Religião

04/12/2020 | domtotal.com

Superação da violência contra as mulheres: isso também é coisa da religião!

Igrejas devem se somar ao Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres

As religiões têm um papel humanizador e social importante e devem se somar à luta contra o machismo
As religiões têm um papel humanizador e social importante e devem se somar à luta contra o machismo (Unsplash/Miguel Bruna)

Felipe Magalhães Francisco*

Acredito não ser nenhum exagero que todo menino já tenha ouvido a expressão: "homem não bate em mulher, nem com uma rosa"; ou, apenas: "homem não bate em mulher". A intenção é boa, mas não é o suficiente. A violência contra a mulher não se restringe a uma agressão física: há todo um ciclo de violência que torna a mulher refém. É preciso educar nossas crianças para o respeito, que está muito além de não desferir um tapa. A educação para a não violência é uma educação que, verdadeiramente, propicie relações igualitárias. Para isso, é preciso que ressignifiquemos nossas relações, superando o machismo estrutural que ainda permeia nosso cotidiano e maneiras de pensar.

O próximo dia 06, conforme a Lei nº 11.489/2007, é o Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres. Datas assim são importantes, para que a transformação de nossas estruturas violentas permaneça sempre na pauta da discussão. Essa data, em especial, tem um aspecto pedagógico importante: trata-se da mobilização dos homens pelo fim da violência contra as mulheres. Isso ensina que homens devem se engajar na transformação dessa cultura de violência; homens precisam educar outros homens, para que se conscientizem que todos somos, infelizmente, capazes de cometer violência contra as mulheres, dado o patriarcalismo que ainda não superamos.

Essa pauta, eminentemente feminista, convida-nos a que todos sejamos pró-feministas: a busca pela igualdade entre os gêneros deve estar para além da fala de que somos todos e todas iguais: é preciso efetivar essa igualdade entre homens e mulheres, em meios às diferenças. Mais: essa igualdade no trato, nos direitos e na dignidade só será efetivada com políticas e práticas que garantam uma reparação histórica às mulheres, tradicionalmente rebaixadas em dignidade pelo patriarcalismo. Essa não é uma questão de esquerda, nem de direita. Trata-se, pois, de uma questão de quem é gente!

As religiões devem se envolver nessa pauta. Formadoras de opiniões, de visões de mundo e de comportamentos, elas têm um apelo e um dever ético quanto a esse tema. Muitas vezes, porém, discursos religiosos promovem mais desigualdade e encobrem violências contra as mulheres, a partir de leituras fundamentalistas de textos sagrados. Não há legitimidade e verdade em discursos que corroborem à violência e à desigualdade. As religiões têm um papel humanizador e social importante: elas propiciam compreensões de bem-viver, entre outras coisas. O cristianismo, por sua vez, precisa assumir seu papel fundamental que, desde Jesus e das reflexões do apóstolo Paulo, só se compreende a partir da igualdade.

O Dom Especial desta semana entra na lógica do compromisso de superação da violência contra as mulheres, em suas muitas faces. Refletindo a partir do cristianismo, queremos contribuir com a conversa e, quiçá, no despertar de novos engajamentos na luta por igualdade de gênero. Tânia da Silva Mayer propõe o primeiro artigo, Colher de pau é teologia, no qual discorre sobre a necessidade de uma conversão da teologia, para que ela contribua num cenário de conversão sociorreligiosa. O segundo artigo é proposto por Solange Maria do Carmo: O jugo da escravidão machista, em que lança o olhar para o texto bíblico da ameaça de apedrejamento de uma mulher adúltera, quando Jesus rompe com a violência, mostrando-nos outro caminho para compreender as relações. Por fim, no artigo Aterrador mistério, Eduardo César reflete sobre o papel do cristianismo, em atenção a seu fundamento, em contribuir efetivamente para a superação de masculinidades tóxicas e do machismo que viola e mata!

Boa leitura!

*Felipe Magalhães Francisco é teólogo. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas 'Imprevisto' (Penalux, 2015). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com



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