Religião

02/01/2021 | domtotal.com

Arcebispo Wenski: Por que tomei a vacina da Pfizer contra a Covid-19

'Por causa dos medos ou receios que algumas pessoas podem ter, eu queria demonstrar confiança na vacina'

O arcebispo Wenski da Arquidiocese de Miami, EUA
O arcebispo Wenski da Arquidiocese de Miami, EUA (Tom Tracy/CNS)

Thomas G. Wenski*

Nunca fui um grande fã de agulhas e injeções; mas mesmo com um pouco de medo, fiquei feliz por estar entre os primeiros que colocou seu braço para tomar uma injeção da primeira dose da vacina contra a Covid-19 da Pfizer-BioNTech. A injeção não foi pior do que minha vacina anual contra a gripe e não foi tão desconfortável quanto todas as vezes que uma enfermeira cutuca meu braço em busca de uma veia para tirar sangue.

As autoridades de saúde pública da Flórida administraram a vacina em 16 de dezembro no Centro de Saúde St. John’s, localizado perto de Fort Lauderdale, no campus norte dos Serviços Católicos de Saúde da Arquidiocese de Miami. Fui um dos cerca de 120 funcionários e 82 pacientes que foram vacinados poucos dias depois que a vacina foi aprovada para sua distribuição. (Receberemos a segunda dose em três semanas no dia 6 de janeiro). O grupo vacinado foram os residentes em lares de idosos e profissionais de saúde estão no grupo de "nível um" da Flórida para o recebimento da vacina.

Os Serviços Católicos de Saúde da Arquidiocese de Miami opera 38 instalações nos municípios de Broward e Miami-Dade. Com vários milhares de trabalhadores da linha de frente e cerca de 5 mil residentes em casas de repouso arquidiocesanas, hospitais de reabilitação, instalações de vida assistida e residências para idosos, eu queria dar o exemplo e incentivar nossa equipe e residentes do programa a tomar a vacina contra a Covid-19. Também gravei um vídeo em idioma crioulo exortando nossos trabalhadores haitianos da linha de frente a serem vacinados.

E, embora os profissionais de saúde e aqueles em lares de idosos e instalações de cuidados de longo prazo sejam os primeiros na fila para serem imunizados, na arquidiocese também somos responsáveis por um grande sistema escolar católico; portanto, gostaríamos que os funcionários e professores de nossas escolas, bem como nossos padres e funcionários de paróquias e aqueles a quem servimos por meio de nossos programas de caridade católica, intensificassem os cuidados e fossem imunizados quando a vacina estiver disponível para eles.

Por causa dos medos ou receios que algumas pessoas podem ter, eu queria demonstrar confiança na vacina, que foi aprovada e autorizada pela Food and Drug Administration dos EUA (FDA) e ressaltar que, como católicos, não temos nem devemos ter preocupações éticas sobre a vacina.

As preocupações morais levantadas por alguns sobre a conexão das vacinas Pfizer e Moderna com linhagens de células originadas de tecido retirado de fetos abortados na década de 1970 foram abordadas tanto pela Congregação para a Doutrina da Fé, quanto pela Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos. O bispo Kevin Rhoades de Fort Wayne-South Bend, de Indiana, o presidente do Comitê de Doutrina, e o arcebispo Joseph Naumann de Kansas City, O presidente do Comitê de Atividades Pró-Vida, escreveram que qualquer conexão com o compromisso moral pelo uso das linhagens celulares é remota e, portanto, não há objeções ao uso dessas vacinas. A situação da saúde pública é simplesmente grave demais para rejeitar as vacinas. Ser vacinado é uma forma moralmente responsável de amar o próximo e promover o bem comum. Vacinar a maior proporção possível da população é a melhor maneira de controlar o vírus e salvar vidas.

Os Serviços de Saúde Católicos da Arquidiocese de Miami têm um programa de controle de infecção muito forte que permitiu um meio seguro para familiares e entes queridos visitarem parentes que residem nos lares para idosos. Mas isso exigiu muito esforço e despesas extraordinárias. Aqueles que contraíram Covid-19 foram separados da população em geral e colocados em uma área de isolamento. Mais de 30 mil testes de Covid-19 foram aplicados a pacientes e funcionários. Os membros da equipe foram testados 15 vezes, e cada um de nossos residentes foi testado 16 vezes nos últimos nove meses. Ao mesmo tempo, cerca de 135 mil pessoas foram examinadas quando entraram em uma de nossas instalações. Seria um eufemismo dizer que a campanha de vacinação do governo foi apenas bem recebida por nós.

Este esforço de vacinação é um bem público e uma forma aceitável para os católicos e outros ajudarem a combater a pandemia de Covid-19 em constante expansão. Como aprendemos antes, outros tipos de vacinas têm feito grandes coisas ao nos proteger de várias doenças ao longo dos anos. Estou incentivando a participação de todos porque, mesmo para as pessoas que podem não ter muito a temer da infecção – se não forem de alto risco e se forem saudáveis ou se sua demografia for tal que esperariam se recuperar facilmente – será um benefício para outras pessoas ao seu redor.

Esperançosamente, meu gesto irá motivar outras pessoas a tomar a vacina assim que for disponibilizada, de modo que em breve possamos chegar ao outro lado desta pandemia. Enquanto isso, mesmo com a vacina, continuarei – de acordo com as diretrizes dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças – usando a máscara, praticando o distanciamento social e lavando as mãos com frequência.

Publicado originalmente em America Magazine.

Tradução: Ramón Lara.

*O reverendo Thomas G. Wenski é o arcebispo de Miami



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