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07/12/2020 | domtotal.com

Indústria de armamentos cresce 8,5% em 2019 e movimenta US$ 361 bilhões

Empresas americanas dominam mercado mundial e China ganha participação na área

O caça F-35, fabricado pela Lockhead Martin, que movimentou mais de US$ 50 bi em 2019
O caça F-35, fabricado pela Lockhead Martin, que movimentou mais de US$ 50 bi em 2019 (Alexander Cook/Domínio Público)

O Instituto Internacional de Estudos para a Paz (Sipri, na sigla em inglês) divulgou seu relatório anual – referente ao ano de 2019 - sobre a indústria de armas no mundo, incluindo pela primeira vez empresas chinesas entre as maiores produtoras. O Oriente Médio entrou pela primeira vez na lista dos 25 grandes grupos do setor, ainda dominado pelos Estados Unidos.

No ano passado, a indústria americana de armamento representou 61% das vendas dos 25 maiores produtores mundiais, à frente da China, com 15,7%, de acordo com o relatório do Sipri, que tem sede em Estocolmo. O volume total de negócios das 25 empresas de armas cresceu 8,5% e alcançou US$ 361 bilhões (R$ 1,85 trilhão), cinco vezes mais que o orçamento anual das missões para a manutenção da paz da ONU. Seis empresas americanas e três chinesas aparecem no top 10. A única empresa europeia entre os primeiros lugares é a britânica BAE Systems, com a sétima posição.

Para Lucie Béraud-Sudreau, diretora do programa de armamento e gastos militares do Sipri, "esta classificação reflete o fato de que China e Estados Unidos são os países que mais gastam em armamento, com empresas adaptadas para isto". Se o domínio americano não é novo, no caso da China, onde a receita das principais empresas cresceu quase 5% em um ano, "este aumento corresponde às reformas de modernização do Exército Popular de Libertação desde 2015", explica a pesquisadora.

Os grupos americanos Lockheed Martin, Boeing, Northrop Grumman, Raytheon e General Dynamics são os cinco primeiros colocadas no ranking mundial. As chinesas AVIC, CETC e Norinco ocupam o sexto, oitavo e nono postos, respectivamente. "A Europa continua dispersa, mas ao unir as empresas europeias, elas alcançariam o mesmo nível que as dos Estados Unidos e China", afirma Béraud-Sudreau.

O fato de que Airbus (europeia, 13ª posição) e Thales (francesa, 14ª) se orgulhem de ter a maior presença no exterior (em 24 países cada) - à frente da americana Boeing - se explica sobretudo porque "as empresas europeias estão mais internacionalizadas" que em outros setores, considera a diretora do Sipri.

Oriente Médio

Pela primeira vez, uma empresa do Oriente Médio - EDGE dos Emirados Árabes Unidos, resultado da fusão de quase 25 grupos - integra o top 25. A EDGE, que apare na 22ª posição, "ilustra bem como a combinação de uma forte demanda nacional de produtos e serviços militares, aliada ao desejo de ser mais independente de fornecedores estrangeiros, é o motor do crescimento das empresas de armamento no Oriente Médio", afirma Pieter Wezeman, outro pesquisador do instituto.

O Sipri destaca ainda a presencia do grupo francês Dassault, que subiu da posição 38 para a 17, graças às exportações do caça Rafale em 2019. Duas empresas russas, Almaz-Antey (15º) e United Shipbuilding (25º) estão na lista, assim como a italiana Leonardo, 12ª do mundo. Lucie Béraud-Sudreau recorda que as empresas russas estavam em melhor posição há alguns anos, graças a um ambicioso programa de modernização de equipamentos, mas o impulso registrou "forte desaceleração".

Isto se deve, de acordo com a pesquisadora, às sanções da comunidade internacional impostas a Moscou após a anexação da Crimeia em 2014 e à queda dos preços no setor de energia, dos quais depende a economia russa. "A Rússia teve que desacelerar os esforços de modernização de equipamentos militares, com menos pedidos do Estado russo, menos projetos iniciados, e portanto uma queda da receita", resume.

Confira a lista dos 25 maiores fabricantes mundiais de armas

1. Lockheed Martin (EUA) – US$ 53,23 bilhões de volume de negócios com armas em 2019 (que representa 89% do faturamento total do grupo)

2. Boeing (EUA) - US$ 33,58 bilhões (44%)

3. Northrop Grumman (EUA) - US$ 29,22 bilhões (86%)

4. Raytheon (EUA) - US$ 25,32 bilhões (87%)

5. General Dynamics (EUA) - US$ 24,5 bilhões (62%)

6. Aviation Industry Corporation of China, Avic (China) - US$ 22,47 bilhões (34%)

7. BAE Systems (Reino Unido) - US$ 22,24 bilhões (95%)

8. China Electronics Technology Group Corporation, CETC (China) - US$ 15,09 bilhões (46%)

9. China North Industries Group Corporation, Norinco (China) - US$ 14,54 bilhões (22%)

10. L3Harris Technologies (EUA) - US$ 13,92 bilhões (77%)

11. United Technologies (EUA) - US$ 13,1 bilhões (17%)

12. Leonardo (Itália) - US$ 11,11 bilhões (72%)

13. Airbus (europeia) - US$ 11,05 bilhões (14%)

14. Thales (França) - US$ 9,47 bilhões (46%)

15. Almaz-Antey (Rússia) - US$ 9,42 bilhões (98%)

16. Huntington Ingalls Industries (EUA) - US$ 7,74 bilhões (87%)

17. Dassault Aviation Group (França) - US$ 5,76 bilhões (70%)

18. Honeywell International (EUA) - US$ 5,33 bilhões (15%)

19. Leidos (EUA) - US$ 5,33 bilhões (48%)

20. Booz Allen Hamilton (EUA) - US$ 5,14 bilhões (69%)

21. General Electric (EUA) - US$ 4,76 bilhões (5%)

22. EDGE (Emirados Árabes Unidos) - US$ 4,75 bilhões (95%)

23. Rolls-Royce (Reino Unido) - US$ 4,71 bilhões (24%)

24. China South Industries Group Corporation, CSGC (China) - US$ 4,61 bilhões (16%)

25. United Shipbuilding (Rússia) - US$ 4,5 bilhões (83%)


AFP/Dom Total



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