Religião

27/11/2020 | domtotal.com

Comunidades online: construindo pontes no ambiente digital

A vida em comunidade online pode ser uma grande aliada na hora de articular, acompanhar e fazer a comunidade crescer na fé e na comunicação da Verdade

Com responsabilidade, é possível estar nas redes e comunicar mensagens que transformam realidades presenciais e digitais
Com responsabilidade, é possível estar nas redes e comunicar mensagens que transformam realidades presenciais e digitais (Unsplash/Gabriel Benois)

Gizele Barbosa*

Conectar pessoas, aproximá-las e fazer aquelas com objetivos comuns se relacionarem. Ao que parece as redes sociais já nasceram com o objetivo de criar comunidades, conectando indivíduos. Falar de vida em comunidade é falar de fé e, em perspectiva cristã, da experiência de Deus. Contudo, é possível fazer essa experiência estando online?

No contexto atual, em que a maioria das pessoas estão inseridas no espaço digital, duas perguntas são inevitáveis: Como é conviver em comunidade em meio a tanta conectividade? As redes sociais, ajudam ou atrapalham? Diante dessas questões, vale lembrar o caminho que a Igreja vem fazendo em sua busca por responde-las. Isso tem se dado por pensamentos bem pontuais. Entretanto, neles ainda falta dizer claramente que essa é uma realidade da qual as comunidades não podem mais se esquivar.

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O papa Bento XVI afirmou, na mensagem para o Dia Mundial das Comunicações de 2006, que "as mídias são oportunidades de comunicação, comunhão e cooperação" e que é preciso aproveitar esses meios como oportunidades para iluminar a consciência e desenvolver o pensamento. Em 2011, durante a assembleia geral do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, ele também disse que "se as novas linguagens possuem um impacto sobre o modo de pensar e de viver, isto diz respeito, de certa forma também, ao mundo da fé".

Não há dúvidas de que o ambiente digital em sua totalidade é um espaço que deve ser ocupado também pela Igreja, o que só acontecerá quando for feito em comunidade. Tal tarefa não implica na criação de perfis institucionais que falam sobre si, exibindo-se diante do mundo, mas na presença de cada cristão pertencente a uma comunidade, pessoas que, seguindo a Jesus e sua forma de pensar, utilizam-se desses espaços para deixar sua marca de amor no mundo.

O papa Bento XVI frisou essa ideia em um momento em que as redes sociais estavam nos inícios de sua efervescência. Desde então podemos ver que a questão fundamental não consiste apenas em refletir sobre os impactos do mundo digital nas comunidades, mas em como e se as comunidades estão preparadas para reconhecer, no digital, o ambiente merecedor de tanta atenção quanto o presencial. Sendo assim, arrisco afirmar que a vida em comunidade online pode ser uma grande aliada na hora de articular, acompanhar e fazer a comunidade crescer na fé e na comunicação da Verdade.

A internet ?" que até então era um ambiente de distração e entretenimento para muitos e não de missão e comunhão comunitária ?" passou a ser um espaço para as comunidades redescobrirem o significado da palavra relação. Elas se inseriram nesse lugar feito por pessoas que ali já estavam, mas com objetivos não tão sérios ou claros como os seus, que era de comunicar a fé e aproximar os irmãos e irmãs.

Sobre esse quesito, o papa Bento será sempre uma referência quando diz que "o desenvolvimento das redes sociais requer dedicação: as pessoas envolvem-se nelas para construir relações e encontrar amizade, buscar respostas para as suas questões, divertir-se, mas também para ser estimuladas intelectualmente e partilhar competências e conhecimentos. Assim as redes sociais tornam-se cada vez mais parte do próprio tecido da sociedade enquanto unem as pessoas na base destas necessidades fundamentais. Por isso, as redes sociais são alimentadas por aspirações radicadas no coração do homem" (Mensagem para o 47º Dia Mundial das Comunicações Sociais).

Portanto, não há que se ter medo ou insegurança, mas acreditar que, com responsabilidade, é possível estar nas redes e comunicar mensagens que transformam realidades presenciais e digitais, que edificam e ajudam jovens e adultos a encontrar o sentido da vida. Trata-se, então, não de uma discussão sobre a possibilidade do digital ajudar ou atrapalhar a comunidade, mas sim do que as comunidades cristãs digitais estão fazendo para se tornarem verdadeiramente comunidades de outra comunidade maior.

O Evangelho deve estar lá, mas não como postagem com uma imagem de Jesus, e sim nas atitudes cristãs que geram vida e aproximam pessoas a partir de uma comunicação consciente e objetiva, afetiva e qualificada, bem como amorosa e compreensiva.

Cada um esteja como puder no espaço digital, mas sem esquecer que também ali se é membro de comunidade responsável de comunicar a fé e por discursar sobre Deus, mesmo que seu nome nunca seja citado. Parafraseando Mateus 12, 34, também nas redes sociais, a gente fala do que o coração está cheio.

*Gizele Barbosa é irmã paulina e produtora de conteúdo e eventos online da Paulinas Cursos EaD. É membro da Comissão de Estudos e Espiritualidade da Congregação das Irmãs Paulinas e atua há mais de 12 anos com formações em paróquias e comunidades de todo o país nas áreas de Juventudes, Catequese e Comunicação. Também é escritora e autora do livro 'A menina que cuidava dos pobres: vida de Santa Dulce dos pobres', publicado por Paulinas Editora.



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