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20/11/2020 | domtotal.com

Jorge Fernando se inspira no edifício JK para criar romance com múltiplos olhares

'Condomínio solidão' aborda o drama contemporâneo entre o o próximo e o distante

O Edifício JK, símbolo do modernismo de BH, inspirou o suspense de Jorge Fernando dos Santos
O Edifício JK, símbolo do modernismo de BH, inspirou o suspense de Jorge Fernando dos Santos (Wikicommons)

Pablo Pires Fernandes

Um dos grandes símbolos arquitetônicos de Belo Horizonte, o Conjunto Kubitschek, popularmente conhecido como Edifício JK, é o ambiente e o mote para o mais novo romance de Jorge Fernando dos Santos – Condomínio solidão. Trata-se de um suspense, imaginado a partir da experiência do autor de quando morou no prédio, com 1,1 mil apartamentos que abrigam cerca de 6 mil pessoas e foi concebido por Oscar Niemeyer para ser uma espécie de construto autônomo, com lojas, serviços e estrutura autossuficiente.

“Niemeyer projetou um condomínio habitacional aberto a todas as classes sociais daquela época. A ideia bateu de frente com a visão positivista da construção de Belo Horizonte, no final do século 19. Isto é, uma cidade hierarquizada, cuja população deveria ser ordenada conforme as classes sociais e as profissões”, conta Jorge Fernando sobre sua inspiração.

A obra será lançada neste sábado (21) na Livraria da Rua (Antônio de Albuquerque, 913, Savassi), em BH, com autógrafos e distanciamento social e bastante álcool em gel. Jorge Fernando é um veterano das letras, com mais de 40 títulos publicados e vasta experiência como jornalista. É também um observador perspicaz.

“Eu via aquele povo transitando e ficava imaginando quem seriam aquelas pessoas, o que pensavam da vida e quais os seus dramas pessoais. Gente de todo tipo, uma fauna humana bem variada. Aquilo lá é maior que muita cidade”, diz o escritor e colunista do Dom Total.

E é mesmo a imaginação, embora o personagem seja um jornalista aposentado, como o autor. O protagonista, Ramon Fernandez, busca material para escrever um romance e se depara com um mistério. Sua interlocutora é a psicanalista, que ouve a narrativa como o leitor. No entanto, as quase infinitas janelas do edifício servem também como metáfora para revelar um pouco da vida de seus moradores.  

“Olhando de fora e vendo todas aquelas janelas, achei irresistível imaginar o que se passava do outro lado do vidro. Como diz uma personagem do livro, o JK parece uma instalação a céu aberto, toda feita de vidro, aço e concreto. E essa constatação foi o gatilho para que eu começasse a escrever”, explica o autor.

O mosaico criado por Jorge Fernando revela muito sobre a vida contemporânea, em que a proximidade e a distância se intercalam, ainda mais exacerbadas pelo isolamento pandêmico. “O Conjunto Kubitschek é uma cidade vertical. A multiplicidade de histórias e de experiências de vida é fantástica”, diz. “O romance tem mais de 20 personagens-narradores, cada qual contando sua vida e seus dramas.”

Jorge constata que a ideia utópica de Niemeyer de misturar classes e estabelecer novas convivências se tornou complexa nos dias em que a tecnologia rege as interações sociais. “Os moradores voltaram a ficar distantes e a se fechar em seus respectivos mundos, como ocorre em outros lugares, na maioria dos casos. Muita gente morando sozinha, fechada em si mesma”, afirma.

CONDOMÍNIO SOLIDÃO
De Jorge Fernando dos Santos
Editora Caravana

LANÇAMENTO:
Quando: Sábado, 21 de novembro, a partir das 12h
Onde: Livraria da Rua (Antônio de Albuquerque, 913, Savassi, Belo Horizonte)

Além de Condomínio Solidão, estarão sendo autografados os livros Dispensável nudez, de Madu Brandão, e Olhem as estrelas, coletânea de crônicas da jornalista Déa Januzzi, falecida recentemente.


Dom Total



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