Coronavírus

21/12/2020 | domtotal.com

OMS tenta tranquilizar sobre variante do coronavírus e eficácia das vacinas

Não há evidências de que mutação seja mais letal ou altere imunização, diz entidade

A nova cepa incorpora uma mutação, chamada 'N5017', à proteína da
A nova cepa incorpora uma mutação, chamada 'N5017', à proteína da "espícula" do coronavírus (Thomas Kienzle/AFP)

Atualizada às 20h

A Organização Mundial da Saúde (OMS) buscou tranquilizar líderes e a população em geral em relação à nova variante do coronavírus encontrada no Reino Unido e na África do Sul. Muitos países do mundo fecharam suas fronteiras desde domingo para pessoas dos dois países para evitar que ela se espalhe ainda mais, mas é provável que a cepa mutante já esteja circulando em todos os continentes.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, afirmou que não há indícios de que as variantes causem doença mais severa. "Vírus mudam o tempo todo, isso é normal", comentou, se referindo às mutações. De acordo com Tedros, a OMS está trabalhando com cientistas para entender como as mutações afetam o vírus. Ele voltou a destacar que as vacinas dão esperança, mas não podem ser desculpa para que as pessoas se exponham ao perigo. As medidas de contenção, como uso de máscara e distanciamento social, continuam sendo recomendas pela OMS.

A OMS descartou impactos da variante do coronavírus sobre a produção de vacinas contra a Covid-19. "Vacinas já são produzidas visando uma ampla variedade de mutações", destacou o responsável pelas situações de emergência de saúde da OMS Michael Ryan. De acordo com a OMS tal como acontece no caso de imunizantes da gripe comum, as vacinas anticovid poderiam ser atualizadas com a nova cepa do Sars-cov-2 sem grandes problemas. O que não pode acontecer é uma mutação da proteína fundamental do novo coronavírus.

Exatamente por isso, a cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, alertou para a necessidade de conter a doença em todo o planeta em meio à segunda onda de infecções. "Baixar a transmissão da Covid-19 é importante justamente para evitarmos mutações. Quanto mais o vírus circula, mais ele gera variantes", alertou.

A epidemiologista da OMS Maria van Kerkhove esclareceu que as mutações identificadas nos vírus no Reino Unido são diferentes daquelas vistas na África do Sul. "A boa notícia é que o Reino Unido tem reportado que essa variante do coronavírus não afeta a eficácia da vacina", pontuou. Van Kerkhove disse que "haverá detalhes em torno da variante nas próximas semanas"

"Tivemos uma R0 (taxa de reprodução do vírus, ndlr) muito superior a 1,5 em diferentes momentos da pandemia e conseguimos controlá-la. Portanto, essa situação não está, neste sentido, fora de controle", declarou Ryan, na coletiva de imprensa em Genebra. Suas declarações contradizem as do ministro da Saúde britânico, Matt Hancock, que no domingo afirmou que "a nova cepa do coronavírus estava fora de controle". Até o momento, contudo, Ryan ressaltou, não há informações de que a mutação cause aumento da mortalidade entre os contaminados.

Ryan estimou nesta segunda que "embora o vírus tenha se tornado um pouco mais eficiente em termos de propagação, ele pode ser detido". "As medidas atuais são boas. Devemos continuar fazendo o que temos feito" até agora, disse o alto funcionário. "Podemos ter que fazer isso com um pouco mais de intensidade e por um pouco mais de tempo para garantir que podemos controlar esse vírus", acrescentou.

Por outro lado, a especialista destacou que não há indicações de mudança na forma de contágio da mutação e, por isso, os atuais protocolos de prevenção devem ser mantidos - e até mesmo ampliados. "Faça o que puder para se manter seguro".

Van Kerkhove evitou atribuir a segunda onda de Covid-19 na Europa à mutação agora confirmada pelo governo britânico. "Pode ser a variante, mas também os fatores comportamentais", afirmou, em referência ao relaxamento de medidas preventivas por parte da população. Por isso, a epidemiologista defendeu o aperto de restrições no Reino Unido. "Elas são necessárias neste momento".

O conselheiro-chefe do programa de vacinação nos Estados Unidos, Moncef Slaoui disse que ainda não se sabe ao certo se a nova variante é mais contagiosa, mas os EUA estão conduzindo estudos para obter mais informações. "Não há evidências fortes de que esse vírus seja mais transmissível, (mas) há evidências claras de que ele está mais presente na população", disse.

O cientista, especialista em vacinas e ex-executivo farmacêutico, espera que experimentos de laboratório mostrem que a nova cepa responda às vacinas e aos tratamentos existentes. "Pode ser que as infecções tenham acontecido sem que saibamos e agora estamos percebendo um aumento, ou talvez tenha uma transmissibilidade maior", disse. "O que está claro é que (a nova variante) não é mais patogênica", enfatizou, o que significa que não foi demonstrado que ela cause uma doença mais grave.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, afirmou que não há razões para acreditar que a nova cepa do coronavírus descoberta no país seja mais "perigosa" que as já existentes, embora provavelmente seja mais transmissível. "Fomos rápido ao agir para frear disseminação da nova variante do vírus", garantiu.

O premiê comentou que entende as preocupações de outros governos com a mutação, que levou muitos deles a proibirem voos vindos do país. O líder britânico acrescentou que a variante do vírus não afetou a logística de distribuição da vacina. Segundo ele, já foram entregues mais de 500 mil doses do imunizador. "Temos todas as razões para estarmos esperançosos quanto à habilidade de nosso país de se recuperar da crise da Covid-19 no próximo ano", ressaltou.

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Agência Estado/AFP/Dom Total



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