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07/12/2020 | domtotal.com

As mulheres de Biden

São ora deusas, ora guerreiras, às vezes heroínas ou divas e até maravilhosas vilãs

Joe Biden, eleito presidente dos EUA, e Kamala-Harris, a primeira vice-presidente negra e mulher da história do país
Joe Biden, eleito presidente dos EUA, e Kamala-Harris, a primeira vice-presidente negra e mulher da história do país (Robyn Beck/AFP)

Afonso Barroso*

Sempre fui mulherengo incorrigível, mas no sentido mais puro e amplo da palavra, ou seja: sempre tive um fraco pelas mulheres. Gosto delas de qualquer jeito, de qualquer cor, de qualquer credo, e creia, até de qualquer nacionalidade. Alguém me perguntou certa vez quais os tipos de mulheres que mais me atraíam, e eu respondi com uma frase que não era minha, mas da qual me apropriei sorrateiramente: "Gosto só de dois tipos, as nacionais e as estrangeiras". Não era nada original, mas não achei resposta melhor.

Falar de mulheres é fácil e é difícil. Fácil porque elas inspiram sempre e sem querer a quem delas pretende falar. Difícil porque sobre elas praticamente tudo já foi dito, em todas as formas. Foram esculpidas, pintadas, romanceadas, versejadas, cantadas, musicadas, cinematografadas, bibliografadas e historiadas. São ora deusas, ora guerreiras, às vezes heroínas ou divas e até maravilhosas vilãs.

É por esta e outras muitas razões que aprovei com louvor e efusivos aplausos a atitude do presidente eleito dos Estados Unidos, Joseph Biden, de nomear só mulheres para a equipe de Comunicação da Casa Branca. Nada mais justo, nada mais acertado, e eu diria até nada mais democrático. Por mais que alguns torçam o nariz ao ver mulheres participando ativa e inteligentemente da mídia, como repórteres ou âncoras ou comentaristas, elas estão aí, cada vez mais comunicáveis e comunicativas.

O Brasil, evidentemente, jamais faria uma coisa dessas, principalmente sob a batuta nada batuta do atual presidente, que parece ter pouco ou nenhum apreço pelo sexo feminino, assim como não suporta homossexuais e crioulos em geral. Pensar assim é característico do extremismo mais odioso, sempre inconveniente e nocivo.

Joe Biden, com seus 77 anos de vida recheada de sofrimentos e vitórias, começou bem já na candidatura ao escolher sua vice, a competentíssima senadora Kamala Harris, mulher de raro carisma, mais para negra do que para branca, o que já indicava a intenção de pluralizar e diversificar a administração, caso eleito.

Vou torcer para que um dia o Brasil adote postura semelhante na administração pública. Não conheci de Juscelino Kubitschek mais do que o largo sorriso em fotos e documentários. Mas sei que jamais houve no Brasil um presidente como aquele mineiro da gema, nascido que foi em Diamantina, a terra das gemas. Comparo com as risadas mentirosas, forçadas, do presidente atual, e fico triste por ver que esse aí jamais mereceria uma marchinha alegre do Juca Chaves.

Não, Joe Biden não tem aquele sorriso largo de JK. Mas quando sorri é um riso igualmente espontâneo, nada fingido, porque é nato no verdadeiro democrata ser verdadeiro em tudo o que faz.

Os Estados Unidos mostrarão ao mundo, finalmente, que Comunicação é substantivo feminino. Coisa a elas pertencente, pois.

*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.



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