Esporte

23/12/2020 | domtotal.com

Nova autópsia do corpo de Maradona indica possibilidade de negligência médica

Craque argentino tinha vários transtornos, mas não era tratado para problema cardíaco

Um homem e sua filha choram a morte de Diego Maradona, reunidos com uma multidão em Buenos Aires
Um homem e sua filha choram a morte de Diego Maradona, reunidos com uma multidão em Buenos Aires (Ronaldo Schemidt/AFP)

O relatório da autópsia feita no corpo de Diego Maradona apontou a presença de substâncias encontradas em medicamentos psicofármacos, usados contra ansiedade e depressão. Os exames, que começaram no dia 2, uma semana após sua morte, não registraram o uso de drogas ilegais ou álcool e concluíram que o astro argentino morreu por causa de um "edema agudo de pulmão secundário a insuficiência cardíaca crônica exacerbada" e também descobriu uma "cardiomiopatia dilatada " em seu coração.

Como divulgado em investigações preliminares, o coração de Maradona pesava, há20 anos, 503 gramas, o dobro do normal. Com isso, ficam ainda maiores as evidências de que ocorreram negligências no tratamento dos médicos que tratavam do ídolo argentino. "É tão importante o que apareceu com o que não surgiu nessas análises de laboratório. À primeira vista, confirmam que davam psicofármacos para Maradona, mas nenhum medicamento para combater sua cardiopatia", disse - declarou um dos responsáveis pela autópsia à agência Télam.

O Ministério Público de San Isidro, que investigava sua morte ocorrida em 25 de novembro, aos 60 anos, divulgou nota com os resultados das análises complementares da necropsia, ordenadas para determinar se houve negligência, imprudência, ou imperícia nos tratamentos de saúde. 

Maradona sofria de doenças hepáticas, cardiovasculares e renais. De acordo com o relatório, o craque argentino sofria de cirrose, necrose tubular aguda (transtorno renal), glomeruloesclerose focal (insuficiência renal), aterosclerose (acúmulo de gordura e colesterol nas artérias), doença isquêmica do coração (aterosclerose das artérias coronárias) e hiperplasia arterial no nó sinoatrial (doença cardíaca).

As análises toxicológicas de amostras de sangue e urina apresentaram resultados negativos para álcool e entorpecentes, mas positivos para venlafaxina, quetiapina, levetiracetam e naltrexona. Smetilvenlafaxina, metoclopramida e ranitidina também foram detectados, de acordo com o relatório conhecido quase um mês após a morte de Maradona.

Outro ponto que coloca o trabalho médico em dívida, segundo o investigador, é o fato de Maradona tomar remédios psicofármacos que produzem arritmia, o que não é recomendável para um paciente que tinha problemas cardíacos como era o caso do capitão da seleção argentina nas copas de 1986, 1990 e 1994.

A psiquiatra Agustina Cosachov e o cirurgião cardíaco Leopoldo Luque estão sob a lupa da Justiça por serem os dois profissionais que atendiam o ex-capitão albiceleste. Acusado formalmente pelo Ministério Público, Luque, que se eximiu de culpa, teve celulares e computadores apreendidos para a investigação.

A necropsia realizada no dia de sua morte determinou que Maradona morreu em consequência de um "edema agudo de pulmão secundário a uma insuficiência cardíaca crônica agudizada, com miocardiopatia dilatada". Outro detalhe informado pelo canal de TV argentino LaSexta é que "não foi uma morte súbita, mas sim uma grande agonia que durou entre seis e oito horas".

O campeão mundial consagrado no México-1986 havia sido operado de um hematoma na cabeça em 3 de novembro, cinco dias após seu 60º aniversário, em 30 de outubro. Nessa data, sua péssima condição física e a dificuldade de falar ao se apresentar no campo do Gimnasia, a equipe dirigia por ele, chocaram os presentes.


AFP/Agência Estado/Dom Total



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