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15/12/2020 | domtotal.com

Documentário pró-vegano 'Gunda' tem Joaquin Phoenix como produtor executivo

Longa-metragem que propõe uma reflexão acerca do destino dos animais usados como alimento estreia na próxima sexta-feira (18) nos cinemas virtuais de NY e LA

O ator americano, Joaquin Phoenix
O ator americano, Joaquin Phoenix (Frederic J. Brown/AFP)

O último filme de Joaquin Phoenix não é um clássico, nem fácil de assistir, mas esse não é seu objetivo. Gunda, um documentário pró-vegano, tenta convencer o público a abrir mão da carne.

Para isso, segue a jornada de encantadores animais de criação, cujo destino é o matadouro. Essa é a última aposta do protagonista de Coringa, fervoroso militante dos animais e ativista vegano de longa data, que foi produtor-executivo do filme rodado a preto e branco e totalmente desprovido de comentários, diálogos e roteiro.

De qualquer forma, o espectador não precisa de um enredo para saber onde Gunda, a porca norueguesa que dá nome ao filme, e seus filhotes vão terminar seus dias. "A vida dos porcos não tem muitos mistérios. Eles viram linguiça", afirma o diretor do documentário, Victor Kossakovsky.

"Mas Gunda ficou famosa. Tanta gente deixou de comer carne [por causa do filme] que o dono da fazenda resolveu deixá-la viver em paz até o fim dos seus dias", explica.

Phoenix e o diretor russo, que também é vegano, esperam que o longa-metragem, que estreia nesta sexta-feira (18), salve a vida de vários outros animais. Os dois se conheceram depois que o ator fez um discurso vibrante a favor dos animais ao receber o Oscar de melhor ator em fevereiro.

Com lágrimas nos olhos, o ator denunciou diante de Hollywood como os humanos permitem "inseminar artificialmente uma vaca e quando ela dá à luz", seu bebê é roubado "apesar de seus gritos de angústia".

Os próximos a Kossakovsky, acostumados a ouvir discursos semelhantes do diretor, imediatamente o chamaram para saber se ele era o autor do texto de Phoenix.

'Nem voz, nem mensagem'

"Não, eu nunca tinha falado com ele", afirmou Kossakovsky, cuja equipe organizou rapidamente uma exibição de Gunda para o ator. Ele se lembra de como ficou "animado" depois de viver uma "experiência sem precedentes".

Phoenix imediatamente ligou para Kossakovsky para parabenizá-lo: "Finalmente alguém fez isso, alguém mostrou os animais como eles são". "Ele imediatamente fez parte da equipe. Foi um encontro maravilhoso", conta o diretor sobre o ator.

Embora o diretor russo tenha ganhado inúmeros prêmios e seja uma referência para muitos cinéfilos, ele permanece desconhecido para grande parte do público, então reconhece que o carisma e a fama de Phoenix foram uma grande vantagem para divulgar o documentário.

Para evitar possíveis polêmicas ou acusações de manipulação, Kossakovsky decidiu dispensar todos os comentários e até mesmo músicas para colocar os animais no centro do filme. "Se eu colocar uma música semelhante à Lista de Schindler, porque o tema é realmente semelhante, o mundo inteiro vai chorar", ressalta.

Por isso optou por não colocar "nenhuma narração em 'off', nenhuma mensagem, nenhuma música, nada que pressione" o espectador. "Olhe e decida por você", explica o diretor, vegetariano desde criança, que se tornou vegano durante as filmagens de Gunda.

'Minha Meryl Streep'

Esta escolha foi especialmente impactante ao final da fita, quando a câmera acompanha a porca na fazenda, cada vez mais assustada com o destino de seus filhotes.

Kossakovsky não conseguiu se esquecer do olhar desesperado do animal que escolheu como protagonista do filme minutos após conhecê-lo. "Era minha Meryl Streep... Uma atriz incrivelmente especial, capaz de transmitir emoções sem falar", recorda. "Esperávamos procurar por quatro a seis semanas. Mas o primeiro animal que conhecemos foi Gunda. Estava claro que falava comigo".

O filme estreia na sexta-feira em "cinemas virtuais" de Nova York e Los Angeles e espera-se que chegue às salas de exibição no ano que vem.


AFP/Dom Total



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