Cultura

04/12/2020 | domtotal.com

Nada será como antes, amanhã

Museus são os mais potentes e imprescindíveis equipamentos culturais da sociedade pós-pandêmica

Centros Culturais Banco do Brasil em Belo Horizonte
Centros Culturais Banco do Brasil em Belo Horizonte (Divulgação/CCBB BH)

Eleonora Santa Rosa*

Incrível e cada vez mais surpreendente e veloz a carga de informações, cursos, seminários, fóruns, textos, treinamentos, aulas, vídeos, campanhas, pesquisas, programas presentes particularmente no LinkedIn, que, para além da pluralidade e qualidade (não de todos, por suposto), acarreta também muita ansiedade e sobrecarga.

Impossível ficar a par de tudo no âmbito da área de atuação profissional, ampliada em horizonte e escala pela dimensão internacional, que abre janelas repletas de uma infinidade de dados, estatísticas, artigos e análises de ponta, em tempo real, um volume irrefreável de postagens de uma forma inimaginável até há pouco, sobretudo em função das mudanças de hábitos trazidas pela pandemia.

Particularmente, embora muitas vezes embotada pelo excesso informacional, fico maravilhada com a qualidade e diversidade de matérias no meu campo de trabalho, que me permitem compreender e refletir de modo mais denso sobre o papel e os impactos na configuração e estruturação do setor cultural nesse turbilhão causado pela Covid, destacadamente dos museus, que se sobressaem, do meu ponto de vista, como os mais potentes e imprescindíveis equipamentos (enfeixando aqui todo o tipo de museu) da sociedade pós-pandêmica. Já o eram antes, mas agora a imprescindibilidade se coloca de modo claríssimo e estratégico. As bibliotecas guardam, por seu turno, enorme relevância, no entanto, nesse momento, as características e singularidades dos museus conferem as essas instituições projeção e lugar de primazia no panorama artístico e cultural.

Nesse sentido, são extremamente preocupantes os dados divulgados recentemente, que continuam apontando o fortíssimo baque dessas organizações, aqui e no exterior, com o agravamento do quadro comum de demissões, cancelamentos de programações, retração e supressão de patrocínios privados, refluxo de público, fechamentos definitivos, cortes orçamentários expressivos. Mesmo em países como Inglaterra, França, Canadá, Alemanha, EUA, apesar de programas governamentais emergenciais de aporte no campo da Economia Criativa, cada um ao seu modo e proporção, os museus atravessam situação delicadíssima e complexíssima.  

Trata-se de cenário turbulento que não indica soluções fáceis de curto prazo e que demandará forte reestruturação em termos de gestão, conteúdo, programação, função, inserção e sustentação desses equipamentos.

'Nada será como antes, amanhã', que já chegou impondo mudanças radicais, profundas, exigindo novas perspectivas de atuação, lastreamento e prospecção. Quem quiser sobreviver, terá de mudar e muito.

*Ex-secretária de Estado de Cultura de Minas Gerais, ocupou diversas funções públicas de relevo e desenvolveu projetos de educação patrimonial e de patrimônio cultural de repercussão nacional. Ex-diretora executiva do Museu de Arte do Rio - MAR (de novembro de 2017 a novembro de 2019), é considerada uma das mais experientes e respeitadas profissionais no campo da viabilização, implantação e soerguimento de equipamentos culturais no país. Estrategista e gestora cultural, tem larga experiência editorial; foi responsável pela publicação de mais de meia centena de obras voltadas à história e à cultura de Minas Gerais, tendo sido coordenadora editorial das consagradas Coleções Mineiriana e Centenário da Fundação João Pinheiro. Diretora do Santa Rosa Bureau Cultural, é autora do livro Interstício



Comentários
Newsletter

Você quer receber notícias do domtotal em seu e-mail ou WhatsApp?

* Escolha qual editoria você deseja receber newsletter.

DomTotal é mantido pela EMGE - Escola de Engenharia e Dom Helder - Escola de Direito.

Engenharia Cívil, Ciência da Computação, Direito (Graduação, Mestrado e Doutorado).

Saiba mais!



Outros Artigos