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26/11/2020 | domtotal.com

Cânticos, homenagens, lágrimas e confusão: a despedida do gênio Maradona

Milhares de pessoas estão em uma fila gigantesca para se despedir do craque

Argentinos se despedem de Maradona, um gênio do futebol mundial
Argentinos se despedem de Maradona, um gênio do futebol mundial (AFP)

Lágrimas, homenagens, idolatria e mensagens de agradecimento fazem parte da multidão de argentinos que se despede de Diego Maradona, maior jogador de futebol da história do país.  Milhares de pessoas enfrentam uma fila gigantesca e tumultos para dizer o último adeus ao gênio da bola, velado na Casa Rosada, em Buenos Aires.  

São tantas pessoas que houve confusão no começo desta tarde, porque o velório  terminou por volta das 16h30, o que impediu milhares de torcedores de verem o ídolo. Muitas pessoas tentaram entrar ao mesmo tempo, algumas subindo nas grades. 

A Argentina passou a noite em claro, esperando a chegada do corpo de Maradona à Casa Rosada. Desde o entardecer dessa quarta-feira (25), centenas de pessoas já se acumulavam na região que compreende o Obelisco até as proximidades da Praça de Maio, que fica em frente à sede do governo, para esperar a chegada do corpo do ídolo.

O ídolo do futebol argentino morreu na quarta-feira (25) em Buenos Aires. Aos 60 anos, completados no mês passado, ele trabalhava como técnico do Gimnasia y Esgrima, de La Plata, e lutava contra uma série de problemas de saúde. Morreu após sofrer um infarto enquanto dormia.

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Uma homenagem em forma de aplausos e cânticos entoados exatamente às 10 horas da noite - fazendo alusão ao camisa 10 - aconteceu na quarta-feira (25). Na mesma hora, todos os estádios de futebol do país acenderam as suas luzes. O ato se repetiu às 10 horas da manhã desta quinta.

A chegada do corpo de Maradona à Casa Rosada aconteceu por volta das 4 da manhã, mas o acesso ao caixão, fechado, coberto por camisetas da seleção argentina, Boca Juniors e bandeira nacional, foi permitido ao público às 6 horas. "Eu tive uma infância difícil e, por muito tempo a melhor coisa da minha vida foi ver o Maradona jogar", disse um torcedor mais velho que esperava na fila quilométrica que se formou na porta da Casa Rosada.

Ele refletiu o sentimento de cerca de 40 milhões de argentinos que choram a morte do camisa 10. A fila para se aproximar do caixão de Maradona se formou na extensão da Avenida de Mayo. Pessoas esperavam para despedir-se de Diego.

O clima é parecido ao da entrada de um estádio de futebol em dia de final de campeonato, embalado pelas conhecidas canções de "cancha" que os argentinos tanto gostam. São esperadas milhares de pessoas na cerimônia que marca o adeus ao jogador, entre eles o presidente Alberto Fernández.

Maradona tinha deixado o hospital havia duas semanas após ser internado para tratar de um hematoma no cérebro. Depois disso, o camisa 10 da Argentina foi levado para casa, na cidade de Tigre, na região metropolitana de Buenos Aires, para terminar a sua recuperação. A recomendação médica era para que cuidasse principalmente da dependência química de remédios e de álcool. Seu médico chegou a dizer que ele precisava se cuidar. Maradona não queria fazer o tratamento e tentou deixar o hospital antes do tempo.

O ex-jogador estava em sua casa quando se sentiu mal. Familiares e funcionários chamaram uma ambulância para socorrê-lo, mas ele morreu antes mesmo da chegada do veículo de emergência. O presidente da Argentina decretou três dias de luto no país.

AFPAFPCasa Rosada

Maradona é um dos poucos argentinos a serem velados na Casa Rosada. A última pessoa a ser velada na sede do governo argentino foi o ex-presidente Néstor Kirchner, que morreu em outubro de 2010.

Antes de Kirchner, em 1995, um outro ídolo do esporte, Luis Manuel Fangio, cinco vezes campeão da Fórmula 1 e um dos maiores pilotos da história, teve o corpo velado no Salão Branco. Isso aconteceu porque, além da popularidade de Fangio, o presidente na época era Carlos Menem, um fanático declarado das corridas.

A lista de argentinos que tiveram a honra de ter seu funeral no emblemático edifício possui, com exceção de Fangio, apenas presidentes: Bartolomé Mitre, Manuel Quintana, Carlos Pellegrini, Roque Saenz Peña, Julio Roca, Marcelo Torcuato de Alvear e Néstor Kirchner.

No entanto, os velórios na Casa Rosada não podem ser considerados uma tradição. Até mesmo os presidentes ali velados, com exceção de Kirchner, somente o fizeram porque a sede do Congresso ainda não havia sido terminada. Em 1906, com sua inauguração, este passaria a ser o endereço das cerimônias oficiais.

A despedida de Maradona na Casa Rosada foi uma oferta do presidente Alberto Fernández à família do craque. O presidente pediu que sua equipe entrasse em contato com a ex-mulher de Maradona, Claudia Villafañe, para dizer-lhe que estava à disposição e lhe oferecia "todas as possibilidades", incluindo o velório no local.

A família de Maradona aceitou e o velório do camisa 10 começou a ser realizado nesta quinta-feira (26), primeiramente em um cerimônia íntima e logo aberta ao público, sem deixar de atender a certas medidas restritivas em função da pandemia do novo coronavírus.

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Agência Estado/DomTotal



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