hospitais foi removido para a Central de Armazenamento de Materiais relacionados à covid-19. Entre os itens, há medicamentos e mobiliários, incluindo 120 respiradores.  

A previsão da secretaria é que esses materiais sejam distribuídos para outras unidades de saúde, conforme planejamento que será feito com a Fundação Estadual de Saúde e a Subsecretaria de Regulação e Unidades Próprias da Secretaria de Estado de Saúde. O cronograma dessa distribuição será apresentado na próxima semana, segundo a SES.

Dos 83 leitos disponibilizados para unidades estaduais, 42 são no Hospital Municipal São José, em Duque de Caxias; 25 no Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE); 12 no Instituto Nacional de Infectologia (INI); três no Hospital Estadual Carlos Chagas (HECC); um no Hospital Estadual Anchieta (HEAN).  

Prefeitura

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) do Rio de Janeiro aumentou de 251 para 271 o número de leitos de UTI para pacientes com a covid-19. Ontem (18), 250 pacientes graves estavam internados. Ao todo, há 901 leitos municipais para a covid-19, nos quais há 552 pessoas internadas.

Há ainda 34 pessoas com a covid-19 em processo de transferência para UTIs públicas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. 

A secretaria disse que não há fila de espera e que "o número de leitos especializados na rede é maior do que a demanda por internações para tratamento da doença".

Se consideradas as redes estadual, municipal e federal, há 903 pessoas em leitos para a covid-19 na capital, sendo 421 em UTIs. Esses números indicam que a ocupação dos leitos de UTI para covid-19 no SUS chegou a 81% na capital. Quando levados em conta apenas os leitos municipais, a ocupação é de 92%.

No início do mês, havia 729 pessoas internadas com a covid-19 em unidades do SUS na capital fluminense, sendo 378 em UTIs. Desse último grupo, 208 estavam em leitos municipais.

Mortes

Outro indicador em alta no estado é a média móvel de mortes por covid-19 nos últimos sete dias, que passou de 100 óbitos por dia ontem (18), pela primeira vez desde 21 de setembro, segundo painel de monitoramento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A média móvel de mortes é um indicador considerado importante por pesquisadores para avaliar a tendência da pandemia com menor interferência das oscilações diárias. O cálculo consiste em somar as mortes registradas nas últimas 24 horas com as dos seis dias anteriores e dividir o resultado por sete.

A média móvel iniciou novembro em queda e chegou a 30,14 mortes por dia em 11 de novembro. Desde então, houve uma alta acentuada, chegando ontem (18) a uma média móvel de 104 mortes.


Agência Estado



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