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25/12/2020 | domtotal.com

'Sissi': um clássico do cinema estrelado pela atriz Romy Schneider completa 65 anos

Trilogia de filmes sobre a história da jovem imperatriz austríaca é uma tradição natalina na Alemanha até os dias de hoje

Trilogia de filmes conta a história da imperatriz: tradição natalina
Trilogia de filmes conta a história da imperatriz: tradição natalina (IMDB)
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A época do Natal chegou na Alemanha, e isso significa que é hora de assistir à trilogia Sissi, que conta a história de uma jovem imperatriz vienense com um sorriso radiante e olhos azuis brilhantes. Lançados na década de 1950 e estrelados por Romy Schneider no papel principal, os filmes dirigidos pelo austríaco Ernst Marischka se encarregam de levar o espírito natalino para o público alemão até hoje.

Na época de seu lançamento, numa Alemanha dividida do pós-guerra, os alegres filmes sobre Sissi representavam um bálsamo para a alma de uma nação fragmentada. Hoje, eles continuam sendo clássicos de um típico feriado agradável.

Completamente irrelevante para os fãs da atualidade é o quanto o diretor distorceu a realidade histórica. Na vida real, a história de amor entre Elisabeth e Franz Josef, governantes da dinastia dos Habsburgo, não renderia "nem mesmo um curta-metragem", conforme escreveu o jornal Wiesbadener Tagblatt em 1957, quando a Áustria orgulhosamente apresentou o terceiro filme de Sissi no Festival de Cannes. No entanto, a crítica estava enganada.

Um sucesso de bilheteria

Um dia após a estreia bem-sucedida em Viena, na Áustria, em 1955, o primeiro filme, Sissi, foi lançado nos cinemas alemães. A história da charmosa adolescente bávara que entra para a realeza austríaca ganhou a continuação com dois outros filmes de sucesso detalhando a vida da jovem imperatriz: Sissi, a imperatriz, em 1956, e Sissi e seu destino, em 1957.

Os longas, que acabariam lançando a atriz alemã Romy Schneider ao estrelato, foram uma verdadeira sensação nas bilheterias. Embora os números exatos não estejam disponíveis, estima-se que eles atraíram 25 milhões de espectadores aos cinemas.

O enredo detalha os primeiros anos da imperatriz Elisabeth, da dinastia dos Habsburgo, e é baseado no romance homônimo da autora Marie Blank-Eismann, publicado na Alemanha em 1952 em duas partes. O livro também já havia ganhado vida em 1933 na forma de uma história ilustrada na revista Blütenregen.

Recepção pela crítica

A crítica acusou o diretor de carregar muito no kitsch, mas alguns discordam. Embora seja verdade que os filmes não oferecem uma representação totalmente fiel da monarquia austro-húngara, a trama central está correta, incluindo a rápida alienação da jovem Elisabeth da corte vienense, seu entusiasmo pela Hungria, suas escapadas ao exterior e sua antipatia pela vida na realeza. "Não quero me tornar imperatriz! Quero viver livremente, sem restrições!", diz Sissi no filme.

Acima de tudo, a trilogia de Ernst Marischka trouxe elementos clássicos de Hollywood para o cinema europeu, fazendo uso de belas imagens para contar histórias comoventes, e deixando assim a sua marca na história da sétima arte.

Com o tempo, porém, a atriz alemã Romy Schneider passou a desgostar do papel que a tornou famosa, pois ele acabaria ofuscando sua carreira posterior. "Eu amava o papel naquela época", disse Schneider mais tarde numa entrevista. "Eu era a princesa, e não apenas na frente das câmeras. Eu era sempre uma princesa. Até que um dia, eu simplesmente não queria mais ser uma princesa", revelou.

Karlheinz Böhm, o ator que interpretou seu marido monarca, também chegou a reclamar que a produção levou o público para um "mundo de porquinhos de marzipã cor-de-rosa", uma alusão ao tradicional doce de amêndoas alemão dado no ano-novo para desejar boa sorte. Böhm, pelo menos, conseguiu se libertar da imagem de bom moço ao interpretar um assassino psicopata no filme A tortura do medo, de 1960.

Ainda hoje, o fascínio em torno de Sissi continua vivo. A Netflix planeja inclusive uma adaptação da vida da imperatriz austríaca, com a atriz alemã Devrim Lingnau no papel principal. Enquanto isso, durante as celebrações de Natal, as casas de muitas famílias na Alemanha e na Áustria continuarão vidradas na telinha para preencher o intervalo entre um assado natalino e o café da tarde com cenas do romance imperial.

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